
CLÁSSICO
Um campeonato estadual emocionante. O rival contratou jogadores de renome e bons de bola, como Belini, Dorval e Djalma Santos. Sem contar a presença do nosso craque, Zé Roberto, do lado deles. O Coxa tinha Krueger e outros jogadores como Nilo, Oromar e ele, Paulo Vecchio. O campeonato vinha equilibrado. A final, entre os dois clubes, começou com uma vitória do Coxa na primeira partida. Krueger e Oromar marcaram para o Verdão e Milton Dias diminuiu para o A. Paranaense.
Na segunda partida, na Vila Capanema, eles estavam vencendo com um gol de Zé Roberto. Tudo se encaminhava para um terceiro jogo.
A torcida deles já estava em festa e cantava o título. O Coxa pressionava muito e o adversário se defendia como podia. Nos minutos finais várias faltas na intermediária a favor do Coxa, até que faltando 20 segundo para o árbitro Arnaldo César Coelho finalizar o jogo, o Coxa tem uma última chance. Nilo que foi trazido ao Coxa por Paulo Vecchio, arruma a bola para a cobrança de falta. Ele cobra magistralmente e Belini subiu para afastar, mas Paulo Vecchio ganhou a disputa área e cabeceou de maneira irretocável com força no ângulo do gol. A torcida nem esperou o árbitro, que sai correndo em direção ao vestiário, apitar o final do jogo e já invadiu o gramado da Vila.
O Coritiba era campeão em uma decisão emocionante. O fiel Coxa-Branca Milton Luiz C. da Costa, que estava naquela decisão, lembra que ele foi ver a partida acompanhado de sua família que torcia para o rival. “Naquele ano eu era responsável por levar, em todos os jogos, uma bandeira que ficou famosa na cidade. Ela era vermelha e preta e tinha um escrito em branco que dizia “Soy loco por ti Atlético”. Era uma espécie de amuleto que acompanhava a equipe nas vitórias”, relembra.
Contudo, as coisas estavam mudando para o jovem torcedor. “Na primeira partida que foi disputada no Alto da Glória me neguei a levar a bandeira, o que provocou uma reação de indignação em meus familiares. O resultado daquela dia: vitória Coxa. Já na segunda partida da final, que aconteceu na Vila Capanema, também não levei a bandeira e fui novamente repreendido pelos Atléticos. Na verdade, como era criança, não entendia aquela arrogância da torcida rubro-negra em dizer que eram muito superiores ao Coxa. Arrogância tamanha que me fez trocar de lado. Naquela partida o Atlético ganhava de 1x0 até o gol de Paulo Vecchio e a explosão da torcida coxa-branca. Ao final da partida não consegui esconder minha felicidade em ver o Coritiba campeão. A partir disso me tornei um coxa-branca eterno", lembra Milton, que reforça a tese de que além do improvável, o clássico é responsável por angariar novos torcedores que levam o Coxa em seu coração por gerações.
Ao final da partida, o próprio Arnaldo César Coelho não esperava tal reação Alviverde, como disse em declarações reproduzidas no livro AtleTiba, a Paixão das Multidões, de Vinicíus Coelho e Carneiro Neto. "Olhei para o cronômetro e vi que faltava 20 segundos quando autorizei. E pensei: O Nilo cobra, o Belini rebate de cabeça e termino o jogo. Só que o Nilo cobrou, o Belini não tirou e quem subiu foi o Paulo Vecchio para acertar em cheio o ângulo do gol atleticano. Foi um pandemônio. Saí correndo para o vestiário", disse. Ele de pronto encontrou o próprio Belini e o Sarno, técnico do Coxa, querendo saber se o gol tinha sido validade.
O resultado conquistado foi o que o Coritiba precisava. Com raça e determinação em campo e apoio nas arquibancadas, o caminho não pode ser outro.
Mais um título Alviverde. Agora o Coritiba, time da alma guerreira, terá mais um clássico que pode se tornar inesquecível neste domingo,25. Com o apoio da torcida até o último minutos, podemos escrever mais um capítulo vitorioso de nossa história no ano do Centenário.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)