
EDITORIAL
O Coritiba voltou a decepcionar sua gigantesca torcida ao empatar novamente no Couto Pereira, perante quase 28 mil torcedores, desta vez contra o Brasiliense, 1x1, em jogo válido pela décima sexta rodada do Campeonato Brasileiro. A festa, tão esperada pela torcida, ficou reservada só à noite, quando da solenidade de confraternização entre os torcedores e os jogadores campeões brasileiros de 1985.
O gol do Cori foi marcado por Rafinha, cobrando pênalti ainda na primeira etapa. Este deve ter sido o último jogo do atleta pelo Coritiba, já que ele está sendo negociado com o futebol alemão, através do Schalke 04, que deverá desembolsar US$ 5 milhões pelo ala direito. Com o empate, o Coritiba alcança os 22 pontos, ficando na décima segunda colocação na tabela.
Desta vez, contra o Brasiliense, o rendimento ofensivo do Coxa deixou a desejar, com o time criando poucas oportunidades de gol. As ausências de Marquinhos e de Flávio foram bastante sentidas, tanto que o gol do time adversário surgiu num erro individual de Alexandre Luz. Na frente, Caio desta vez não teve uma boa atuação. Muito marcado, o atleta Coxa pouco apareceu na partida.
Sem Marquinhos no meio de campo, o time coritibano pouco criou, burocratizando muito o toque de bola com Capixaba e Egídio, que novamente comprovou não ter um bom rendimento quando atua ao lado de Nascimento.
Alexandre manteve a média de boas fintas, e maus cruzamentos. Rafinha correu, mas também muito marcado, pouco apareceu na frente, assim como Ricardinho, que novamente pecou nos cruzamentos.
Nem mesmo a festa que a torcida Coxa promoveu nas arquibancadas, empolgada com as comemorações do título de 85, e os desfalques do time do Planalto Central (que não teve Oséas, contundido, e Iranildo e Marcelinho Carioca, suspensos) foram motivo para fazer o elenco Coxa-Branca desempenharam um bom rendimento perante sua torcida.
Primeiro tempo
Mais uma vez o time Coxa-Branca levou um gol logo no início da partida. Aos dois minutos de partida, Agnaldo aproveitou uma falha individual do zagueiro Alexandre Luz, que tentou dominar e acabou perdendo a bola, deixando-a livre para o atacante invadir a área, fintar Vizzoto e chutar rasteiro, livre, para marcar o gol do Brasiliense.
O Coxa foi ao ataque aos 8 minutos, numa cobrança de falta pela direita, com Ricardinho cruzando e Alexandre Luz, desequilibrado, cabeceando por cima do travessão.
Com o gol tão cedo, o time Coxa começou a sentir novamente a pressão, cometendo muitos erros de troca de passe e de cruzamentos, o que facilitava a marcação do time de Braslília.
Aos 16 minutos, o meia esquerda Alex Oliveira fintou a zaga, mas foi impedido de chutar pelo volante Vagner que atrapalhou a conclusão.
Aos 20 minutos, o Cori voltou ao ataque com Alexandre recebeu um bom lançamento de Capixaba e cruzou pela esquerda, mas o goleiro Eduardo evitou o lance.
No minuto seguinte, novamente Alexandre recebeu bom lançamento pela direita, fintou o zagueiro com uma jogada de corpo e foi derrubado na grande área e foi derrubado por Régis. O árbitro marcou o pênalti, que foi batido por Rafinha. Na cobrança, o goleiro Eduardo caiu no canto certo e defendeu, mas o árbitro mandou voltar por causa de invasão. Novamente Rafinha (foto) bateu, mas desta vez inapelavelmente: goleiro no canto direito, bola no canto esquerdo, fazendo 1x1, para a festa da torcida Coxa.
Apertando a marcação, o time de Joel Santana conseguia evitar as subidas de Rafinha e as articulações com Caio. Sobrava espaço para Capixaba e Jackson, mas o time Coxa não conseguiu repetir o jogo veloz das partidas anteriores, o que facilitava as coisas para o time do Centro-Oeste.
Num avanço do volante Márcio Egídio, aos 35 minutos, ele buscou o gol, chutando de fora de área, com a bola passando pela esquerda da meta do goleiro Eduardo.
O time visitante pouco procurava o ataque, procurando cadenciar o jogo, e vez ou outra atacar pela esquerda, com o lateral esquerdo do Brasiliense, um dos encarregados de marcar Rafinha.
Aos 41, o Cori teve uma boa oportunidade, quando Caio avançou pela direita, deixou a zaga para trás e cruzou. Jackson não chegou à tempo, e a bola sobrou para Egídio, sem marcação e no bico da grande área chutar muito alto, perdendo a principal oportunidade de gol para o Verde no primeiro tempo.
Segundo tempo
No intervalo, o técnico Cuca mudou o time Coxa. Ele trocou o zagueiro Alexandre Luz pelo atacante Tiago, mudando o estilo de jogo e colocando o Coritiba mais no ataque.
A mudança tática dava ares que daria certo, mas ficou só na impressão. Cuca deixou Vagner e Nascimento na zaga, com o capitão jogando mais pela direita, local onde não rende o que pode render. Mas com um atacante a mais, Caio voltou para armar e Tiago ficou como referência ofensiva, nas triangulações por fora da área e pelos lados do campo.
Aos 4, Ricardinho avança e cruza. O zagueiro tenta afastar o lance, e quase marca contra, com uma boa defesa do goleiro do time do Brasiliense se esticando todo para evitar o gol do Cori.
Empurrado pela torcida, o Coxa volta com mais dinamismo na frente, mas as conclusões e os cruzamentos continuaram saindo errados.
Aos 15 minutos, Nascimento recebe seu segundo cartão amarelo e é expulso, passando a faixa de capitão para Capixaba, que mostrou um futebol muito burocrático e cadenciado contra um time que jogou com duas linhas de quatro zagueiros.
Em outro lance de intermediária, nova expulsão, desta vez para o time visitante. Alex Oliveira faz falta e é expulso, pelo bom árbitro Sálvio Spinola Fagundes Filho, que teve um ótimo desempenho na partida, o melhor até aqui nos jogos do Coritiba no Couto Pereira.
Cuca procurou melhorar o time Coxa no ataque, trocando dois jogadores: Caio, por Alcimar, e Capixaba, por Rodrigo Batata. Se por um lado, o canhoto Alcimar procurou mostrar serviço perante a torcida Coxa, arriscando por quatro vezes chutes de fora da área, e chamando o jogo através de jogadas individuais e articulações pelo meio da zaga, o desempenho de Rodrigo ficou aquém daquele esperado.
Com a saída de Capixaba, o Cori teve em Márcio Egídio o seu terceiro capitão na partida.
Cadenciando demais a partida, Rodrigo arrefeceu o ritmo imposto por Rafinha, Jackson e Alcimar, mais velozes. A opção de Cuca, para um jogo em que o Cori precisava da vitória poderia ter sido outra: Souza, um jogador com características técnicas num padrão similar ao de Rodrigo Batata, mas com maior velocidade e mais eficiência nos lançamentos.
Aos 31, Rafinha busca a jogada individual e chuta forte, mas sem precisão. Novamente aos 36 minutos, Rafinha vai ao ataque e chuta duas vezes, desta vez com a bola passando perto da meta, batendo na rede pelo lado de fora.
Com a proximidade do fim da partida, os jogadores do Coritiba aparentaram mais nervosismo, errando muitos passes. Poucas oportunidades foram criadas, e nem as jogadas de bola parada, seja nas faltas com Ricardinho ou Jackson, como nos escanteios, seja com Rafinha, Ricardinho ou Alexandre, deram resultados. Ou era bola para fora, ou era bola na mão do goleiro do Brasiliense, irritando os torcedores do Coxa.
Ansioso no gramado, o time Coxa-Branca errou muito nos minutos finais, o que fez o time adversário gostar do jogo.
Nos cinco minutos finais, o Brasiliense teve duas ótimas chances para marcar o seu segundo gol, em lances de contra-ataque. Mas para a felicidade da torcida do Verdão, ambas as conclusões foram para fora, com a bola passando perto da trave. Placar final 1x1, perante quase 28 mil torcedores.
Nas duas próximas rodadas o Coxa sai do Alto da Glória, para enfrentar o Corinthians (quarta-feira) e a Ponte Preta (domingo).
Foto: Marcelo Schiavon/Coxan@utas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)