
EDITORIAL
Numa partida de muita marcação e dedicação de ambas as equipes, o Coritiba empatou em 1x1 com o Iraty e chegou a mais uma final de um Campeonato Paranaense de futebol: até hoje o Coritiba tem 32 títulos e 18 Vice-Campeonatos (NE: considerando os campeonatos que tiveram uma final efetivamente, o Cori chegou lá em 30 oportunidades, conquistando até aqui 20 títulos e 10 Vices. Em 2005 será a 31ª vez que o Coritiba chega à grande finalíssima).
Num campo bastante pesado devido à chuva torrencial que caiu em Curitiba pela manhã e por uma garoa que iniciou antes da partida, o pesado e irregular gramado do estádio da Federação dificultou as ações técnicas de ambas as equipes. O time de Irati demonstrou um melhor preparo tático para a partida, dificultando bastante as coisas para o Alviverde, que marcou primeiro, com Flávio, e acabou sofrendo o gol de empate no último minuto do primeiro tempo, numa cobrança de falta onde a bola passou entre a barreira do Verdão. Com o resultado deste domingo, o Cori fará a decisão contra o A. Paranaense em dois jogos, o primeiro no Pinheirão, neste final de semana, e o segundo, na Baixada, no domingo subseqüente, dia 17.
Sem poder contar com Capixaba, um dos principais articuladores do seu meio de campo (o meia não jogou por estar suspenso pelo terceiro cartão amarelo), o Coritiba procurava iniciar o seu jogo ofensivo com Marquinhos e Jackson. Novamente muito marcado, Marquinhos não teve o desempenho esperado. No ataque, Marciano pouco aparecia no início do jogo, o que fez com que os laterais Rafinha e Rubens Jr insistissem pelas jogadas laterais do pesado gramado do Pinheirão.
A primeira boa oportunidade de gol ficou pelo lado do Iraty, quando, num cruzamento, Fernando defendeu bem o cabeceio de Renaldo, aos 14 minutos da etapa inicial.
A resposta Coxa veio na medida, logo no lance seguinte. Num escanteio pela direita, Rubens Jr cruzou, Nascimento tocou de cabeça e o zagueiro Flávio aproveitou a sobra para cabecear a bola para o fundo das redes do goleiro do Iraty: Coxa 1x0, para explosão da torcida alviverde.
Empurrado pela massa coritibana, que incentivou o time durante todo o jogo, os jogadores do Verdão procuravam ampliar o marcador, mas a zaga do Iraty interceptava a maior parte das jogadas de frente do Cori.
Ajudado pelo tradicionalista esquema tático de Lopes, que optou por um 3x5x2 com três zagueiros (Miranda pela direita, Flávio na sobra, Nascimento pela esquerda) e com um volante tipicamente marcador (Egídio), para marcar a jogada aérea, a principal força ofensiva do Iraty, a equipe do interior teve seu trabalho defensivo favorecido.
Se por um lado a zaga Coxa-Branca anulava a jogada aérea do Iraty, lá na frente o ataque do Cori não tinha a dinâmica de jogo necessária para ampliar o marcador. Muita troca de passes curtos na intermediária e pouca velocidade na saída de bola pelos lados do campo, faziam do jogo um espetáculo de força e resistência no meio de campo. Tanto que só aos 21 minutos o Cori voltou a importunar a zaga do adversário, quando o atacante Marciano entrou em velocidade pela grande área e chutou forte, com a bola passando próxima à trave.
Bem marcados no ataque, Nunes e Marciano pouco apareceram durante a primeira etapa. Aos 34 minutos, Rafinha, em jogada individual, entra na grande área e chuta forte, para ótima defesa do goleiro Emerson.
Nos últimos cinco minutos da primeira etapa, o Iraty impôs um ritmo ofensivo mais forte. Num lance muito discutido dentro do estádio (pela TV ficou confirmado que a marcação do árbitro estava errada), o árbitro Evandro Rogério Romann marcou pênalti contra o Cori, depois que Rafinha corta a bola e, na continuação do lance, toca na perna do jogador do Irati.
Eram 42 minutos da primeira etapa, e Tiago bateu a penalidade, com Fernando pulando no canto esquerdo e espalmando a bola, evitando o gol do Irati e defendendo mais uma penalidade nesta temporada.
Aos 46 minutos, o Iraty alcançaria o empate, em outra jogada de bola parada, equivocadamente assinalada como falta. No bico da grande área, pelo lado esquerdo, o lateral direito Renaldo chuta forte e a bola passa entre a barreira Coxa, enganando Fernando. A defesa do Cori reclamou um puxão de um jogador do Iraty em Egídio, que fazia a base da barreira, mas a arbitragem nada marcou, validando o gol do time adversário: 1x1, resultado final da primeira etapa.
No segundo tempo, o jogo teve um maior volume de jogo, com ambas as equipes procurando mais o ataque. Em outro lance discutível, o árbitro marca impedimento do ataque do Iraty, anulando o lance, a dois minutos da etapa final.
Num lance pela ponta esquerda, o time do interior voltou a assustar o Coritiba, com um cruzamento de média distância que acabou acertando o travessão da meta de Fernando, quando eram passados 5 minutos do segundo tempo.
Com uma boa troca de passes, o time do Iraty apertava o cerco, mas abusava das faltas, até que, aos 22 minutos, numa falta grave contra Rafinha, Nilson recebeu o segundo cartão amarelo e acabou expulso da partida.
A expulsão no Iraty não mudou a dinâmica de jogo do Cori, já que Lopes optou por manter os três zagueiros e o volante de marcação, tirando Marquinhos e Marciano do jogo, para as entradas de Luiz Carlos e de Rodrigo.
Com Rodrigo e Luiz Carlos, o Coritiba melhorou ofensivamente, sendo que Luiz Carlos conquistou quatro escanteios em poucos minutos. Rodrigo teve um ótima oportunidade, aos 30 minutos, quando a bola sobrou para ele, que de fora da área chutou forte, cruzado e à meia altura, com a bola passando rente a trave direita do gol do Iraty. Pouco depois foi a vez do atacante Nunes tentar o gol, chutando forte, mas a bola também passou perto do travessão da meta do Iraty.
O ritmo forte, com muitas jogadas ríspidas de ambos os lados, fizeram o árbitro da partida expulsar mais três atletas, sendo dois do Coritiba, Flávio e Vital. Ambos já haviam levado um cartão amarelo e cometeram faltas, recebendo o segundo cartão e acabando expulsos da partida. Vital, por um lance no meio de campo, pelo lado esquerdo (ele havia entrado no jogo substituindo a Rubens Jr, cansado). Já o zagueiro Flávio cometeu uma falta em frente à grande área e também foi expulso, desfalcando o Cori na primeira partida da grande final. Pelo lado do adversário, Romann expulsou o meia Élton, que fez falta grave em Rafinha.
Com quatro jogadores a menos na partida, o ritmo do jogo diminuiu em qualidade técnica, passando a ser uma partida caracterizada mais pela valentia e pela garra do que pela disposição tática de ambas as equipes.
Descaracterizados, os times buscaram em jogadas individuais a ampliação do placar, mas a partida encerrou mesmo no 1x1, resultado que deixou o Coritiba a dois jogos do Tricampeonato Paranaense de futebol, justamente contra o mais tradicional adversário, o A. Paranaense. Serão dois jogos para - enfim! - movimentar a cidade.
NE: muitos dos Campeonatos Paranaenses foram disputados no sistema de pontos corridos. Confira as finais envolvendo o Coritiba:
1916 - Campeão
1931 - Campeão
1933 - Campeão
1935 - Campeão
1939 - Campeão
1941 - Campeão
1942 - Campeão
1943 - Vice-Campeão
1945 - Vice-Campeão
1954 - Campeão
1956 - Campeão
1957 - Campeão
1959 - Campeão
1960 - Campeão
1962 - Vice-Campeão
1968 - Campeão
1972 - Campeão
1977 - Vice-Campeão
1978 - Campeão
1983 - Vice-Campeão
1986 - Campeão
1989 - Campeão
1990 - Vice-Campeão
1995 - Vice-Campeão
1996 - Vice-Campeão
1998 - Vice-Campeão
1999 - Campeão
2000 - Vice-Campeão
2003 - Campeão
2004 - Campeão
2005 - ?
Foto: Arquivo Coxan@utas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)