
EDITORIAL
Marcos Tadeu Mafra foi sorteado para conduzir o AtleTiba. Na loteria da Federação, o outro árbitro indicado pela sua comissão era Evandro Rogério Roman.
Assim que foi anunciado o trio de arbitragem do jogo decisivo do Campeonato Paranaense, os Coxan@utas prontamente levantaram a ficha do árbitro, que apontava uma perigosa estatística: do segundo semestre 2003 para cá, em três jogos do A. Paranaense apitados por ele, o rubro-negro venceu as três. Em uma delas, contra o Paraná, no J. Américo, Mafra anulou um gol legítimo do tricolor no final do jogo.
Para piorar, Mafra havia prejudicado o time júnior do Coxa em jogo importante contra o Iraty, por 2x1. Depois de expulsar o atacante Laércio, no final da partida ainda houve um pênalti para o Verdão, não marcado: "Os jogadores do Coxa foram para cima do bandeira, que estava perto do lance. O auxiliar falou para os jogadores que ele, com a bandeira levantada e correndo para a linha de fundo, marcou o pênalti, mas o árbitro não. E ponto.". Assim noticiou o site dos Coxan@utas na época.
A diretoria do Coritiba também não dormiu no ponto e tratou de reclamar de todas as formas possíveis, alertando inclusive a CBF e Armando Marques: "Não queremos que ele ajude o Coxa. Só não nos atrapalhe", era o discurso de Domingos Moro, vice-presidente do Coritiba, repetido à exaustão durante a semana.
No clássico de ontem, Mafra pagou pela inexperiência. Mesmo mostrando 11 cartões amarelos (sete para o Coxa), ele não conseguiu se impor em campo, sendo alvo de reclamações acintosas a todo instante. Sua sorte foi que, diferentemente do que se viu no Couto Pereira, os jogadores se preocuparam mais em acertar a bola do que acertar os adversários.
Do ponto de vista técnico, em dois lances, ambos contra o Coritiba, Mafra colaborou com o rival e certamente iria se complicar caso o Coxa não ficasse com o título. No final do primeiro tempo, ele marcou uma falta de Luiz Mário que absolutamente não existiu. Na cobrança, Jádson levantou para Igor desviar e marcar o 3x2.
O pior estava por vir. No segundo tempo, aos 15 minutos, Luiz Mário fez um carnaval na zaga atleticana, passou por dois e entrou na área quando foi claramente derrubado. O árbitro, que estava perto e de frente para o lance, mandou o jogo seguir. Aristizábal e Luiz Mário foram ao desespero.
Apesar disso, há de se convir que se estivesse mesmo pré-disposto a prejudicar o Coritiba, Mafra teria feito muito mais, pois teve oportunidades para isso. Poderia, por exemplo, ter expulsado Aristizábal no primeiro tempo, por reclamação. E, no segundo, expulsado Luiz Mário por uma falta relativamente dura logo após sofrer o pênalti não marcado. Da mesma forma, se ele quisesse compensar o Coxa de alguma forma, teria expulsado o lateral-direito do rubro-negro, que deu pancada violenta o jogo todo, expulsado Ramalho que derrubou Aristizábal quando o colombiano partia em contra-ataque, com a bola dominada, de frente para o gol... e assim vai.
Se as pressões ajudaram ou atrapalharam o seu trabalho, se o fizeram pensar duas vezes antes de tomar certas atitudes, realmente não se sabe.
Mas entendemos que os Coxan@utas fizeram a sua parte, alertando os torcedores com fatos concretos, amparados por notícias publicadas em jornais íntegros e de respeito - e não suposições. A idéia era sim pressionar o árbitro, mas no bom sentido: seja honesto e tente fazer o melhor trabalho possível, pois todos estão de olho em você.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)