
EDITORIAL
O Coritiba voltou ao efeito gangorra na tarde de sábado, no clássico ParaTiba disputado no péssimo Estádio do Pinheirão. Numa partida bem disputada e muito movimentada, com cinco gols (dois para o Cori), três expulsões, sete cartões amarelos, 3.500 Coxas-Brancas (de um público total de 7.444), o time Coxa acabou perdendo o clássico e voltou a empacar no 13º. do Campeonato Brasileiro, com 38 pontos. Na próxima terça-feira à noite, no Couto Pereira, o Verdão enfrentarão Goiás.
O técnico Cuca voltou a mexer no time coritibano, desta vez por motivos de força maior (contusões) e por opção própria, trocando James por Jackson e Rubens Jr por Ricardinho. Cuca optou por um esquema tático 3x5x2 (a expectativa era de que Douglas Ferreira fosse o zagueiro, mas Vagner acabou indo para o jogo), com Anderson jogando na sobra, Nascimento como zagueiro mais pela esquerda e Vagner cobrindo o lado direito.
O esquema tático de Cuca não surtiu o resultado esperado e necessário para o Cori vencer. Jackson, muito marcado, pouco atacou pela direita; já Ricardinho, novamente numa jornada infeliz, até teve espaço pela esquerda, mas pecou muito no fundamento dos cruzamentos e nas cobranças de falta e escanteio.
Vagner teve um desempenho apenas regular, assim como Anderson, que apesar de marcar forte, pecou na saída de bola. Nascimento lotou bastante, mas errou no primeiro gol tricolor, ao ser fintado. O capitão do Cori acabou jogando também ao lado de Peruíbe, como volante. Nascimento foi também expulso, num erro de interpretação do árbitro.
O goleiro Douglas, que estava a 276 minutos (4 contra o São Paulo, 270 contra Fluminense, Juventude e Vasco, 2 contra o Paraná Clube) sem tomar gols, acabou falhando neste jogo: no primeiro gol, ele acabou deixando a bola escapar por debaixo de seu corpo e no segundo gol adversário, Douglas socou bola para frente da grande área, e no rebote, o jogador do Paraná Clube chutou forte, de fora da área e fez.
No meio de campo, Peruíbe teve um bom rendimento. Marcou forte, variando a marcação por zona e individual, em Éder, e ainda acabou subindo ao ataque. Foi dele a bela jogada individual que originou o passe para Caio fazer o segundo gol do Verdão.
No sistema criativo do meio-campo Coxa, Capixaba teve um desempenho bom. Ele passou por diversos lugares do gramado para iniciar o jogo. Bem marcado, Capixaba procurou articular os ataques coritibanos, aproximando-se de Maia e Renaldo, mas não foi o suficiente. Caio foi um dos destaques do Cori, marcando um gol, lutando muito, dividindo as jogadas com a zaga tricolor. Caio procurou armar o jogo, articular as jogadas, mas a forte marcação paranista dificultou as ações de Caio.
Na frente, Renaldo voltou a jogar muito isolado, já que Maia ficou distante, jogando muito pelo lado esquerdo e acabou sendo expulso quase no final do primeiro tempo, numa jogada onde o árbitro da partida errou na avaliação e expulsou o atleta Coxa-Branca.
Renaldo parece passar por uma má fase técnica. Ansioso, o atacante tem perdido lances fáceis, que habitualmente não perderia. Renaldo também parece estar passando por uma fase de instabilidade emocional, o que aparentemente tem diminuído o rendimento ofensivo do Cori.
Cuca mudou o time Coxa durante o clássico, colocando Elton, jogador técnico, mas sem força, no lugar de Capixaba; Marciano, que não apareceu para o jogo, no lugar de Renaldo; Tiago, no lugar de Ricardinho. Tiago, que depois de longa ausência (inclusive do banco de reservas) voltou ao time, procurou o jogo, fez duas jogadas interessantes, sofreu uma penalidade (ao ter a camisa puxada pelo zagueiro).
Sem jogadores experientes, como Marquinhos e Flávio, ou que vinham de boas apresentações, como Rodrigo Mancha, James e Egídio, no clássico ParaTiba o time Coxa-Branca mais correu do que jogou bola. E só a luta de alguns deles não foi suficiente para fazer o Alviverde do Alto da Glória ultrapassar a barreira dos 40 pontos.
Primeiro Tempo
Novamente o Coritiba sofreu um gol com menos de 10 minutos de jogo. No primeiro lance do tricolor, logo aos 2 minutos, depois de uma jogada onde Nascimento foi fintado com certa facilidade, e André Dias chutou par ao gol, com a bola passando por debaixo do corpo de Douglas. Na falha daqueles que vinham sendo os dois melhores defensores do Cori, o tricolor inaugurou o marcador.
Na saída de bola, o Coxa foi ao ataque, assustando o adversário. Maia aproveitou um cruzamento e cabeceou bem, para defesa do goleiro Flávio.
Aos 10 minutos, o Paraná Clube tem um escanteio. Na cobrança, Daniel Marques vacila, e chutou fraco, para a defesa do goleiro Douglas.
No contra-ataque alviverde, Jackson chuta de primeira, para uma boa defesa do goleiro Flávio.
O jogo estava muito disputado, mas a vantagem do time da casa pareci refletir no time Coxa, que mais corria do que trocava passes com a bola nos pés.
Numa jogada pela esquerda, aos 17 minutos, o lateral cruza, quase na linha de fundo, mas o atacante tricolor não aproveita. Na sobra, Neto foi travado pela zaga Coxa-Branca e perde boa chance.
Sete minutos depois, o atacante Maia cruza, e o volante Peruíbe, jogando como elemento surpresa, domina a bola no peito, mas é atrapalhado na hora da conclusão.
Aos 24 minutos, Mário César chuta de fora da área, mas a bola sai por cima.
Aos 32 minutos, o lateral esquerdo do Paraná recebe um bom passe, ganha de Jackson e cruza, com a bola passando perto da trave.
Aos 38 minutos do primeiro tempo, na base da raça, veio o empate do Coritiba. Numa cobrança de escanteio pela direita, a bola sobra para o zagueiro Anderson, que chuta forte, vencendo o goleiro paranista: 1x1 no Pinheirão.
Aos 40, Maia acaba sendo expulso, numa jogada duvidosa. Ele procura o jogo quase pela linha de lado da direita ofensiva do Cori, acaba tocando no atleta adversário e na continuação do lance leva o cartão vermelho, quando o árbitro interpretou que o jogador Coxa deu um tapa no rosto do zagueiro do tricolor.
Segundo tempo
Em vantegem numérica, o Paraná Clube vem diferente para o camo de jogo. O treinador Barbieri tira o quarto-zagueiro para a entrada de um meio-campista ofensivo.
Logo no recomeço da partida, o Coxa faz o gol da virada. Peruíbe arranca pelo campo de ataque, faz uma ótima jogada individual, ganhando de três adversários e fazendo um ótimo passe para Caio, que ganha na corrida e toca para o gol, por cima do goleiro, que saia desesperado da sua meta para tentar impedir o gol Coxa-Branca, mas não foi suficiente. Coxa 2x1, para explosão da torcida coritibana, que comprou todos os 3.500 ingressos a ela disponibilizados, e que cantou por boa parte do tempo de disputa do clássico.
Na comemoração do segundo gol coritibano, Cuca voltou a ir de encontro à torcida Império Alviverde.
Três minutos depois, o meio campista Pierre chuta de fora da área, para fácil defesa de Douglas.
Aos 10 minutos, o novo empate na partida. A bola é cruzada pela direita da defesa Coxa, Douglas sai do gol e soca a bola para fora da grande área. Mas em vez de tirar a bola pelo lado da grande área, Douglas soca-a em frente da grande área. Num erro de posicionamento da defesa do Alviverde, o volante Mário César, livre de marcação, chuta forte para empatar pela segunda vez o clássico.
Seis minutos depois do empate, o Cori voltaria a sofrer um castigo. Numa cobrança de falta pela esquerda da defesa Coxa-Branca, a bola bate no jogador tricolor e num lance de sorte paranista, acaba batendo novamente em Borges, indo para o fundo das redes da meta de Douglas.
Num lance na linha lateral do gramado, Reginaldo Nascimento acaba levando o segundo cartão amarelo e sendo expulso da partida. Na jogada, um erro de interpretação do apitador, pois Nascimento estava com o braço colado ao corpo, não tendo intenção aparente de tocar com a mão na bola.
Sem dois jogadores em campo, o Coritiba desestruturou-se tática e emocionalmente na partida, o que permitiu mais os avanços do time adversário.
Cuca ainda procurou mexer no time, mas sem efeito. O Cori ainda teve uma boa chance, numa jogada de Capixaba, que roubou a bola, avançou pela direita, mas teve o passe interceptado quando lançava o ataque coritibano na grande área tricolor.
Aos 26, o lateral direito do time tricolor entra em diagonal e em frente da grande área arrisca, com a bola passando sobre o travessão de Douglas.
O Coxa voltou a ter uma boa oportunidade, num lance em que Elton recebeu livre pela direita do ataque, numa jogada invertida da direita do campo. Em vez de chutar forte, Elton tenta o passe na grande área, mas a zaga afasta o perigo.
Neste momento da partida, o jogo estava franco, com ambos os times procurando o jogo, mas errando muitos passes.
A emoção da partida era mais pela vontade dos times do que pela técnica, num gramado pesado e irregular.
O Coritiba atacava, tentando as jogadas de bola parada, ora em cobranças de falta, ora de escanteios, mas sem sucesso.
Com dois jogadores a mais em campo, o Paraná Clube conduzia o jogo até o seu final, apesar da voluntariedade dos jogadores do Coritiba.
No último minuto do tempo regulamentar, o árbitro paulista novamente errou, desta vez contra o time tricolor, ao expulsar o zagueiro Marcos, num lance de frente para a grande área.
A expulsão do atleta tricolor fez o Cori avançar com tudo nos minutos da prorrogação. No lance final, uma má cobrança e conclusão de um escanteio e a bola sai pela linha de fundo. Placar final, derrota do Cor, 3x2.
Foto: Geraldo Brbniak para os Coxan@utas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)