
EDITORIAL
Há algum tempo um AtleTiba não ganhava proporções tão grandes como este clássico da primeira partida decisiva do Campeonato Paranaense de 2005. Depois da troca de declarações pelas ondas do rádio entre os treinadores de ambas as equipes, foi a vez da política entrar em campo (e marcar um gol contra): Doático do Santos, candidato a vereador em 2004 por Curitiba, presidente do ETA e do Diretório Municipal do PMDB intercedeu junto ao Secretário de Segurança do Estado do Paraná para que a Polícia Militar liberasse o acesso dos materiais de uma das torcidas organizadas do adversário no Estádio do Pinheirão no domingo.
Se por um lado, na Baixada, o material das organizadas do A. Paranaense não são permitidos, no entender do Secretário Luiz Fernando Delazari, no Pinheirão eles deveriam entrar. Alegando o princípio constitucional da isonomia, Delazari apóia a sugestão de Doático.
Contrariando a decisão de um colegiado, entre os quais representantes da própria Secretaria de Segurança (que apesar de não ter mandado assessores ou representantes diretos do Secretário de Estado, estava representada lá pelo Capitão Correia, da Polícia Militar), Delazari bateu de frente com o acordo assinado pelos representantes do Coritiba, A. Paranaense, FPF, URBS, Câmara Municipal de Curitiba, Diretran, Paraná Esporte, Império Alviverde, Ultras e Os Fanáticos, dizendo-se favorável a liberação de materiais de uma das organizadas do co-irmão no jogo de domingo, no Estádio do Pinheirão.
Do lado da Diretoria do Verdão, nada mudou. Em notícia veiculada no site oficial do Coxa, a Diretoria do Coritiba afirma que o acordado entre as partes na quinta-feira será mantido: "Para a diretoria Coxa-Branca, o combinado na última quinta-feira ainda vigora. Não será permitido que a torcida do Atlético entre com equipamentos de bateria, bandeiras ou fixas no interior do Pinheirão".
Já o vereador Luizão Stellfeld (PC do B) manifestou-se contrário à postura adotada por Doático e Delazari. Em nota, o vereador curitibano destacou: “Há uma ata assinada por todos os participantes da reunião. Estava tudo acertado e a pedido do Doático, que não tem nada a ver com a história, a Secretaria de Segurança toma uma posição dessas. Enquanto uns tentam promover a paz no estádio, eles vão incentivar a violência no estádio”, criticando o não cumprimento do acordado um dia antes.
Polêmicas à parte, dois dias antes do clássico a torcida Coxa acabou tendo mais um motivo para ir ao Pinheirão e empurrar o seu time de coração para uma vitória contra o mais tradicional adversário: fazer uma festa ainda maior do que aquela que estava sendo organizada pela Império para calar os 1.900 torcedores do lado vermelho, colorindo de verde o Pinheirão.
O torcedor do Coritiba, já cansado dos desmandos e da ineficácia das autoridades, que parecem ter memória curta quando se trata da isonomia de direitos em jogos do Coritiba na Baixada, tem mais um motivo para gritar sem parar Coooxxaaaaaaaaaaaaa!!! neste domingo: fazer da vitória dentro de campo uma vitória contra os desmandos políticos que assolam o nosso futebol.
O torcedor do Coxa deve respeitar as decisões daqueles que são pagos para nos proteger. Mas por outro lado, nada nos impedirá de gritar a plenos pulmões a frase que não quer calar: "Coxa eu te amo!!! Coxa eu te amo!!!"
Torcedor Coxa, conte os minutos para o clássico. Vamos fazer do nosso amor a força propulsora que os nossos jogadores tanto esperam e precisam para ganhar mais um clássico AtleTiba. Vamos colorir de verde e branco o Pinheirão e provar mais uma vez qual é a mais fiel e mais vibrante torcida do Paraná. Coxa rumo ao Tri, contra tudo e contra todos, de preto, de rubro, fardados, engravatados ou não.
Luiz Carlos Betenheuser Júnior
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)