
EDITORIAL
Tentei. Mas é muito difícil descrever a emoção que senti nesta final do Paranaense de 2004. Desde o início da semana, com o resultado magro do primeiro jogo, no qual o Coritiba poderia ter aplicado uma goleada, o nervosismo foi muito grande. Alguns jogadores contundidos eram motivo depreocupação. O árbitro da partida, segundo amigos que o conhecem, era torcedor do time da baixada. Tudo preocupava. Ainda mais sabendo que a venda de ingressos seria iniciada e eu, por motivos profissionais, não poderia estar na fila. Mas amigos pelos quais tenho grande admiração, que hoje me acompanham neste trabalho no site dos Coxan@utas, adquiriram minha entrada e me proporcionaram um dia perfeito.
Com ingresso na mão, saberia que eu iria sozinho ao estádio, pois falhei na tentativa de conseguir um ingresso para meu irmão. E, no domingo do jogo, logo após a grande chuva da hora do almoço, me desloquei para o estádio. Prevendo um dilúvio e sabendo que logo após o jogo eu teria compromisso comminha banda, me preparei com roupa extra, toalhas e plásticos no banco do carro.
E não deu outra. Choveu. Como choveu. Antes mesmo do jogo começar eu estava encharcado e tremendo de frio. Mas a torcida foi chegando e com a agitação ofrio foi passando.
O Coritiba entrou em campo. Na hora da foto do time campeão eu estava pedindo para que a energia da torcida pudesse levar a equipe ao título. E a torcida Império deu um show. Cantou, pulou, vibrou. Então Jucemar faz um golaço e os alviverdes presentes vão ao delírio - e no alto da glória, no majestoso Couto Pereira, havia milhares de torcedores do Coritiba assistindo à partida no telão, sob chuva também. Com certeza a vibração desses torcedores também foi sentida pelos jogadores. O resultado era perfeito.
Porém, em poucos minutos já estava tudo revertido. Eles estavam na frente. Ainda no primeiro tempo o Verdão empatou com um sem-pulo de Tuta. Mas, nos acréscimos, eles fizeram o terceiro. 3 a 2.
Segunda etapa. O Coxa precisando de um gol, que não saía. As torcidas nervosas, quietas. Quando começamos a puxar um grito "Co-o-o-o-xa!Co-o-o-o-xa!" E, fossem com palmas, fosse com a bateria da Império, que esteve perfeita neste jogo, fosse com assobios, o grito continuou. Continuou por cerca de 10, 15 minutos... e o Coritiba sentiu. Fez o gol de empate: 3x3. A vibração foi muito grande mas a vantagem era pequena. Então a torcidado Coxa mostrou por que é a mais vibrante do estado e continuou com o mesmo grito. Lembrava torcidas latinas. Comentei isso no jogo. Acho que a Libertadores fortaleceu demais o Coritiba e uniu muito os jogadores. "Co-o-o-o-xa! Co-o-o-o-xa!" Continuamos, em meio a algumas lágrimas que insistiam em descer com a proximidade do fim do jogo. Mas o coro alviverde continuou.
Continuou.
Inclusive um amigo meu (atleticano) comentou comigo depois do jogo que aquilo estava irritando os torcedores do atlético. Acho que isso aconteceu com os jogadores também. Em sua casa, a torcida deles estava sendo calada pelos torcedores alviverdes que eram minoria.
Mas já nos acréscimos, a torcida do Coritiba parou de gritar Coxa. Por um instante. Para poder gritar "Bi-campeão. Bi-campeão!!!" Estava muito próximo. Me calei quando saiu uma falta aos 51 minutos do segundo tempo, quase na meia-lua. Mas felizmente o erro naquela cobrança resultou na confirmação do título para o Coritiba.
A torcida mereceu. Os jogadores mereceram. A emoção foi muito grande. Desde que nasci, o Coritiba sempre vencia o Atlético em semi-finais e em outros jogos. Mas em finais, nas 3 oportunidades que teve, não venceu. Na maioria das vezes empatava e às vezes perdia. Então posso classificar esse AtleTiba como o mais emocionante da minha vida. Na verdade foi o JOGO mais emocionante da minha vida (em 85 eu tinha 4 anos apenas).
Administro o site dos Coxan@utas desde 97 e é a primeira vez que estou escrevendo um editorial. Não considero meus textos no nível dos nossos colunistas e editores, que a cada dia estão melhores. Portanto esta não é minha função no site. Não sei quando me manifestarei novamente, portanto seria injusto se eu não mencionasse algumas pessoas pelas quais tenho profunda admiração e são responsáveis pelo que estou sentindo hoje. Na verdade são muitas pessoas então não vou poder citar todas elas.
Agradeço minha família. Meu pai, Manoel Carneiro, que já foi conselheiro do Coritiba. A pessoa que me escolheu, junto com minha mãe, Joyce Kesselring, e me tornou Coxa-Branca. Ao meu avô, David Carneiro, que foi campeoníssimo pelo Coritiba em 1947, atuando de centroavante pelo amador. Também foi Conselheiro e foi um dos responsáveis pela compra do terreno que hoje é o CT da graciosa, o qual ele chama de Recanto Alviverde da Graciosa. Meu irmão Guilherme Carneiro, que me acompanhava nos jogos, ainda na segunda divisão, sempre na Império Alviverde, pulando e cantando.
Agradeço a equipe do site. Todos, sem exceção. Vou citar aqui 3 pessoas que estão aqui desde que os Coxan@utas tinham 50 visitas por dia e ninguém conhecia. Julio Malhadas Neto (o JMN), jornalista, que conheci ainda noprimeiro grau, estudou comigo por anos e sempre escreveu as notícias no site, ficando acordado até de madrugada após os jogos, preparando o site para o dia seguinte, quando tínhamos aula cedo. Julio Malhadas Júnior, ou apenas Malhadas, jornalista, primeiro colunista do site, que sempre deu força para que a gente levasse o trabalho adiante. E Rodrigo Schmidt, conhecido nas salas de bate papo do Coxa como Digo-pr. Responsável pela confecção da faixa dos Coxanautas. Da camisa dos Coxan@utas. Que hoje está na equipe que alimenta o site com notícias.
E aos demais da equipe que buscam notícias e as colocam no site. Que fazem viagens em jogos nacionais e internacionais, informando pelo telefone. Abnegados pelo Coritiba. Colaboradores voluntários. Eles merecem a mesma homenagem. Tenho medo de esquecer de algum deles aqui. Quem me conhece sabe que sou a pessoa mais esquecida do mundo. Então quero agradecer a todos.
E, finalmente, mas com a mesma importância, queria agradecer a você. Você que está lendo este texto comprido até o final. Você que está compartilhando este momento muito especial comigo. Você que visita o site, manda suas críticas, manda seus elogios. Você que sugere, opina. A você que torce para o Coritiba, o meu muito obrigado!
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)