
EDITORIAL
Coritiba e São Caetano tem duas das melhores defesas do Campeonato Brasileiro 2004. Como não poderia deixar de ser, um jogo com muita marcação e poucos gols. O time da casa acabou vencendo o Coxa por 1x0, numa jogada de bola parada, mais uma vez fatídica com o time do Alto da Glória. Com a derrota, o Coxa volta às atenções exclusivamente para a recuperação contra o Grêmio de Porto Alegre, terça-feira à noite no Estádio Couto Pereira.
Primeiro tempo
Times de forte marcação, tanto Coritiba como São Caetano iniciaram a partida desta tarde de sábado no ABCD paulista mais preocupados em não deixar o adversário jogar do que propriamente tomar as iniciativas de ataque, apesar de Tuta logo aos seis minutos de jogo cabecear bem para a defesa do goleiro do time paulista numa jogada originada nos pés de Ricardinho.
Aos 9 minutos de jogo, o time paulista chega a arriscar o gol, com o lateral Ânderson Lima cobrando uma falta. Aos dezesseis, Marcinho cobra nova falta, deste vez com a bola passando próximo do travessão do goleiro Fernando.
O São Caetano chegou ao único gol da partida numa cobrança de bola parada, uma das fortes características de bom aproveitamento do time paulista e mau aproveitamento do time Coxa. O lateral direito do time paulista cobra uma falta, a bola vai à área e o goleiro Fernando espalma a bola. No rebote, o atacante Fabrício Carvalho chuta e a bola acaba por bater em Tuta e entrar no gol Coxa. O árbitro da partida anota o gol para o atacante Fabrício Carvalho.
Inferiorizado no placar, o Coxa pôs pressão no time da casa, fazendo o time da casa recuar. Acuado na defesa, o time paulista sofreu grande pressão em dois perigosos contra-ataques: aos 26 minutos, Alemão fintou Thiago e Serginho e chutou forte para defesa de Silvio. Quatro minutos depois, o meia esquerda Ricardinho chutou forte mas a bola foi defendida pelo goleiro do Azulão.
Etapa final
No segundo tempo o técnico do São Caetano, Péricles Chamusca, trocou o atacante Warley pelo ala direito Ceará e adiantando o meio campista Marcinho.
Aos cinco minutos do segundo tempo Fabrício Carvalho recebeu de Marcinho e chutou rente à trave do gol defendido por Fernando.
O Coritiba procurava o empate na partida e voltou com maior presença no ataque. Lopes trocou Ricardinho por André Nunes, que aos 15 minutos iniciou um ataque pela esquerda e cruzou para área mas Vagner, Tuta e Miranda não alcançaram a bola.
Aos 27 minutos Ataliba recebeu a bola na entrada da área e chutou forte, mas sem direção. Aos 29, André Nunes recebeu
um bom lançamento mas errou na hora de concluir ao gol.
Durante o segundo tempo, treinador Coxa ainda trocou Rafinha por Jucemar e Alemão por Laércio, duas substituições técnicas que não surtiram grande efeito tático na prática.
A partida continuava com mais ataques do Coxa, mas sem sucesso na finalização. Na defesa, o time do São Caetano procurava parar os ataques do Alviverde com uma postura de forte marcação com os três zagueiros e o meio campista Mineiro.
No final da partida, em amplo domínio Coxa, André Nunes (aos 40) que chuta para fora, Adriano (aos 42), que chuta mas a zaga corta, e Tuta, que por duas vezes teve boa chance de marcar, aos 45, furando na hora de finalizar, e aos 47, chutando para boa defesa do goleiro Silvio Luiz, que evitou o gol de empate do Coritiba.
Avaliação
Novamente uma derrota oriunda em uma jogada de bola parada
Encerrada a partida, nota-se novamente um Coritiba perdendo pontos em jogadas de bola parada, uma constância neste Brasileirão.
Jogando com dois zagueiros o Coxa tem ao mesmo tempo uma zaga muito bem postada nas jogadas de bola em movimento - tanto que até esta rodada tinha a 4ª melhor zaga da competição - mas com falhas de posicionamento nas jogadas de bola parada.
As perdas de Nascimento, em fase de recuperação de uma grave cirurgia, de Alexandre, também contundido e Flávio, suspenso deste jogo em São Caetano, foram nitidamente notadas no desempenho defensivo do Coritiba que vem sendo aproveitadas pelos adversários do Coxa.
Entretanto os gols sofridos em jogadas de bola parada, seja em escanteios, cobranças de faltas diretas ou indiretas e pênaltis tem sido muitas vezes originárias num mau posicionamento dos zagueiros, dos laterais e dos volantes. Nesta competição em apenas uma oportunidade o treinador Antônio Lopes optou por alterar seu ortodoxo esquema tático 4x4x2 por outra variante defensiva.
E no ataque, finalizações erradas se repetem
No ataque, o Coxa volta a pecar nas finalizações, perdendo boas chances de marcar a ganhar importantes pontos na tabela. Sem Aristizábal na frente e Vital no meio de campo, armando as jogadas ofensivas, o Coritiba tornou-se novamente um time de fácil marcação para uma zaga que joga no tradicionalíssimo 3x5x2, com zagueiros altos e volantes muito marcadores.
É natural que a perda de um jogador de grande relevância no ataque como é o caso de Ari traga mais dificuldades ao Coritiba dentro de campo. Mas é de se esperar que o treinador Coxa procure novas alternativas de jogo, seja táticas, seja técnicas.
O trabalho de fundamentos junto aos atletas mais novos é necessário tanto para os atacantes como Alemão e André Nunes, que precisam aperfeiçoar o sentido de colocação e intensificar cabeceios e chutes a gol, como para os laterais Adriano, Ricardinho e Rafinha, que não tem tido bom aproveitamento nos cruzamentos. O mesmo se aplica para Jucemar que também não tem feito bons cruzamentos que venham a redundar em gols.
O último lateral Coxa que teve um bom desempenho nos cruzamentos foi Tesser, no jogo contra o São Paulo no Morumbi (vitória Coxa por 3x2).
Melhoria no desempenho de bolas paradas
Outro fator que vêm destoando no desempenho Coxa neste campeonato é o fraco aproveitamento de jogadas de bola parada, seja nos escanteios, seja nas cobranças de falta diretas ou indiretas.
Se por um lado o desempenho de chutes a gol de fora da área – especialmente com o meia Capixaba, um dos artilheiros Coxa no Brasileirão – tem sido ótimo, nas jogadas ofensivas com bolas paradas o Coritiba precisa melhorar.
Num campeonato tão difícil como este Brasileiro, um bom aproveitamento de um lance de bola parada pode ser fundamental às aspirações do Coritiba.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)