
PROJETOS
Até o final do ano o Coritiba deve fazer o anúncio do projeto para o novo estádio. Duas empresas negociam paralelamente com o Coxa para finalmente tirar do papel a empreitada. A revelação é do gerente de Marketing do Coritiba, Roberto Pinto Júnior (foto), que concedeu entrevista ao site Máquina do Esporte e falou sobre os projetos do Cori para fortalecer a sua marca. O novo estádio, segundo Roberto, é uma das frentes em que a diretoria trabalha. "Um dos objetivos dessa gestão é entregar um projeto viável e em funcionamento para um novo estádio para o Coritiba", afirmou.
Questionado pela reportagem, o gerente de marketing disse que pessoalmente até acreditaria na viabilidade de uma parceria com o rival, A. Paranaense, para a divisão de um estádio único. Contudo, ele vê a realidade mudar este panorama, mas admite que possibilidade chegou a ser estudada. " É mais do que sabido que o estádio de futebol não é rentável quando se tem, em média, uma partida por semana ali. Eu não acredito que Campinas, por exemplo, suporte duas arenas multiuso, tenho certeza de que seria muito mais proveitoso que Ponte Preta e Guarani utilizassem o mesmo espaço. Mas há uma questão cultural que não nos permitiria ter uma arena em conjunto, principalmente de pegar a Arena da Baixada, casa do A. Paranaense e transformá-la em espaço conjunto", avaliou.
Se a construção de um novo estádio também é um ponto importante para o marketing Alviverde, o trabalho de internacionalização da marca conta com o reforço do argentinho Ariel Nahuelpan, que deve ser útil neste processo, mas não o único. Roberto quer para isso trabalhar em conjunto com o departamento de futebol e acredita que em negociações mais vantajosas para o clube, sem outros times intermediando a venda de atletas para o exterior. "Vamos utilizar outros atletas também. O Coritiba tem um histórico positivo de formador e exportador de atletas, mas tem de lidar com uma característica ruim que é a utilização de intermediários nas transações. Quando eu falo em intermediários, não faço nenhuma alusão a agentes ou empresários, falo de outros clubes mesmo, principalmente do eixo Rio-São Paulo, temos muitos exemplos recentes disso. Nosso trabalho é, em conjunto com o departamento de futebol, fazer com que o Coritiba seja conhecido diretamente pelos clubes internacionais. Um bom exemplo de que esse trabalho está começando a dar frutos é a ida do Felipe para a Bélgica", complementou.
Outro jogador que deverá servir de gancho para ações promocionais do Coxa é Marcelinho Paraíba. O capitão do time é visto pelo gerente de marketing do Cori como uma das peças importantes para fortalecer a imagem do Cori. "O Marcelinho vem sendo utilizado desde a chegada dele ao clube. Na reta final da Copa do Brasil, por exemplo, fizemos uma campanha institucional para a mobilização da torcida na tentativa de reverter o resultado da primeira partida contra o Inter e ele era um dos protagonistas. Ele é a peça de maior visibilidade do clube em território nacional, sabemos disso. Por isso, fizemos um esforço tão grande para mantê-lo no clube até junho do ano que vem, como foi anunciado recentemente. Agora, estamos trabalhando uma nova campanha institucional e o Marcelo, mais uma vez, participará dela. Dentro desse projeto também estamos planejando uma pequena linha de licenciados, mas ainda não definimos com quais produtos. Mas essa é uma segunda etapa. O mais importante é trabalhar a campanha para fortalecer a marca e depois buscar receitas", projetou.
Atualmente com dois patrocinadores, o BMG e a Lupo, Roberto prevê caminhos diferentes para os parceiros do clube no ano que vem. Enquanto o contrato com o primeiro, que tem a duração de seis meses, deve ser renovado, o contrato com a empresa têxtil dificilmente deve ser prolongado. O motivo é a entrada da empresa no mercado de material esportivo. "Foi uma ação inteligente do ponto de vista de mercado para a Lupo, mas que gerou insatisfação entre nossos parceiros, criou uma situação delicada. Nossa relação com a Lotto não chegou a ser prejudicada porque estamos juntos em uma série de ações", disse. Ele também revelou que a equipe já pensa no ano que vem e com isso tem apresentado o projeto do clube para grandes empresas. Já com o BMG, a parceria não deve parar apenas no patrocínio e deve chegar ao futebol. "Estivemos recentemente na sede do banco para tratar do fundo de investimento que o BMG criou para o futebol, queremos fazer parte desse trabalho", completou.
Ainda sobre patrocínios, Roberto disse que mesmo os pontuais, a exemplo da Boults na partida contra o Corinthians e a Bematech e outros parceiros nas semi-finais contra o Inter, auxiliam na arrecadação do clube. "Estamos usando muito a questão do pontual ultimamente. É um trabalho que pode não ser bem visto no mercado do futebol, mas que tem sido uma ajuda muito grande para a segurança financeira do clube, não podemos perder essas oportunidades. É a história de fortalecer a marca do clube. Estamos crescendo mais ou menos de 30% a 40% nesses últimos investimentos pontuais", revelou.
Ao falar em receitas, Roberto Pinto também comentou as ações do clube para o centenário e explicou o motivo da diretoria optar pela terceirização de eventos. "O Coritiba tinha duas possibilidades para trabalhar no centenário. Poderíamos ser proprietários dos eventos e lucrar muito, mas teríamos uma capacidade de produção muito menor. A segunda opção, que foi a escolhida pelo clube, é terceirizar os eventos e ter uma quantidade maior de ações. O resultado financeiro é menor, mas o retorno para a imagem é infinitamente superior. Decidimos pela segunda opção porque queríamos chegar a todos os públicos possíveis: crianças, simpatizantes, freqüentadores de estádios, não-frequentadores... No fim, tivemos parceiros comerciais em todos os eventos. O clube não teve despesas, o que já é um ganho muito grande. Não precisamos tirar dinheiro do futebol para promover esses eventos. Com tudo isso, nossa possibilidade de receita é de R$ 800 mil, mas só terei o valor exato quando o centenário acabar", garantiu.
Mesmo trabalhando em um clube centenário, como o Coritiba, Roberto sabe da necessidade explícita em ampliar receitas, principalmente para diminuir a diferença entre o Coxa e os clubes do Rio de Janeiro e São Paulo. "O que a gente faz para tentar amenizar a situação é promover uma série de ações de marketing agressivas. Mais uma vez, falo que é preciso trabalhar forte no fortalecimento da nossa marca e na questão da torcida. Aqui dentro a gente faz um cálculo de que se tivéssemos 40 mil pessoas deixando, em média, de R$ 100 a R$ 200 por mês em várias frentes, essa diferença cairia bastante. Essa é uma das nossas metas", projetou.
Roberto, que assumiu inicialmente a função de coordenador de ações do centenário, tornou-se gerente após as saídas de Eduardo Jaime e Ângela Mormul, que segundo ele, ocorreram por "mudanças de situações". Ele explica que o clube tem tentado aproximar-se dos seus torcedores por canais como twitter, fortalecendo a relação com a imprensa e também pelos e-mails, que de acordo com ele, são todos respondidos. Já os blogs, que tiveram ótima aceitação quando lançados, deixaram de existir pela reação ao resultado do futebol. "O blog se mostrou muito reativo ao resultado do futebol. Aí, percebemos que o sentido da criação desse espaço não estava sendo atingido, não havia amadurecimento suficiente para continuar com os blog. Até discutimos a questão da moderação das mensagens, mas ela poderia ter o efeito inverso, o torcedor poderia se sentir censurado", finalizou.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)