
PARCERIA
O Coritiba acertou um novo contrato com a empresa de telefonia celular Claro, que continuará patrocinando a camisa do Clube por mais um ano. Um novo contrato vinha sendo discutido entre as partes há mais de dois meses e acabou sendo assinado durante este mês. Pelo novo contrato, o Clube terá uma remuneração superior em 50% da tida durante 2004 para estampar a logomarca da patrocinadora em sua camisa.
O Coritiba priorizou um acerto com Claro mantendo o perfil de negociações que o Clube tem em prestigiar seus parceiros e o acordo agradou ambas as partes. A empresa de telefonia, que tinha um contrato específico para os Campeonatos Paranaense e Brasileiros desta temporada, no qual também o Paraná Clube e o A. Paranaense participaram, agora terá um contrato novo, com novas condições para ambas as partes.
Neste novo contrato, além de novos valores, o Coxa abrirá mão de um apelo sentimental que atinge parte dos torcedores do Verdão e colocará a logomarca na cor vermelha na camisa de modelo nº 2, mais utilizada em jogos fora do Alto da Glória. As camisas dos modelos nº 1 e 3 continuarão tendo a logomarca da Claro na cor preta.
O pedido da empresa em ter a cor vermelha em uma das camisas do Verdão se deve ao fato da referida cor ser a cor oficial da empresa. Curiosamente, diversas empresas não abrem mão e não permitem a alteração de cores de suas logomarcas como fez a Claro, já que os publicitários que cuidam da conta da empresa têm conhecimento desta característica da torcida do Alviverde.
Antes de assinar com seu primeiro contrato com a Claro, no início deste ano, a Coordenação de Comunicação do Coritiba iniciou negociações com um grande banco visando o patrocínio na camisa do Verdão, mas impossibilidade de alterar a cor da logo desta empresa (vermelho) inviabilizou as negociações.
Para o Secretário Executivo do Clube, Luiz Henrique Barbosa Jorge, este novo contrato do Clube atende os interesses do Alviverde: "A negociação foi boa para ambas às partes, o Clube saiu ganhando, pois tem um valor bem superior para 2005, um dinheiro importante no orçamento do Coritiba. A Claro, por sua vez, pediu apenas para ter a sua logo em vermelho numa das camisas. Fico compactuado de usarmos o logo vermelho no uniforme nº 2, mais utilizado nos jogos fora de Curitiba. O consenso foi importante para o bom relacionamento comercial entre Coxa e Claro", destacou o dirigente coritibano para os Coxan@utas.
Motivados por uma notícia divulgada no site dos Coxanautas no dia 20, quando o internauta Rafael Dumke teve sua reclamação quanto a veiculação de uma propaganda da empresa de telefonia sobre a conquista do Vice-Campeonato do A. Paranaense, outros torcedores do Coritiba mandaram mensagens para o Coritiba.
Entre estas correspondências, o Presidente Giovani Gionédis respondeu ao torcedor Adriano: "A CLARO como patrocinadora dos clubes individualmente deve aproveitar o momento para fazer sua propaganda.
Acontece que quando fomos bicampeões a Claro não era patrocinadora individual, mas sim de todo o Campeonato (NE.: Campeonato Paranaense 2004).
Somente após o início do Brasileiro é que foi feito contrato de patrocínio da camisa. Neste contrato havia a permissão em caso de conquista, campeão e vice.
Com certeza se o Coritiba fosse o vice também fariam. Tenha certeza que se formos tri campeões farão isso" destacou o dirigente do Coxa, explicando as condições contratuais previstas no acordo entre os clubes paranaenses e a operadora de telefonia.
Polêmicas vs. Profissionalismo
Alguns pontos da cultura do futebol brasileiros vêm mudando. O atual campeão brasileiro não permitia até alguns anos atrás, que os patrocinadores de sua camisa tivessem logos de cores diferentes do preto.
Estas decisões inviabilizaram diversas tentativas de contratos de patrocínio com o alvinegro paulista, uma vez que a cor preta nem sempre permite o destaque visual desejado pelos patrocinadores quando dos jogos televisionados. Desta forma, após várias negociações internas, o time paulista resolveu alterar seu estatuto e agora permite que logomarcas em outras cores e assim ampliou suas receitas.
A cultura competitiva entre torcedores da dupla GreNal é utilizada por muitos torcedores de outros times quando o assunto é as cores dos patrocínios nas camisas. Lá no Rio Grande, o governo estadual interviu, auxiliando os dois clubes de Porto Alegre a conseguir parceiros para suas camisas.
Como além da rivalidade, o tamanho das duas torcidas é bem superior ao tamanho das torcidas da dupla AtleTiba, a utilização de patrocínios na cor vermelha na camisa do time do Grêmio é algo inimaginável nos tempos atuais.
No futebol paranaense, esta situação é potencializada quando o assunto é o Coritiba, uma vez que o vermelho é uma cor que desagrada muitos torcedores do Clube; já outros entendem que o importante é que o Coxa consiga mais receitas para seu orçamento, pois isto reflete diretamente em melhores condições para o Clube formar times melhores. De certo é que o assunto é polêmico.
O próprio Coritiba chamou a atenção de sua torcida Alviverde em 1993, ao lançar o uniforme modelo nº 3 com duas faixas amarelas, uma homenagem ao título de Campeão Brasileiro de 1985.
Já no Corinthians, time alvinegro, que chegou a estampar em sua camisa as cores tricolores da Pepsi (vermelho, branco e azul). A resistência da segunda maior torcida do país não parece ter sido muito notada.
O Fluminense, dono de uma das maiores torcidas do país inovou ao lançar uma camisa na cor laranja, numa referência a sede do clube, que é situada no bairro das Laranjeiras, no Rio de Janeiro. A camisa foi o maior sucesso de venda do tricolor em muitos anos, fruto do consumo do público mais jovem, que aceitou a idéia. Por outro lado, torcedores de mais idade tiveram muita resistência à idéia.
Observa-se que as diferenças culturais e históricas entre as torcidas dos clubes de futebol interfere mais ou menos na gestão dos clubes brasileiros, mas a tendência de profissionalismo aos poucos ganha espaço, fazendo com que antigos costumes sejam gradativamente revistos.
Ainda há milhões de anos luz do futebol mundial, quando o assunto é poder de sua marca, os clubes brasileiros procuram intensificar seus esforços para ampliar suas receitas, num planejamento estratégico onde o torcedor passa a ser um consumidor dos produtos do clube.
Trata-se de um tema muito complexo, mas que vem chamando a atenção de investidores internacionais que aos poucos vem procurando no Brasil e na Argentina novos parceiros comerciais para o segmento de divertimento e lazer. Ano a ano alguns mitos das arquibancadas vêm perdendo força, sendo desmistificados.
E o futuro, ainda incerto para o cenário brasileiro, devido à má-gestão nos maiores clubes do país, deixa a tendência de buscar o equilíbrio: respeitar o interesse do torcedor-consumidor dentro de um formato moderno e mercantil do mundo dos negócios.
Pelo Mundo
O Reino Unido também tem suas curiosidades. Na Escócia, dois grandes clubes disputam as fatias de mercado (Celtic, 18º mais rico do planeta, e Glasgow Rangers), investem pesado em seus torcedores/consumidores. Investiram em seus estádios, trouxeram jogadores de outros países, buscaram fortalecer sua imagem com boas participações em torneios internacionais pela Comunidade Européia.
Na Inglaterra, os torcedores de alguns times também vivem sobre este estigma. Torcedores do Manchester United tiveram que realizar uma grande mobilização há alguns anos, quando os marqueteiros do clube inglês pensaram em mudar a cor do uniforme do time, deixando de lado o vermelho.
Entretanto, na Inglaterra, a alteração de cores tradicionais (e até de horários de jogos televisionados) deixou de ser um fato isolado após a profissionalização acentuada pela qual passou o futebol inglês nos anos 90, que hoje tem no Manchester United, Chelsea (comprado por um mega-bilionário russo, o que fez com que a torcida mudasse seus costumes, deixando de lado as canções xenofóbicas), Liverpol, Arsenal e Newcastle entre os 10 mais ricos times do mundo (e sete entre os vinte mais ricos) (¹).
O Manchester tornou-se sinônimo de visão de negócios para o mundo da bola: seus jogos rendem $ 101 milhões de euros em bilheteria. Seu estádio foi totalmente reformulado, favorecendo a venda de bebidas, alimentos, souvenires e também o adequando à rígida legislação inglesa, que reviu conceitos, desagradando torcedores e clubes, relutantes às mudanças que tornaram-nas obrigatórias.
Daí surgiu uma nova fase para o futebol britânico: mais que atender a lei, buscou-se novos mercados para ampliar suas receitas. Segurança e conforto tornaram-se pilares para novos negócios. Na prática, juntou-se a fome com a vontade de comer.
Alguns times ingleses captaram receitas junto aos torcedores (como foi o caso do Arsenal, que lançou debêntures para seus torcedores), visando adequar seus estádios aos padrões de segurança e também aos padrões comerciais, possibilitando maior receitas de bilheterias.
Melhores condições de conforto e segurança fizeram com que outros tipos de torcedores (mais abastados) começassem a freqüentar os jogos, consumir produtos e serviços ofertados pelos clubes. O futebol deixava de ser um evento para torcedores fiéis, que acompanhavam seus times ano após ano, independente da situação do seu time na tabela, do clima, das condições dos estádios e do local do jogo, para ser um para o lazer e entreterimento dos mais ricos.
Iniciava uma nova fase para o futebol inglês, assolado pelo holliganismo (²) e pelas tragédias da década de 80 (³), que se transformaria numa nova fonte de centenas de milhões de libras esterlinas.
Este processo de reformulação de conceitos, algo similar ao Estatuto do Torcedor iniciou após mais uma tragédia envolvendo times ingleses, ocorrida em 1989, no Estádio de Hillsborough, em Sheffield, Inglaterra, numa disputa entre Liverpool x Nottingham Forest.
Nesta partida, 96 torcedores do Liverpool morreram pisoteados e mais de 300 ficaram feridos devido à superlotação no estádio e ao erro da polícia em abrir os portões para torcedores sem ingressos. A multidão acabou pisoteando outros espectadores.
Como os ingleses já tinham passado por outras duas tragédias, em 1985, esta nova tragédia foi à gota d’água para a intervenção do governo inglês, que mudou a legislação, forçando os clubes a investirem em segurança para os torcedores.
Vinte anos depois, o futebol inglês deu mostras de avanço, apesar de depender muito da receita da TV. E mesmo fortalecidos economicamente, alguns times da Inglaterra também passam por crises financeiras. Apesar de estar na relação dos maiores clubes do mundo, os ingleses também tem seus problemas.
O Leeds (16º), passa por um desequilíbrio financeiro, no qual suas receitas são inferiores às despesas operacionais para manter uma equipe competitiva.
Por outro lado, na Itália, um dos times da primeira divisão chegou a utilizar uniformes diferentes sempre que jogava fora de seus domínios. A estratégia era usar uma camisa com as cores similares aos rivais do time que estava sendo enfrentado. Os italianos têm cinco entre os vinte mais ricos times do planeta.
O Barcelona, 13º mais rico do planeta, dono de um dos mais tradicionais times do mundo, não usa patrocínio em suas camisas (o clube catalão tem mais de 115 mil sócios, o que lhe garante um grande aporte financeiro em seus cofres), anos atrás lançou uma camisa comemorativa com tons na cor cinza.
A força das torcidas fez com que na Argentina, Boca Juniores e River Plate (donos das duas maiores torcidas do país vizinho) tivessem o mesmo patrocinador. Há alguns anos, a Parmalat resolveu patrocinar o time do Boca, dono da maior torcida local.
Os torcedores do River (segunda maior torcida na Argentina) simplesmente deixaram de comprar produtos da empresa e iniciaram um processo de reivindicação de que a multinacional italiana, na época uma das maiores do mundo no setor, também patrocinasse o seu clube. A iniciativa deu certo e ambos tiveram suas camisas patrocinadas.
(¹)
Relação dos 20 mais ricos clubes do mundo
Rendimento anual (em milhões de Euros)
1º Manchester United (ING) - 251,4 milhões
2º Juventus (ITA) - 218,3
3º AC Milan (ITA) - 200,2
4º Real Madrid (ESP) - 192,6
5º Bayern Munique (ALE) - 162,7
6º Internazionale Milão (ITA) - 162,4
7º Arsenal (ING) - 149,6
8º Liverpool (ING) - 149,4
9º Newcastle United (ING) - 138,9
10 Chelsea (ING) - 133,8
11 Roma (ITA) - 132,4
12 Borussia Dortmund (ALE) - 124,0
13 Barcelona (ESP) - 123,4
14 Schalke 04 (ALE) - 118,6
15 Tottenham Hotspur (ING) - 95,6
16 Leeds United (ING) - 92,0
17 Lazio (ITA) - 88,9
18 Celtic (ESC)- 87,0
19 Olympique Lyon (FRA) - 84,3
20 Valencia (ESP) - 80,5
Fonte: Deloitte & Touche LLP
(²)
A década de 80 foi considerada por muitos especialistas como a década negra do futebol inglês em relação aos hooligans. As torcidas InterCity Firm (ICF) do West Ham, Service Crew do Leeds, Gooners do Arsenal, Bushwhackers e F-Troop do Millwall, Baby Squad do Leicester, Nutty Crew do Liverpool, South Midland Hit Squad do Oxford United, Cambridge Casuals do Cambridge United e a Headhunters do Chelsea eram denominadas como superhooligans’ gangs pelas autoridades policiais do Reino Unido.
Algumas com ligações com a extrema direita e ao neo-nazismo, cujos integrantes skinheads assolaram os estádios ingleses e europeus, especialmente no período de 1961 a 1986, num intrincado processo também sócio-econômico, ligado à adolescência e jovens ingleses e ao futebol, as autoridades policiais iniciaram um processo de identificação e punição, inclusive com a prática do rito sumário: se um torcedor fosse preso promovendo desordem num estádio de futebol ele era imediatamente preso, sem a necessidade de julgamento.
Devido ao futebol inglês ter muitas divisões, os jogos envolvendo times de divisões diferentes e a facilidade de deslocamento dos torcedores (em geral, em trens com condições precárias), as diferenças culturais entre as torcidas dos principais times, obrigou a polícia inglesa a investir em conhecimento para compreender as ações destas organizações.
Diferentes origens cabiam à violência dos hooligans, além de alguns segmentos ligados à extrema direita influenciados pelo neo-nazismo: excesso de álcool; torcedores, em geral de 20 a 30 anos, com pouco cérebro e muitos músculos, mais preocupados em dissiminar o ódio puro pelos adversários ou sua superioridade; uma juventude com poucas perspectivas, devido ao desemprego, que via no futebol uma válvula de escape para sua macheza; e sujeitos brigões que ficavam influenciados pela ótica da violência pela violência que um grupo de pessoas lhes causava.
Durante a década de 90 os confrontos entre torcedores deixou de ser localizado na Inglaterra, que já havia diminuído drasticamente os índices de violência no limite das suas fronteiras, passando a ter novos incidentes especialmente na Alemanha e Holanda, quando das competições interclubes ou interseleções.
A violência que ganhou novos limites, transpondo fronteiras também foi facilitada pela falta de conhecimento das outras polícias européias contra a xenofobia, o nacionalismo extremista e o neo-nazismo travestido na forma de hooliganismo, que se infiltrou entre torcedores, muitos dos quais consumidores costumazes de grandes doses de bebidas alcóolicas.
A troca de informações entre as polícias européias conseguiu repercutir na redução no número de incidentes violentos antes, durante e depois de jogos de futebol.
Para os grandes clubes europeus, que ainda são assolados por segmentos de torcedores violentos ou racistas, como recentemente ocorreu com torcedores do Real Madrid (o clube espanhol foi multado em $ 9.780 euros pelo comportamento racista da sua torcida) causa um problema econômico para os grandes clubes italianos e espanhóis, especialmente, que são multados pelas confederações de seus países.
Na Alemanha, jogadores negros continuam sendo insultados por alguns torcedores durante os jogos do Campeonato Alemão.
Algumas torcidas do Barcelona (Boixos Nois), Real Madrid (Ultrasu), Lazio (Irriducibili) e Roma (AR Roma Ultras) tem posturas agressivas dos seus torcedores dentro e fora dos estádios. Nestas torcidas, existe um envolvimento político enraizado às suas organizações e uma "disputa por superioridadade". Gesticulações, faixas e músicas cantadas pelos torcedores incitam a segregação racial; fora dos estádios, brigas entre torcidas adversárias ocorrem com certa freqüência.
(³)
Em 1985, na cidade de Bradford (Bradford x Lincoln City), um incêndio numa arquibancada de madeira causou 56 mortes; três semanas depois, no Estádio de Heysel,na cidade de Bruxelas, na Bélgica.
1989. Decisão da Copa dos Campeões da Europa, entre os times do Juventus e Liverpool. Os torcedores ingleses mantiveram o costume de correr em direção à torcida adversária logo que entraram no estádio, gritando suas canções contra os adversários, mais para intimidar do que propriamente para iniciar um confronto físico. Uma prática habitual (apesar de imbecil) nos estádios ingleses, mas que era desconhecida pelos italianos.
Como os policiais belgas não tinham o conhecimento sobre este costume dos torcedores ingleses, em geral adolescentes e jovens operários, o despreparo virou tragédia: os torcedores do Juventus, na sua maioria homens e mulheres de mais idade, se assustaram e correram, iniciando um tumulto que acabou em pessoas prensadas e esmagadas contra os muros, causando 39 mortes.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)