
EDITORIAL
A história irá se repetir no Coritiba? A insistência com um técnico fraco até que se passem quinze, vinte rodadas do campeonato brasileiro mais importante de toda a vida do Coritiba, vai acontecer?
A cabeça do torcedor Alviverde amanheceu girando. Não só pela eliminação diante da ADAP, mas principalmente pela falta de perspectivas. Já sabia-se que, tecnicamente, o time era limitado, sem dúvida. Só não se tinha a certeza sobre a qualidade ou não de Estevam Soares para comandar o Verdão. Se muitos dos jogadores do atual elenco não passaram pelo teste laboratorial que se tornou o estadual, o "professor" Estevam também reprovou na prova decisiva, na prova final, e não deve ter a chance de fazer uma dependência.
A escola do futebol ensina muita coisa. As amargas experiências de insistir com Lopes, Cuca, Lopes Jr. (este que nunca deveria ter sido tratado além de "técnico interino") e Márcio Araújo, que não deveria ter iniciado 2006 como técnico do Coritiba, não foram suficientes para a Diretoria Coxa entender que a qualidade de um técnico se prova desde o seu primeiro dia no Clube, desde o primeiro jogo em que ele errar de forma clara e prejudicial ao resultado?
Também o relacionamento com o grupo de jogadores deve ser algo satisfatório. Se os jogadores não gostam de um técnico, não há o que reverta o quadro. Estevam parece não agradar muitos jogadores. Podem até não falar, mas os contornos a cada dia trazem à tona: existe algo de errado no ar.
Além de tudo isso, o técnico errou no jogo de ida contra o Naútico, e errou clamorosamente nos dois jogos contra a ADAP, principalmente no segundo jogo, quando treinou com um time e jogou com outro. Talvez tentando inventar um esquema para ganhar o jogo no contra ataque, Estevam acabou por chamar o adversário para cima do Verdão, e, quando tentou consertar, o estrago no placar já estava feito. Gastou desnecessariamente substituições, e depois teve que manter em campo um jogador contundido (Anderson Gomes, que, mesmo apesar da contusão, cobrou o pênalti com categoria e tranquilidade, dando o exemplo para os veteranos Índio e Jackson).
Um time que, mesmo apesar de suas limitações, estava ganhando uma personalidade e estava crescendo dentro da competição, dando ares que chegaria muito forte à final do campeonato, viu todo o trabalho desmoronar em virtude de um esquema mal armado pelo treinador. Este, por si só, já é um motivo mais do que suficiente para que a demissão de Estevam Soares ocorra ainda hoje, pois assim ele poderá retornar mais rápido ainda para São Paulo.
Estevam andou cometendo também alguns erros fora do campo. Teria sido dele o veto de alguns reforços que certamente serviriam bem para o elenco Alviverde como, por exemplo, Rodrigo Fabri, Dimba e o chileno Neira, ambos atacantes, setor muito deficiente do time coritibano.
Soares e sua retranca tendem ao fracasso na série B, campeonato em que será necessário conquistar muitos pontos fora de casa também, por isso é necessário um treinador mais ousado em seu esquema tático. O recente retrospecto de Estevam permite afirmar que quando joga fora segura demais o time e isso inevitavelmente atrai o adversário. Foi assim contra o Naútico em Recife e também foi assim ontem em Campo Mourão, portanto se o Cori quer voltar a divisão de elite precisrá de um treinador com um estilo mais ofensivo de jogo.
Manter Estevam hoje e esperar por quinze rodadas da série B será um erro que poderá custar muito caro. O Coritiba tem este ano como decisivo. Por isso, a análise do potencial deste treinador deve ser feita agora. Por onde passou, Estevam não conseguiu fazer nada de muito significativo. Teve bons times nas mãos, mas nunca provou a capacidade necessária à um grande treinador, por isso e por tudo aquilo que Estevam fez ontem, transferindo responsabilidades, a sua demissão agora virá no momento certo.
Estevam, sem dúvida alguma, não é o único culpado pela crise no futebol coritibano. No entanto, neste momento, todos os erros devem ser corrigidos, e um dos erros foi a escolha de Estevam como técnico do Coritiba. A hora de se trocar um técnico que demonstra não ter dado certo, de se corrigir os erros, é agora.
Equipe Coxan@utas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)