
EDITORIAL
A partida disputada no Anacleto Campanela, estádio de estrutura precária, foi recheada de emoções, bolas na trave, grandes defesas, gol anulado e decepção no final. O time da casa parecia ser o Coritiba, que, logo no início, deu mostras de quem daria as cartas. Bem na marcação, o Verdão ganhava a maioria das disputas de bola no meio-campo, já que finalmente o esquema 4-4-2 foi armado com dois volantes de marcação, Peruíbe e Nascimento.
Os principais jogadores do adversário pouco faziam. Edilson esteve muito bem marcado e Dimba sequer pegou na bola. Nesta mesma linha, Caio, o principal jogador Coxa, foi o tempo todo perseguido por Paulo Miranda, mas, mesmo assim, conseguia criar as melhores jogadas do Alviverde, usando a velocidade e a habilidade. E foi com Caio a primeira grande oportunidade. Ele recebeu na esquerda, cortou para o meio e soltou a bomba no meio do gol. O bom goleiro Silvio Luis espalmou e a bola sobrou limpa para Renaldo, que apenas empurrou de cabeça para o gol. Porém, a arbitragem já paralisava o jogo, marcando impedimento.
O São Caetano despertou e começou a equilibrar o jogo. Edilson, em uma de suas poucas aparições, recebeu na direita, cortou para o meio e chutou rasteiro no canto. A bola ainda desviou no gramado, mas o goleiro Douglas conseguiu se esticar e jogar a bola para escanteio. A resposta Coxa veio logo em seguida: Ricardinho recebeu lançamento na esquerda e cruzou à meia altura, Capixaba livre na área chutou muito fraco, e Silvio Luis não teve muito trabalho para defender.
O primeiro tempo acabou, e o time Coxa-Branca deixou uma ótima impressão, consciente em campo e buscando as jogadas. Faltava apenas um pouco mais de agressividade ao Alviverde, e, talvez visando isso, no intervalo, Márcio Aráujo resolveu desmontar o esquema de marcação tirando Nascimento, que havia recebido o cartão amarelo, e colocando James na lateral-direita. Com isso, Jackson passou para o meio-campo e fez muito bem a cobertura de Ricardinho pelo lado esquerdo (em alguns momentos Ricardinho foi o homem de meio-campo e Jackson foi o lateral-esquerdo). Se por um lado esta alternativa deu certo, pois Ricardinho teve liberdade para criar, por outro, o sistema de marcação no meio ficou enfraquecido, já que, na teoria, só Peruíbe marcava. Mas o time precisava da vitória e teve que correr este risco.
E foi justamente de Ricardinho o gol Coxa-Branca. Ele recebeu no meio e de fora da área chutou rasteiro no canto direito, sem chances de defesa. Um a zero no placar e delírio da torcida Coxa, que invadiu São Caetano do Sul e fez uma festa nunca antes vista naquela cidade. A torcida deu um show maravilhoso nas arquibancadas, cantando o tempo todo debaixo de um forte sol. A massa em êxtase provou mais uma vez seu Amor incondicional pelo Coritiba. Os mais de 1.800 Coxas que lá estiveram foram para casa com o sabor amargo do empate, mas com a consciência livre de qualquer culpa, já que a torcida fez, como em todos os outros jogos, a parte que lhe cabia.
Após o gol, sentindo o desespero, o São Caetano partiu com tudo para cima, buscando de todas as formas o empate. O Alviverde se defendia bem e chegou a dar a impressão que seguraria o resultado. Mas vieram as substituições (Peabiru no lugar de Renaldo e Vagner no lugar de Jackson), e com elas o time perdeu a força ofensiva do contra-ataque, já que Márcio Araujo preferiu trocar um centroavante por outro (Renaldo por Peabiru), perdendo com isso a chance de dar mais velocidade ao time, que é o que precisa que quem se propõe a jogar no contra-ataque.
Ainda assim, o Cori teve forças para buscar o gol. Em um contra-ataque, Caio sofreu falta quase na linha da grande área. Ricardinho bateu rasteiro e Silvio Luis tocou com a ponta dos dedos na bola, que ainda tocou na trave e saiu. Caio e James também tiveram chances de ampliar o placar, mas não aproveitaram as oportunidades. O time da casa acordou, avançou e, na base do abafa, aos 43 minutos, Claudecir, que havia entrado no segundo tempo, invadiu a área, com facilidade passou por Flávio e chutou rasteiro, quase no meio do gol. Douglas pulou, mas a bola passou por baixo de seu braço, decretando o empate. Antes disso, Lúcio Flávio havia chutado uma bola na trave.
Não houve nem tempo nem entusiasmo para reação e o placar foi mantido. Com o resultado, o time Coxa permanece na zona de rebaixamento, e vai para a última rodada precisando vencer o Internacional e torcendo por derrota de São Caetano ou da Ponte Preta. Se os dois times conseguirem empatar seus jogos, o Alviverde estará rebaixado mesmo com uma vitória contra o Inter. Uma derrota da Ponte Preta frente ao Brasiliense, em Campinas, por qualquer placar, e uma vitória do Coxa, derruba a Macaca e mantém o Coritiba na primeira divisão.
No caso do São Caetano, o cálculo é mais complexo. Em caso de vitória do Verdão sobre o Inter e derrota dos paulistas para o Cruzeiro, jogo no Mineirão, os dois Clubes empatam em número de pontos e de vitórias, o que leva a disputa para o saldo de gols. No momento o Coxa tem saldo de -10 e o São Caetano tem saldo de -8. Logo, a vitória do Cruzeiro, por exemplo, por um a zero, faz o Coxa necessitar vencer por 2x0 ou 2x1, neste último placar entraria para desempate o critério de gols marcados, e o Cori levaria vantagem. Independente de qualquer resultado, cabe ao Coxa fazer sua parte e vencer o Internacional. São diversas as possibilidades, mas a torcida tem apenas uma: torcer!
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)