
CLÁSSICO
O ano de 2004 foi especial na história do Coritiba. Dezoito anos depois da última participação da equipe, o Verdão voltava à Libertadores após uma campanha sensacional no Campeonato Brasileiro de 2003 e projetava reafirmar o seu nome na história do futebol mundial. Entretanto, após contestadas decisões do técnico Antônio Lopes, nos seis jogos da primeira fase, o Alviverde foi eliminado no início da competição.
Restava, então, o Campeonato Paranaense que, após apenas mediana campanha na competição internacional, virara obrigação para aquele time capitaneado por Aristizábal e que tinha, na defesa, dois dos melhores garotos de ouro do Verdão: Adriano e Miranda. Mas era preciso passar pelo maior rival.
No primeiro jogo, no Couto Pereira, o Coritiba conseguiu reverter a vantagem rubro-negra de dois empates. Já nos minutos finais do segundo tempo, Luiz Mário acertou um petardo da intermediária ofensiva Alviverde, decretando a vitória por 2x1. Mas, se aquela partida foi emocionante, o melhor ainda estava por vir.
No dia 18 de abril de 2004, o segundo e decisivo jogo, na Baixada. Por haver feito melhor campanha na primeira fase, o A. Paranaense jogava por uma vitória simples. Já o Coritiba, precisava apenas de um empate. A boa vantagem aumentou com o golaço de Jucemar, aos 17 minutos do primeiro tempo, que, de fora da área, acertou um chute forte e com muito efeito no canto direito do goleiro Diego. 1x0 Verdão e título mais próximo.
Menos de dez minutos mais tarde, entretanto, numa cobrança de escanteio, Rogério Corrêa empatou. O jogo, nervoso como uma decisão deve ser, ainda ganhou mais um personagem: o árbitro Marcos Tadeu da Silva Mafra, que nunca antes havia apitado uma final de campeonato. Aos 28, uma falta discutível na intermediária atleticana. Jadson levantou, e alguns jogadores do rival - impedidos - atrapalharam a ação do goleiro Fernando. Virada, 2x1 para eles.
Não deixando-se abater, o Verdão foi em busca do empate. Adriano, já machucado, fez um esforço desumano e alcançou uma bola na linha de fundo, pela esquerda. O cruzamento saiu na medida e Tuta empurrou para a redes. 2x2 e festa da Torcida Coxa-Branca. Festa que novamente durou pouco tempo até Igor, impedido, completar de cabeça para o gol de Fernando após jogada idêntica ao segundo gol do A. Paranaense. No intervalo, o título era deles. A torcida do Coritiba, entretanto, continuava cantando sem parar. Os gritos de "Cooooooxaaaaaa" eram ininterruptos o que visivelmente mexeu com o brio dos jogadores e incomodou jogadores e torcedores do rival, fato que se estendeu até o apito final.
O Coritiba voltou para o segundo tempo disposto a igualar novamente o placar, mas era parado pela terrível arbitragem de Mafra, que "não via" faltas e pênaltis a favor do Coritiba. O mais escandaloso deles, em Luiz Mário, quase na metade da etapa final. Mas, contra tudo e todos, aos 31 minutos, Ricardinho bateu escanteio e Tuta cabeceou firme, sem chances para Diego.
Êxtase da galera Coxa-Branca pelo gol e pela comemoração do artilheiro Alviverde, que pediu silêncio à uma Baixada incrédula e submissa à superioridade e, acima de tudo, à garra Coxa-Branca. Depois de inacreditáveis 6 minutos de acréscimos, o Coritiba sagrava-se, então, Campeão Paranaense de 2004.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)