
EDITORIAL
O Coritiba venceu a ADAP por 1x0, sob forte calor em Campo Mourão. A partida teve dois tempos bastante distintos: na primeira etapa, o time local dominou as ações, comandado por Barbieri, que livre de marcação armou, lançou e até chutou a gol. O Coritiba teve uma postura mais defensivista na primeira etapa, com poucas chances de gol. A principal chance do Coritiba marcar no primeiro tempo foi com Marciano, que entrou livre na grande área mas não finalizou antes da saída do goleiro.
O pragmático futebol do Cori, no 4x4x2 de Lopes, não agradou muitos torcedores. Mas futebol vive de resultados, como foi em 2003 com Bonamigo, que armava um forte esquema defensivo e jogava no contra-ataque, chegando a um título invicto, uma 5ª colocação no Brasileirão daquele ano e à Libertadores do ano seguinte.
Lopes usa de uma estratégia de jogo pouco dinâmica, cadenciando muito o toque de bola na intermediária do campo. Sem um zagueiro na sobra (a tese de que o volante Reginaldo Nascimento é o homem da sobra não se aplica, uma vez que ele fica em frente à linha de Miranda e Alexandre), os laterais Rafinha e Ricardinho continuam fazendo o homem da sobra quando o Cori é atacado. O lateral que está na inversão da jogada, sai da margem do gramado para entrar em diagonal dos zagueiros, numa ação bastante desgastante fisicamente.
Sem o apoio dos laterais há alguns jogos, o futebol do Alviverde continua sendo de poucos atrativos e emoções no ataque, o que desagrada aquele torcedor que quer um futebol mais ofensivo, instigante.
O time do Verdão procura o gol armando muito, tocando a bola em triangulações às vezes curtas, às vezes mais longas (como foi no lançamento do campo de defesa que deixou Marciano na frente do goleiro, no domingo). Mas com um adversário forte na marcação, as chances de gol ficam cada vez mais escassas.
Contra a ADAP, Antônio Lopes (foto) mudou bem o time no intervalo e durante o segundo tempo. Egídio arrumou a casa lá atrás, marcando individualmente a Barbieri, que na primeira etapa foi o dono do jogo, liberando mais Nascimento para sair com a primeira bola.
Laércio trouxe um pouco mais de mobilidade no ataque, já que Marciano voltou a não se apresentar bem. Já Negreiros, pouco jogou enquanto esteve em campo, já que ele foi expulso aos 42 minutos da primeira fase, num lance errado da arbitragem (até tu, Romann?).
A entrada de Rodrigo foi fator fundamental à vitória coritibana, pois foi do pé direito dele que surgiu o lance do gol contra que deu a vitória para o Alviverde do Alto da Glória. A modificação de Lopes foi feliz, coincidência ou não.
A torcida ficou com um gosto de ”quero mais”, por um futebol mais plástico, mais bonito, mais empolgante. Não tem sido assim nos últimos jogos. Por enquanto, com o Clube líder disparada do grupo, o futebol ortodoxo e pragmático imposto pelo treinador do Cori vai dando certo, pois no final das contas é o vencedor quem conta a história. Que assim seja, até a final!
Boa sorte para Lopes, boa sorte para o Coritiba!
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)