
EDITORIAL
O Coritiba iniciou o ano de 2006 com um objetivo bem claro: montar um bom time para retornar à série A do Campeonato Brasileiro em 2007. Muitas promessas foram feitas, desde o término do Brasileirão 2005 até o início do Paranaense 2006.
Hoje, passadas cinco rodadas do Campeonato Paranaense, os resultados obtidos preocupam e entristecem a torcida. Com uma vitória, duas derrotas e dois empates, contra equipes de baixo nível técnico, pode-se concluir que os problemas de 2005 ainda se repetem no Coritiba 2006.
Neste cenário, parte da imprensa esportiva paranaense e da torcida iniciam um processo de “caça às bruxas” no Alto da Glória. Alguns já apontam o treinador Márcio Araújo como responsável pelos insucessos. De outro lado, existem os que apontam as contratações e o comando do Departamento de Futebol como os responsáveis pelos fracassos. Mais do que apontar culpados, é preciso lembrar que o futebol é terreno repleto de paixões e interesses, controvérsias e incertezas. Espaço onde se cruzam necessidades de atletas, dirigentes, treinadores, empresários, clubes, cronistas e, cada vez mais, uma série de profissionais de diferentes áreas. Por isso, é preciso ser cuidadoso nesta análise.
Para encontrar as soluções necessárias, é fundamental que todo o contexto seja analisado cuidadosamente, para que se possa delinear com precisão a maior parte dos problemas existentes. Não há como chegar a uma avaliação precisa sem que se tenha conhecimento do cotidiano do clube. Hoje, porém, sem a transmissão dos jogos pela TV, é muito difícil avaliar com precisão o rendimento dos atletas e do treinador. A grande maioria da torcida não pôde assistir integralmente a todos os jogos. Em geral, o que se vê são alguns lances em programas esportivos. Sem acompanhar o jogo in loco, é muito injusto e perigoso apontar um culpado nestas circunstâncias.
Com os insucessos do Coritiba neste inicio de Campeonato, já se faz necessário que Hidalgo, Zanchi, Frega e Araújo venham a público prestar contas do seu trabalho. E mais do que isto, informar sobre as premissas do planejamento do futebol Coxa-Branca nesta temporada. Qualquer torcedor atento percebe que há uma série de controvérsias no Coritiba 2006. Há uma série de questões que precisam ser respondidas para que se possa entender o que se passa no futebol do Alviverde do Alto da Glória.
Uma das questões a ser respondida, por exemplo, é: por que vários dos jogadores recém contratados, como Júlio Madureira e Marcelinho, não estão sendo relacionados nem sequer para o banco? Ou então, por que, em um time que dispõe de vários jogadores de meio-campo, como Iverton, Mancha, Jackson, Batata, Humberto, Jean Carlo, Renan, Pedro Ken, Diogo, Júlio Madureira, opta-se pela improvisação de um ala Julinho jogando no meio de campo, como meia-esquerda?
Com relação à zaga, se o clube dispõe em seu elenco de Anderson, Índio, Vagner, Douglão, todos zagueiros. Por que se optou por improvisar um volante, o Rodrigo Mancha, (em que pese o fato de já ter treinado e atuado nesta posição nas Categorias de Base, mas numa zaga com outros jogadores de características de maior velocidade)? Se a opção é jogar no esquema 3-5-2, não seria mais lógico fazê-lo com três zagueiros de ofício, liberando-se os dois alas? E aí, porque manter Ricardinho na posição e tirar dela Julinho?
Nenhuma destas perguntas cita o nome qualquer membro da Comissão Técnica ou do Departamento de Futebol. As perguntas poderiam ser dirigidas ou respondidas por qualquer um dos responsáveis pelo futebol do Coritiba. O intuito é de levantar algumas dúvidas da torcida, e não de apontar esse ou aquele como culpado. Trata-se apenas de uma busca de informações para que se possa entender o que está acontecendo. E a partir disto, colaborar com o Clube de coração, alertando sobre erros, visando corrigi-los, para que em dezembro deste ano, todos os verdadeiros Coxas-Brancas de coração, fiquem felizes com a volta do Coritiba à Série A em 2007.
Atualmente, somente se tem visto os responsáveis pelo Departamento de Futebol vir a público ou para dizer que estão tentando novas contratações, ou para pedir que a torcida tenha paciência. Nada de explicações sérias ou realistas sobre estes insucessos. Márcio Araújo não tem sido diferente. Suas justificativas continuam as mesmas dos outros treinadores que por aqui passaram em 2005. Continua tudo muito parecido com o que se viu em 2005. É preciso mudar!
Com as respostas destas perguntas, poderá se concluir que o problema não seja só o treinador ou só do Departamento de Futebol, mas que o problema seja o conjunto deles. Talvez, vá além disto: a necessidade de uma profunda análise institucional e cultural do Coritiba Foot Ball Club, em todas as suas esferas internas, seus Conselhos, seu Estatuto. Se isso acontecer, se forem identificados problemas, sendo apenas um ou vários, terão que ser resolvidos. Não se pode mais aceitar que continue esta degradação acelerada que vem sofrendo o futebol do Coritiba.
O primeiro turno do Campeonato Paranaense só tem mais dois jogos. Até quando o torcedor terá paciência? Há promessas de novas contratações para o Campeonato Brasileiro, que chegarão até abril. É um alto risco, um risco calculado? E isto não serve de modelo para os interesses da torcida do Coritiba?
É evidente que as dificuldades financeiras impostas pela queda ano passado refletem na formação do elenco. Assim como o impasse nas eleições. Mas agora, quando o time pisa em campo, isto tudo deixa de existir na cabeça e no coração de milhares e milhares de torcedores. Não se explica emoção com razão. Torcedor é emoção pura. O alto custo da queda tem que ser assimilado pela Diretoria do Clube. Faz parte, está no preço, é o ônus do cargo.
Uma sugestão seria o comando do Departamento de Futebol juntamente com a comissão técnica receberem a imprensa em uma entrevista coletiva, na qual estes assuntos poderiam ser amplamente abordados e a própria imprensa passaria a ter uma visão melhor e dar um enfoque mais produtivo ao atual momento, assim como a torcida poderia passar a entender melhor a situação.
A impressão que a maior parte dos torcedores passa é a de que o limite da paciência se esgotou ano passado. Mais do que culpados, ou inocentes, justificativas, teorias ou hipóteses, o que o torcedor Coxa-Branca quer mesmo é ver seu time vencendo. O torcedor Coxa-Branca quer poder levar sua família no Couto Pereira (que recebeu muitas melhorias e hoje é um estádio da família Coxa) para ver um bom time jogar e vencer. Um time com identidade, com jeito “Coxa” de ser.
A torcida espera por respostas e por soluções e só as vitórias levam-nos a este caminho. O discurso que o povo da arquibancada quer ouvir é um só: GOOLLLLLLL COXAAAAAAA!!!. Esta é a única verdade para a torcida.
Equipe Coxan@utas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)