
CRISE FINANCEIRA
A crise no futebol do Coritiba, que não vence há seis jogos no Brasileirão e passa por um momento complicado, correndo risco de rebaixamento, parece ser um reflexo das crises financeira e institucional pelas quais também passa o clube do Alto da Glória.
Sem dinheiro para despesas básicas, o Coxa mostra uma situação de debilidade financeira grave, com salários pagos em atraso, com funcionários sem terem recebido os rendimentos de junho, enquanto os jogadores os receberam em parcelas durante o mês de julho. Nesta sexta-feira, 7, vencem os salários de julho, de acordo com a legislação.
"O salário está em dia, mas foi pago à medida que estavam entrando recursos, porque teve uns encaixes no orçamento, acabou sendo pago em parcelas, sendo a última no começo desta semana com a entrada do recurso da Globo (cotas de transmissão do Brasileiro", afirmou o diretor financeiro Francisco Araújo por telefone aos COXAnautas.
Uma fonte ligada ao site diz que, para equacionar suas finanças, o clube precisaria "vender dois Henriques por ano" - relembrando a negociação do prata-da-casa por R$ 6 milhões no início de 2008, para o Palmeiras/SP, que o vendeu para o Barcelona por aproximadamente R$ 26 milhões - mas, sem nenhuma grande negociação em 2009, e com o clube "inchado" - a folha salarial mais do que dobrou de 2007 para este ano -, o Coxa se vê às voltas com investimentos de terceiros e empréstimos.
Com isso, a diretoria alviverde estaria formando um fundo de investimento, com o Sr. Nadin Andraus, por exemplo, investindo R$ 2 milhões em troca de 20% dos direitos econômicos de Pedro Ken e 30% dos de Ariel, mas, perguntada, a diretoria alviverde não se pronunciou sobre o tema. Andraus é proprietário do clube amador curitibano de mesmo nome e tutor do jovem meia-atacante angolano Geraldo, que vem treinando no Coritiba, sendo bastante elogiado por Renè Simões.
A única fonte de receita constante do clube, portanto, vem sendo o pagamento das cotas de televisão por parte da rede que transmite o Brasileirão, já que o plano de sócios Eternamente Coxa reverte 38% do valor bruto para a parceira que o gerencia. Além disso, o clube não conseguiu fechar um parceiro master fixo para o ano de seu centenário.
As dívidas, porém, não param de vencer, principalmente oriundas de demandas trabalhistas. O Coritiba vem tendo suas rendas de jogos penhoradas graças a acordos firmados na Justiça do Trabalho que não vêm sendo honrados.
O site COXAnautas contatou o diretor financeiro Francisco Araújo ainda na segunda-feira, 3, que solicitou o envio de perguntas sobre os temas abordados nesta matéria via e-mail. Nesta quarta-feira, 5, o coordenador do Projeto Vencer Flávio Kitzig encaminhou uma resposta mais genérica, que não aborda especificamente os temas levantados. Confira abaixo a nota com o posicionamento oficial do clube sobre as finanças
É de amplo conhecimento a delicada situação financeira por que passam, historicamente, a grande maioria dos clubes de futebol brasileiros. A situação do Coritiba não é diferente.
O legado recebido pela atual gestão não poderia ser mais ácido e indigesto, seja pelo completo descaso a legislação trabalhista e tributária, seja pelo insistente desrespeito às contratações em geral.
Desde que assumiu, a atual administração tem se empenhado na regularização e consolidação das obrigações do clube; com isso, um pouco de alivio nas pressões, mas com conseqüente maior comprometimento do fluxo de caixa. Daí não restarem alternativas senão buscar recursos do modo mais "saudável" possível, mas também junto a instituições financeiras e investidores, sem, todavia, qualquer comprometimento patrimonial (aliás, só factível com o aval do Conselho Deliberativo).
Os dirigentes do Coritiba entendem, mas é preciso que muito mais gente também entenda, que a situação do clube não é nada fácil e que para se iniciar a reversão deste quadro muitas coisas terão, necessariamente, de serem revertidas. Cada Coxa-Branca terá que, obrigatoriamente, assumir sua parcela de responsabilidade.
Você sabia, por exemplo, que:
O baixo nível de compra de "pay-per-view" pelos adeptos do Coritiba impacta negativamente nossas cotas da televisão?
Na Timemania, apesar de todos os esforços, lutamos semanalmente para nos manter entre os vinte principais clubes apostados e preferidos, o que é essencial para quitarmos nossas dívidas referentes aos tributos federais?
Dentre os clubes patrocinados pela Lotto, somos o penúltimo na venda de produtos oficiais?
Corremos sérios riscos de vermos frustradas nossas mais pessimistas metas da atual campanha de arregimentação de novos sócios?
Tal panorama compromete diretamente o desempenho financeiro do clube e, conseqüentemente, também o administrativo e desportivo.
De resto, é bom que se insista em recordar que, estatutariamente, o orçamento, os balancetes trimestrais e o balanço geral, após serem auditados, são apresentados para análise, discussão e votação nos foros competentes, legitimamente constituídos através de eleição pela Assembléia Geral, que são o Conselho Fiscal e o Conselho Deliberativo. Ao final, todos os demonstrativos patrimoniais e de resultado são publicados em jornais de circulação local e no site oficial do clube, conforme dispõe a legislação em vigor e onde o torcedor pode ter acesso detalhado às informações pertinentes a vida financeira do Coritiba.
Conselho Administrativo
Coritiba Foot Ball Club
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)