
CLÁSSICO
Para encerrar a série de AtleTibas históricos, a goleada em plena baixada, pelo Campeonato Paranaense de 2009.
Diferentemente de 2004 e 2008, o Campeonato Paranaense de 2009 não previa uma final em seu regulamento. O sistema de disputa se baseava em pontos corridos. Na primeira fase, em turno único, classificavam-se os 8 melhores colocados. Na segunda fase, também em turno único, o melhor colocado seria consagrado o Campeão Paranaense.
Porém, o texto que definia os mandos de campo da segunda fase possibilitava dupla interpretação. O A. Paranaense, aproveitando a ambiguidade do regulamento, interpôs recurso no STJD, para que o clube classificado em 1º lugar na primeira fase jogasse todas as partidas da segunda fase em seus domínios. O clube classificado em 2º - no caso o Coritiba -, jogaria 6 das 7 partidas em casa, sendo a restante disputada fora, contra o 1º colocado. Com a decisão favorável do STJD, a tabela da segunda fase do campeonato foi remontada seguindo essa lógica esdrúxula, com o último colocado, o ACP, tendo que disputar as 7 partidas longe de Paranavaí. Além de tudo isto, o 1º colocado começava a segunda fase com 2 pontos extras, e o 2º colocado com 1 ponto extra.
Embora o Coritiba tenha sido bastante beneficiado pelo regulamento, o clube não aproveitou o tropeço do A. Paranaense logo na primeira rodada, e chegou ao clássico com chances mínimas de ser campeão. Tudo estava preparado para a festa do rival, que pretendia vencer o jogo e fazer a festa em cima do Coritiba. Nesta partida, Renè Simões estrearia no comando técnico do Coritiba, mesmo tendo chegado à Curitiba poucos dias antes do clássico. O A. Paranaense havia se esquecido da força do Coritiba, bem como de sua torcida, e veio para o jogo com a certeza do título antecipado. Até reportagens comemorando o título já estavam publicadas no site oficial do rival um dia antes do jogo.
A partida começou, e o Verdão já foi entregando seu cartão de visitas: logo aos 6 minutos de partida, Marcelinho Paraíba encheu o pé de fora da área, e abriu o placar para o Coritiba. O Verdão não recuou, e seguiu pressionando o adversário. Aos 18 minutos, Marcelinho acertou a forquilha de Galatto. No minuto seguinte, Márcio Gabriel sofreu pênalti. Marcos Aurélio bateu no alto, em ampliou para o Verdão. Neste momento, o A. Paranaense já se arrependia de ter subestimado o poder alviverde. Os gritos de "É campeão" haviam desaparecido da baixada.
O Cori seguiu jogando bem, tocando bola e deixando o adversário "na roda" até o final do primeiro tempo.
Na segunda etapa, o Verdão teve algumas chances logo no início, mas em um contra-ataque, Cleiton falhou de forma bizarra, deixando Rafael Moura na cara do gol. O atacante adversário não perdoou e diminuiu o placar. O gol acordou o time e a torcida do A. Paranaense, que começaram a pressionar o Coritiba. Aos 19 minutos, Leandro Donizete deu um carrinho atrasado, e derrubou Wallyson dentro da área. Marcinho bateu e empatou para o rival. A torcida adversária explodiu, e passou a ter certeza da virada. Porém, aos 35', brilhou a estrela de Ariel Nahuelpán, que aproveitou o rebote de um escanteio e colocou o Coritiba novamente na frente. O gol foi um banho de água fria no time e torcida do A. Paranaense.
O adversário passou a jogar no "tudo ou nada", e ao final da partida, numa bola roubada da defesa, o Coritiba partiu para um contra-ataque fulminante. Rodrigo Heffner acionou Carlinhos Paraíba que abriu boa bola na esquerda pra Guaru. O ala cruzou rasteiro, Leandro Donizete abriu a perna fazendo o corta-luz e Marlos fechou o caixão aos 46' do 2º tempo. Coxa 4x2, e muita água no chopp do A. Paranaense.
Amanhã é dia de fazer história novamente. Time com alma guerreira e torcida que nunca abandona é o ingrediente principal para se entrar na história e que na próxima série especial de clássicos, o jogo do dia 25 de outubro de 2009 possa figurar entre os destaques.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)