
EDITORIAL
O estádio Nelson Medrados Dias não oferece condições ideais para um jogo decisivo, envolvendo o clube de maior torcida no litoral contra o time de maior torcida no Estado.
Não há indicação de saídas de emergência para a torcida visitante, bem como não houve separação de torcidas de uma forma eficiente. Sem áreas de escape, as torcidas ficavam muito próximas no estádio.
Ambas as torcidas saíram simultaneamente, um erro crasso na estratégia de prevenção que deveria ser realizada pela Polícia Militar.
Dentro do estádio, garrafas d’água e até limões foram atirados contra os torcedores do Cori. Um limão foi atirado contra um conselheiro do Coritiba. Outra garrafa d’água mineral quase atingiu um Coxan@uta.
O estádio Nelson Medrado Dias também não tem um espaço adequado aos dirigentes dos times visitantes. Aos dirigentes do Coritiba foi reservado um espaço nas cadeiras sociais do estádio. Não havia separação desse espaço da torcida local, bem como não havia policiamento preventivo nesse espaço. Em suma, os dirigentes do Cori ficaram lado a lado da torcida local.
Encerrado o jogo, os dirigentes do Coritiba tiveram que sair junto com os torcedores locais, diversos com ânimos exaltados, face a derrota do seu time. Tão exaltados, que acabaram por agredir o filho do Presidente Giovani Gionédis e um amigo seu.
Por outro lado, os dirigentes do Coritiba foram obrigados a sair no mesmo local onde estavam presentes o Prefeito de Paranaguá, cercado por integrantes da guarda municipal, e torcedores do time local.
O Prefeito declarou ter sido ofendido com palavras. Em troca, agrediu com uma garrafa de água mineral os dirigentes do Coritiba, sendo réu confesso em entrevistas para emissoras de rádio e de TV.
Logo depois, alguns dos guardas municipais agrediram Domingos Moro e o atleta Vagner, do Coritiba. Chegam policiais da Rone, que usam dos cacetetes para dispersar os guardas municipais agressores dos dirigentes Coxas.
Como as torcidas saíram simultaneamente, era previsível o encontro de torcedores de times diferentes. Infelizmente o pior ocorreria.
Noutro erro crasso, não se fecharam as ruas de acesso à saída da torcida do Coritiba para o trânsito de torcedores com camisas do time do Rio Branco e do A. Paranaense, que lá estavam esperando a saída dos torcedores do Coritiba.
A não separação das 3 torcidas (diversos torcedores do A. Paranaense estavam juntos com alguns torcedores com camisas do Rio Branco; do outro lado, a torcida do Cori) numa única rua que passa atrás das cadeiras sociais e do espaço da torcida visitante, propiciou a exaltação dos ânimos de todos os lados. Disso para a confusão, foi um pequeno passo. Em suma: do lado de fora do estádio, mais agressões.
Alguns dos torcedores do A. Paranaense e do Rio Branco começaram a atirar pedras em direção aos torcedores do Coritiba. Agressões físicas de ambos os lados. Correria, gritaria, agitação. Integrantes da Polícia Militar e Rone agiram. Em meio a carros parados no meio da rua, pois os motoristas ficaram receosos com a confusão.
Pessoas correndo no meio da rua, entre os carros, alguns dos quais parados, outros em movimento. Felizmente não ocorreram atropelamentos.
Para evitar mais brigas, alguns policiais em carros ou motos, outros a pé, fizeram um cordão de isolamento entre as torcidas.
A polícia procurou serenar os ânimos e conter a agitação. Regularizou o trânsito ao fazer a escolta do ônibus da Império e dos veículos de torcedores anônimos do Coritiba. A polícia escoltou os torcedores Coxas até a saída da cidade.
Não foi notificado da existência de pessoas com ferimentos graves. Mas quase que a totalidade dos incidentes poderia ser evitada com algumas medidas simples de separação de torcidas, fechamento de trânsito em algumas poucas ruas, liberação da torcida visitante antes da torcida local.
Num conflito generalizado entre torcidas, não se pode ao certo identificar quem iniciou ou não a confusão, quem tem ou não razão. Com a atual condição do estádio Nelson Medrado Dias, que não dispõe de um sistema de monitoramento por câmeras, é humanamente impossível identificar todos os incidentes e seus causadores. Entretanto é de responsabilidade do clube mandante da partida propiciar conforto e segurança aos torcedores.
Imagens de emissoras de TV, gravações de emissoras de rádios estão aí para serem aproveitadas pelas autoridades na solução do caso e punição exemplar para os envolvidos nas agressões, independentemente da cor de camisas que eles usavam.
As atitudes agressivas de alguns não representam a seriedade das comunidades de tanto de Curitiba como de
Paranaguá.
O futebol precisa ser repensado.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)