
EDITORIAL
Durante esta quinta-feira, alguns veículos de comunicação ligados ao futebol paranaense destacaram as divergências ocorridas entre alguns dos clubes integrantes do Clube dos 13, o C13, citando até infelizes declarações do Sr. Zezé Perrella, dirigente do Cruzeiro.
Em entrevistas às Rádios Transamérica FM e Rádio Banda B, Giovani Gionédis explicou o que realmente vem acontecendo nos bastidores do futebol brasileiro. O Presidente Coxa declarou: "eu sou Presidente do Coritiba, minha decisão defende os interesses do Coritiba, e não os interesses políticos do Cruzeiro, Flamengo e São Paulo".
Conheça mais sobre as negociações: a proposta atual, aprovada nesta quarta-feira
A decisão da maioria dos clubes do C13, ocorrida nesta semana, possibilitou um ganho real para todos os clubes integrantes do C13 e dos outros clubes da primeira divisão que não integram o colegiado, como é o caso do Paraná Clube. Esta decisão é válida para o triênio 2006/2008. O atual contrato de televisionamento da Rede Globo tem validade até 31 de dezembro de 2005 e está assinado por todos os vinte clubes do C13.
A negociação que ampliou os valores para os clubes foi possível graças à decisão da Rede Globo, que na prática ampliou os valores que seriam repassados para os clubes a partir de 2006.
Em vez de indexar o contrato com os clubes pelo valor da inflação (10,5% a.a.), a rede de televisão ampliou o valor dos repasses em todos os níveis, pois há um escalonamento de valores para os clubes, que são dividios em grupos: grupo 1 (Flamengo, Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Vasco); Santos (que agora até este ano ficava no grupo 2 e agora passou a ficar num grupo chamado "intermediário"), grupo 2 (Grêmio, Cruzeiro, Inter e A. Mineiro), Grupo 3 (Bahia, por ser um dos fundadores do C13 e por ser dono de uma torcida bem superior às torcidas do grupo 4) e Grupo 4 (Coritiba, A. Paranaense, Goiás, Sport, entre outros).
A proposta aprovada pela maioria dos clubes do C13 é basicamente a seguinte: os clubes receberão novos valores para 2005. Esta regra vale para todos os grupos. No caso do Coritiba, o valor para o próximo ano será corrigido em 49% sobre o valor deste ano, totalizando R$ 11 milhões por ano. Na prática, um grande aumento real, pois no contrato original os valores previstos para 2005 deveriam ser indexados apenas pelo valor da inflação, ou seja em 10,5%.
Com base nesta proposta, que é bastante similar à proposta apresentada pelo Coritiba na reunião do C13 da semana passada, que não chegou ao fim devido a um princípio de briga entre os presidentes do Vasco da Gama e do A. Paranaense, o Presidente do Coxa votou a favor da proposta aprovada pela maioria. Esta proposta acabou vencendora graças ao voto do Coritiba (que tem peso 3, contra o peso 2 do voto do A. Paranaense).
A proposta anterior, discutida na semana passada
Na reunião inacabada da última semana, a proposta do A. Paranaense era de que o clube fosse colocado no grupo 2. Se esta proposta tivesse sido aceita naquela assembléia, o A. Paranaense teria direito a R$ 15 milhões, contra aproximadamente R$ 7 milhões que caberia ao Coritiba, que permaneceria no grupo 4.
A discussão entre dirigentes Vasco e A. Paranaense, que quase gerou uma briga de fato, se originou devido a duas situações. A primeira delas, oriunda de uma proposta diferente da do A. Paranaense.
Tal proposta previa a inclusão do Santos no grupo intermediário (entre os grupos 1 e 2), o que não foi aceito pelos representantes do Cruzeiro (que até então ganhavam o mesmo valor do time santista). Esta decisão acabou por regularizar uma pendência antiga junto ao clube paulista.
Contrários a esta decisão de beneficiar o Santos, alguns clubes como o São Paulo, o Cruzeiro e o A. Paranaense; favoráveis à inclusão do Santos no grupo intermediário, Vasco e Palmeiras.
Outro fator que acirrou os ânimos dos dirigentes de Vasco e de A. Paranaense era relacionado às eleições do Clube dos 13. Fábio Koff, ligado ao Grêmio Porto Alegrense, é candidato natural à reeleição, contando com o apoio de Vasco e Palmeiras. Numa chapa alternativa, o representante do São Paulo, Juvenal Juvêncio.
O dirigente do A. Paranaense, Mário Celso Petráglia teve seu nome sondado para a vice-presidência do C13, na chapa de Koff, mas a briga com Eurico Miranda, dirigente do Vasco, inviabilizou politicamente esta chapa com o dirigente do A. Paranaense como Vice-Presidente.
Com as divergências políticas, grupos distintos apareceram: de um lado, Vasco e Palmeiras; de outro, Flamengo e São Paulo. O Cruzeiro, por não ter sido colocado no mesmo patamar de receitas que o Santos, ficou do lado de Flamengo e São Paulo. A eles, A. Paranaense, que não teve sua proposta de figurar no grupo 2 (saindo direto do grupo 4).
Em suma, a eleição do próximo dia 13, segunda-feira, foi tratada antecipadamente, com ares de divergência de arbitral financeiro, quando na prática a discussão política foi antecipada na reunião sobre o contrato de televisionamento para 2006/2008.
Os clubes que assinaram o contrato de televisionamento de 2006 até 2008 estarão recebendo os valores para 2005 com o indexador superior ao da inflação (no caso do Coxa, com o aumento de 49%). Aqueles que ainda não referendaram a decisão da maioria, receberão em 2005 os valores indexados pela inflação. A expectativa é de que todos os 20 clubes do C13 assinem o novo contrato até o final desta temporada.
O voto do Coxa, na prática
O Coritiba tem um voto com peso 3 devido aos critérios de ranking do C13, da mesma forma que o A. Paranaense tem um voto com peso 2 nas votações.
O voto do Coxa (e do outro alviverde, o Goiás) foi decisivo para o aceite da proposta que possibilitará ganhos a todos os vinte clubes do C13 e dos outro quatro clubes da primeira divisão, que não fazem parte do grupo.
O outro reflexo do voto Coxa foi de que o A. Paranaense não saltará do grupo 4 para o grupo 2, como foi a proposta feita pelo representante do rubro-negro na semana passada, a qual foi indeferida por Eurico Miranda. Desta forma a dupla AtleTiba continua em igual patamar de receita na divisão das cotas de TV do futebol brasileiro.
Se a proposta do dirigente Mario Celso Petráglia fosse aceita (e para isto dependeria do voto do Coritiba), o Coxa ficaria com aproximadamente R$ 7 milhões contra R$ 15 milhões para o A. Paranaense.
O rebaixamento e as cotas publicitárias
A notícia de que o Coritiba poderia receber uma cota publicitária maior em 2005 caso do rebaixamento do A. Mineiro não procede.
O contrato entre clubes e TV prevê que os clubes do C13 que caiam para a segundona tenham redutores de suas cotas caso permaneçam mais de uma temporada na segunda divisão. Nestes casos, a cada ano, um percentual maior é descontado dos clubes para a formação de um fundo gerenciado pelo próprio C13.
Este fundo é utilizado, por exemplo, para um sistema de premiação aos clubes (índice técnico), despesas operacionais, campanhas publicitárias, financiamentos aos próprios clubes integrantes do Clube dos 13.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)