
IMPRENSA
E se ao invés do Coritiba, fosse o... esse é o título do blog de Vitor Birner em que ele analisa a pena imposta ao Coritiba. Para ele, se o clube envolvido nos episódios do dia 6 de dezembro fosse um time carioca, a pena com certeza seria muito menor ou nem existiria. O jornalista analisou o histórico da justiça desportiva em abrandar penas e citou vários casos ocorridos no Brasil e que acabaram sem punição nenhuma. Birner é o terceiro cronista esportivo da mídia nacional a se pronunciar sobre a decisão injusta do STJD.
Vitor Birner é jornalista, crítico e participa do programa CBN Esportes, além de participar também do programa Cartão Verde da TV Cultura. Confira na íntegra o texto publicado no blog do Birner:
“E se ao invés do Coritiba, fosse o…
Esperei o julgamento da invasão de campo no Couto Pereira porque tudo que eu dissesse antes seria óbvio.O Coritiba merece ser punido porque não conseguiu tomar as medidas necessárias para evitar o triste episódio do desfecho do seu centenário.A polícia paranaense concluiu que a ação foi premeditada, combinada 10 dias antes, tal qual divulgou a Secretaria de Segurança Pública do estado.
Ontem o STJD apenou o Coxa com o maior rigor que a lei permitia. O clube perdeu 30 mandos de jogos e pagará R$610 mil de multa.
O recurso do Coritiba será apreciado em janeiro pelo STJD, quando só Deus sabe o que acontecerá.Os auditores do STJD voltam sem “ritmo de jogo”, os amantes de futebol vorazes por justiça também estão mais devagar …
E existe o histórico da Justiça Desportiva de abrandar as penas.
Por isso mesmo, sem hipocrisia, encontro dificuldades para me posicionar no caso.
Claro que o Alviverde merece ser castigado. Contudo existem atenuantes.Os vândalos depredaram algumas instalações do Coritiba. Os outros torcedores do próprio time, lá no Couto Pereira, contrariados com a invasão ao gramado, não tinham nada a fazer. Se a Polícia Militar sofreu para enfrentar os briguentos, como poderíamos cobrar providências de quem estava na arquibancada?
Não falamos de um torcedor que atirou algo no gramado e deve ser identificado para evitar a perda de mando de jogo.A situação, me parece claro, era muito tensa. Por tudo isso desconfio que o STJD diminuirá a pena. Se cair para uns 10 jogos eu não direi que erraram.
Muito do que houve naquele dia é caso para a Justiça Comum. E ela está cuidando bem de tudo.
E se fosse outro time?
Se o mesmo tivesse acontecido com o Flamengo no Maracanã, o STJD aplicaria mesma pena? Proibiria, contrariando interesses econômicos midiáticos e governamentais ( o estádio é público e ganha mais quando há jogos no Maraca), o Rubro-Negro de jogar em casa por mais de uma temporada inteira?Vamos imaginar que algo similar acontecesse no Pacaembu com o Corinthians? Devo acreditar em jurisprudência, coerência ou qualquer coisa parecida por parte de nossa justiça desportiva?
E o Vasco do problema na final da Copa João Havelange, contra o São Caetano, em São Januário, ficaria mais de um ano sem poder mandar os jogos em sua casa?
Será que se as torcidas de São Paulo, Palmeiras, Santos, Botafogo, Fluminense, Cruzeiro, Galo, Inter e Grêmio tivessem feito o mesmo, a decisão do STJD seria igual?
As decisões de quem cuida da justiça desportiva brasileira, infelizmente me obrigam a ter dúvidas.
Após a briga entre sãopaulinos e palmeirenses na Copa dos Campeões da Copa São Paulo de Juniores, bem pior que o do Couto Pereira, sequer excluiu as duas grandes agremiações da próxima “Copinha”.Espero que os fatos sejam sempre mais relevantes que as marcas na justiça esportiva.
Moralismo chato
Ouvi algumas pessoas defenderem o rebaixamento do Coritiba para a terceira divisão. Não gosto desse moralismo.
Me parece vingança disfarçada de justiça, a oportunidade do indivíduo saciar a raiva que tem dos defeitos da humanidade”.
Colaborou o fiel coxa-branca Ronaldo Anzanello.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)