
UM ANO DEPOIS
Por Percy Goralewski - COXAnautas
As cenas de barbárie registradas em 06/12/2009 no Estádio Couto Pereira misturadas com as lágrimas pelo rebaixamento do Coritiba à segunda divisão do campeonato brasileiro ainda é uma lembrança latente na memória de todo torcedor Alviverde.
As consequências daquele trágico momento foram as mais devastadoras possíveis: o clube carregou o estigma de ter uma torcida violenta, recebeu a maior punição do futebol brasileiro e foi alvo da hipocrisia de boa parte da mídia nacional.
Em meio ao caos e diante de um processo eleitoral, o clube apresentava-se em frangalhos, sem saber direito o que fazer ou que rumo tomar.
A torcida Coxa Branca - maltratada por todos os acontecimentos, recebera a alcunha de violenta, como se fosse composta por marginais em sua totalidade.
O futuro era absolutamente incerto diante dos desafios que o clube enfrentaria: perda de mando de campo, interdição do estádio, longas viagens e a reconstrução de uma imagem que estava destruída.
Contudo, demonstrando uma incrível capacidade de reação, sob o comando de uma nova forma de gestão implantada, principalmente, por Vilson Ribeiro de Andrade, o Coritiba 'entendeu' que somente com muita organização e trabalho a volta por cima poderia ser possível.
O título estadual conquistado diante do maior rival, no Estádio Couto Pereira, quebrou uma marca de 32 anos sem que esta combinação ocorresse. A conquista do Campeonato Paranaense serviu como um bálsamo capaz de amenizar as dores causadas pelas feridas ainda abertas nos corações dos torcedores Alviverdes.
No entanto, o objetivo primordial da temporada era o retorno à elite do futebol brasileiro - e ele não seria nada fácil, afinal, o Coritiba precisaria jogar 10 partidas longe de sua verdadeira casa - um obstáculo a mais a ser superado.
Com o esforço e comprometimento dos funcionários, dirigentes, jogadores, comissão técnica e torcedores, o clube verde e branco foi caminhando, passo a passo, rumo ao cumprimento da pena que lhe fora imposta - com alguns tropeços, é verdade - buscando somar os pontos necessários para ficar próximo ao grupo de classificação para a Série A, aguardando a volta para casa a fim de arrancar definitivamente rumo à classificação para a primeira divisão.
E o retorno ao lar se deu de forma emocionante, afinal, a torcida Coxa Branca não mais suportava a distância de seu estádio. A vitória pelo placar de 2x0 diante da Portuguesa/SP não representou somente a soma de mais três pontos na tábua de classificação. A tarde do dia 15/10 demonstrou a todo o Brasil, que o Coritiba não sucumbiria, ao contrário, caminhava a passos largos para o seu retorno triunfal à primeira divisão do futebol brasileiro.
A partir daquele momento, posicionando-se entre os líderes da competição, o Coritiba comprovava que o seu principal objetivo seria alcançado - era questão de tempo. E o retorno matemático à Série A aconteceu na noite de 09/11, após uma vitória conquistada na raça, diante do Duque de Caxias/RJ, no Rio de Janeiro.
Para coroar a temporada de reconstrução institucional e moral do clube mais tradicional do futebol paranaense, a torcida Alviverde aguardava, com ansiedade, o título da competição - e ele veio com uma rodada de antecedência, no empate em 2x2, contra o Icasa/CE, no dia 20/11.
Encerrando a temporada, o Coritiba recebeu o Guaratinguetá/SP no Estádio Couto Pereira, no último dia 27, momento em que a tão merecida taça da competição foi erguida pelo capitão Jeci - o líder de uma equipe obstinada em busca de sua conquista.
Concidentemente, os times que protagonizaram a partida mais dramática de 2009 - Coritiba e Fluminense - sagraram-se campeões brasileiros das Série B e A, respectivamente, somando, cada qual, 71 pontos em suas competições.
Assim como o time carioca demonstrou muita força após ter escapado do rebaixamento em 2009, conquistando o título da Série A no ano seguinte, o Coritiba dá mostras que com profissionalismo, o sonho por voos mais altos e condizentes com as glórias desta instituição centenária poderá se transformar em realidade.
Para tanto, palavras como trabalho, organização, comprometimento e união serão imprescindíveis para que o clube continue na mesma trilha de superação, sucesso e conquistas, afinal, as dificuldades que certamente serão confrontadas na próxima temporada serão iguais ou ainda mais desafiadoras do que aquelas que acabaram de ser suplantadas.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)