
EDITORIAL
A equipe de administradores do site Coxan@utas apóia o Clube de forma incondicional. Somos torcedores do Coritiba Foot Ball Club. Apoiar o Clube não significa apoiar este ou aquele dirigente, profissional, jogador. Significa apoiar a Instituição, que para nós é maior do que tudo no futebol.
Detectamos que o time tem alguns problemas, talvez seja o time mais problemático dos últimos três anos, mas apoiaremos o time invariavelmente, porque esta é nossa função como torcedores do Verdão.
Assim como o time Coxa pode, em melhorando seu desempenho, chegar à Sul-Americana, em piorando seu desempenho poderá entrar na zona do rebaixamento. Então, todo cuidado é pouco.
Objetivando ajudar sem interferir, os administradores do site procuram trazer à tona uma discussão sobre o que, ao nosso ver, neste momento é um aspecto importantíssimo para o Cori voltar a fazer sua torcida sorrir: a necessidade de um Diretor de Futebol no Alto da Glória.
Não se trata de demitir Oscar Yamato e Sérgio Ramirez, até porque eles não são os maiores responsáveis pelo estado das coisas no Alto da Glória. Se trata sim de trazer mais uma pessoa para colaborar com o Clube, um Diretor de Futebol que possa agregar valor ao Coritiba.
Equipe do site Coxan@utas
Raio-X: o momento do Coritiba
Numa análise sobre o que vem sendo esses quatro anos da gestão do Presidente Giovani Gionédis à frente do Coritiba, podemos perceber que há dois períodos distintos quando o assunto é futebol.
Desde que assumiu a presidência do Coritiba, corajosamente, numa situação onde ninguém queria assumir o comando do Clube, a administração das dívidas passou a ser a principal meta da gestão de Gionédis, que sempre fez questão de deixar isso claro a todos - e nesse aspecto ele vai muito bem. Já com relação ao futebol, as coisas não são bem assim.
Se, por um lado, GG assumiu o Clube tendo como principal objetivo a quitação das dívidas e reestruturação financeira e administrativa do clube, bem como avanço patrimonial, com investimentos no CT e no Couto Pereira, e neste aspecto o Clube está sendo muito bem administrado, por outro lado, no futebol, o desempenho nos dois últimos anos tem deixado a desejar, pois a diretoria parece ter perdido aos poucos as rédeas no time de futebol Coxa-Branca propriamente dito.
Tivemos um bom time na temporada 2002, que foi eliminado invicto do Supercampeonato Paranaense, e que foi bem no Campeonato Brasileiro. Não fomos melhor porque, infelizmente, o time vacilou nas duas últimas rodadas, contra Figueirense (em casa) e Gama (fora, mas com o time do Planalto Central já rebaixado), perdendo uma chance incrível de se classificar entre os oito melhores times do Brasil, pois naquele ano a disputa ainda funcionava no sistema “mata-mata”. O Santos pegou a oitava vaga, que deveria ser do Coritiba, e sagrou-se campeão.
Em 2003, veio o título invicto do Paranaense e a classificação à Libertadores. Revelamos Marcel e Adriano.
Em 2004, o elenco foi montado às pressas, assim como a contratação do treinador Antônio Lopes. Depois de uma estratégia errada na estréia em Lima, já que Lopes optou por jogar com Adriano de lateral direito e com Esmerode na zaga (aquele acabou sendo o único jogo do uruguaio vestindo a camisa do Cori), a equipe acabou sendo eliminada precocemente na Libertadores.
Vale lembrar que a contratação do artilheiro Tuta foi feita de forma completamente equivocada, com um atraso imperdoável que resultou na impossibilidade inscrever no torneio o jogador. Tuta transformou-se em um reforço de luxo para o Paranaense, já que custava aos cofres alviverdes quase que o mesmo tanto que o craque Aristizábal. Graças ao erro do Departamento de Futebol, o Coxa jogou o torneio mais importante de sua história dependendo de jogadores como Laércio e Bruno - que foram promovidos das categorias de base sem o menor preparo e, infelizmente, como se esperava, não deram conta do recado, perdendo a chance de suas vidas. Bom exemplo disso é que, mesmo com a total carência de bons atacantes no time alviverde versão 2005, eles não conseguiram ficar sequer entre os primeiros reservas.
O ano de 2004 serviu para revelar o zagueiro Miranda e o ala Rafinha, que fez sucesso na Seleção Brasileira Sub-20 e acabou se tornando a maior transferência da história do Clube (EU$ 5 milhões, para o Shalke 04, da Alemanha).
Ainda em 2004, conseguimos o Bicampeonato na casa dos rivais, lutando contra tudo e contra todos, inclusive contra os homens de preto. Pouco tempo depois, alegando uma decisão pessoal, Domingos Moro afastou-se da Vice-Presidência do Clube.
No segundo semestre do ano de 2004, o Coritiba começou a baixar a guarda. O atacante Luis Mário deixa o Clube, transferindo-se à Europa. Lopes inventa moda, e na mesma semana perdemos uma vaga na Sul-Americana e um AtleTiba decisivo no Brasileirão, quando vínhamos de seis partidas invictas e fazíamos 1x0 em casa, perdemos de virada.
Terminamos o campeonato sem Aristizábal, que rescindiu o contrato antes do final do ano, numa posição intermediária da tabela, sob as vaias da torcida que pedia a cabeça do treinador, preservada por decisão do Presidente Gionédis.
Entra 2005, ainda com Lopes no comando, o Coritiba joga em Maringá, devido à reforma no gramado do Couto Pereira. A final é entre a dupla AtleTiba, sendo que o co-irmão ficou com a vantagem de jogar a última partida em casa, beneficiado por um erro crasso de arbitragem, que assinalou como gol uma bola que passou pelo lado de fora, em jogo realizado na primeira fase contra a pior equipe da competição, rebaixada à Série Prata.
Meses depois, o árbitro daquela partida foi expulso do futebol. Réu confesso, foi denunciado por corrupção. Na final, o Cori perde nos pênaltis.
Na semana seguinte, nova derrocada, com a eliminação Coxa-Branca na Copa do Brasil para um time da 3ª Divisão.
Se, na época de Moro, jogadores eram taxados de "príncipes", após sua saída, nos habituamos a ouvir os jogadores serem chamados de “pangarés” (sem querer entrar em polêmica, mas esta brincadeira dos dois dirigentes é, no mínimo, desnecessária).
Numa análise simplista, já que poucos têm a condição de vivenciar o dia-a-dia do Clube, nota-se que a referência da figura emblemática do “Diretor de Futebol” parece estar fazendo falta no Alto da Glória.
Aquele elo entre os dirigentes, a comissão técnica, a imprensa, a torcida e os jogadores. Alguém que cobrasse dos jogadores, lavando a roupa suja em casa, e os representasse em diversas instâncias, dentro e fora do gramado e dos vestiários.
Alguém que, além de chamar a responsabilidade nas derrotas, sempre que necessário, defendesse as vontades dos atletas em negociações internas, e até batendo de frente com Sergio Ramirez e Oscar Yamato e quem estiver no comando técnico, se for preciso.
Este alguém seria o homem de confiança que se reportaria exclusivamente ao Presidente Giovani Gionédis quando o assunto fosse futebol, evitando desgastes desnecessários à figura da maior autoridade do Clube. Seria o alguém que falaria à imprensa, para evitar o constrangimento similar ao ocorrido no ”Caso Renaldo”, onde quase todo mundo falou sobre o assunto, e diversas versões oficiosas se tornaram oficiais.
Se, por um lado, descarta-se a opção da volta de Domingos Moro, que agora está atuando noutra função profissional, advogando em defesa do futebol paranaense na esfera nacional, por outro, levanta-se a necessidade de termos alguém trabalhando de forma direta no futebol profissional.
Alguém que completasse as funções administrativas de Oscar Yamato, profissional de confiança da diretoria do Coritiba, devido à sua seriedade e competência na área, mas que não tem a condição de acumular as tarefas de um diretor de futebol.
Surgem alguns nomes neste momento:
René Simões, um estudioso do futebol, com experiência internacional e amplo acesso nos bastidores do poder do futebol brasileiro, a CBF, no Rio de Janeiro. Pesa o fato dele ainda não ter trabalhado no Coritiba, o que pode causar uma falta de simpatia junto à torcida;
Evair, ex-atleta profissional do Coritiba, campeão por diversos clubes do Brasil e pela Seleção Brasileira. Evair teve passagem pelo Coxa que deixou saudades em boa parte da torcida. Conhece os bastidores, viveu o futebol, é respeitado pelos jogadores, apesar da pouca experiência nesta área.
Branco, atual coordenador das divisões de base da CBF, profundo conhecedor do futebol atual e emergente, certa vez quando questionado acerca de boatos de que poderia assumir o cargo de coordenador da seleção brasileira principal, apesar de garantir que não foi procurado, o ex-craque deixou claro que gostaria de desempenhar esta função: "Experiência não me falta. Este seria um momento bom, pois estão mudando muita coisa no futebol", afirmou em entrevista à Gazeta Esportiva.
Vialle, figura destacada no universo Coxa-Branca, um dos idealizadores dos grandes times de 1989 e 1998. Com história para contar, conhecedor do futebol, Coxa-Branca de coração e com acesso em vários segmentos políticos do Clube, Vialle poderia ser o apaziguador do Alto da Glória, atuando como um coordenador do futebol, avaliando o futebol amador e profissional do Clube.
Já que Junior Lopes será o técnico interino do Coritiba, e não mais do que isto, em se pensando num projeto até dezembro de 2006, é de se esperar que ele venha a ser muito bem assessorado nestas onze partidas restantes, pois o destino do Coritiba Foot Ball Club está nas mãos dele, e isto é um risco demasiado grande para um único profissional. Junior é um profissional bastante jovem e que pegou uma batata pelando ao assumir interinamente o comando técnico do Cori.
Neste momento da competição, o Coxa não pode mais errar como errou nestes dois últimos anos. Temos que começar a acertar para continuarmos vivos na primeira divisão.
O trabalho comandado de forma efetiva pelo Presidente Gionédis, nas áreas financeira, administrativa, organizacional e patrimonial, precisa ser preservado e ampliado. Mas sem sucesso no futebol profissional, GG corre um sério risco de passar de um dos heróis da história do Coritiba - aquele que resgatou o time do fundo do poço e deu novo rumo - para o grande vilão, o primeiro Presidente Coxa-Branca a levar o Clube - dentro do campo - à segunda divisão do futebol brasileiro.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)