
EDITORIAL
O Coritiba vive atualmente uma das piores fases de sua longa história. Elenco com jogadores próximos da avaliação medíocre, contratações de profissionais com qualidade muito questionável, total descrédito dos dirigentes e uma torcida muito apreensiva. Quais as causas levaram o Coritiba a este quadro?
Para maior parte da torcida, a causa desta situação é unicamente da Diretoria Executiva que insiste na política de contratar “pangarés”. Essa política se estende desde a escolha de jogadores para formar o elenco, passando por treinadores até o coordenador de futebol.
De fato, tal política nos custou um rebaixamento no campeonato nacional, seguidas eliminações na Copa do Brasil e, por último, a precoce eliminação do campeonato estadual frente a uma equipe de pouquíssima expressão histórica (apesar de muito bem dirigida, tanto dentro, como fora de campo) e com um time apenas razoável. Eliminação também causada pelos erros de um treinador incapacitado que jamais deveria estar dirigindo o Coritiba.
Para fugir das críticas, a Diretoria Executiva do Coritiba tem se isolado cada vez mais. Isso é um fato comum em situações como essa: a incapacidade leva um gestor a fugir ao diálogo com os seus colaboradores. Mas isso tem, mais cedo ou mais tarde, a conseqüência ou da decadência da empresa ou da substituição do gestor.
No setor privado há mecanismos que permitem que o gestor seja avaliado e para que, em caso de falhas do gestor, a empresa não sofra com a incompetência deste. No Coritiba também há mecanismos para avaliar e corrigir erros de seus gestores. O Coritiba tem um conselho eleito que deve avaliar e, se for necessário, intervir para que o Coritiba não seja prejudicado.
Porém, no Coritiba, o Conselho de Administração tem assistido, em silêncio irritante, aos freqüentes erros da atual Diretoria Executiva do Cori. Logo, a Diretoria Executiva não é a única culpada. Afinal, omissão também é crime! E um crime que fere o coração de muita gente.
Quando o atual Presidente assumiu pela primeira vez, o Coritiba vivia uma política onde os dirigentes anteriores tinham a única preocupação com a montagem do elenco, com despesas (salários) e investimentos (contratações) exorbitantes e pouca preocupação com a geração de receitas que tal time pode gerar no mercado de torcedores.
Este panorama foi alterado e é um mérito da atual administração. Porém, a gestão do Coritiba e sua política de investimentos ainda estão à anos-luz do que deveria ser.
O futebol deixou de ser uma atividade meramente de entretenimento e passou a ser uma atividade predominantemente de finalidades econômicas. Atualmente há a necessidade de profissionalização da forma de gerenciamento.
A forma de administração paternalista ainda vigente no Coritiba não acompanha as exigências decorrentes dessa profissionalização. Para isso, há que se aplicar as modernas técnicas de gerenciamento, bem como desenvolver a partir daí as técnicas específicas para o setor. É preciso construir uma estrutura de projetos que possam configurar o futuro do Clube.
Os componentes de negócios incluem não somente funções gerenciais como planejamento, organização, direção e controle, mas também áreas como contabilidade, marketing, economia e finanças e Direito. Este gerenciamento, de um modo geral, está além da capacidade daqueles que, no passado, conseguiram fazê-lo com sucesso e por isso se auto-intitulam “conhecedores do negócio”.
Dessa forma, já não é mais possível admitir a transformação de um nome histórico do futebol do Clube num gestor esportivo, apenas em função de sua trajetória esportiva. As organizações precisam de gestores técnicos que estejam preparados a ajudar seus dirigentes e sua equipe a formular e alcançar suas metas e objetivos. Edward Freedman, o responsável pelo marketing do Manchester United da Inglaterra, em 2004 já alertava que “os clubes brasileiros precisam de profissionais especializados, que entendam o mercado e saibam otimizar as oportunidades comerciais”.
A indicação de Hidalgo para o cargo de Coordenador de Futebol é um exemplo deste tipo de erro. Exemplo de que o Coritiba continua parado no tempo, sem aprender com os erros e sem evoluir. A falta de profissionalismo ainda impera no Coritiba. É mais um grave erro da diretoria que, é importante ressaltar, tem o aval do omisso do conselho Coritibano.
Até então, Zanchi foi o culpado pelas contratações, mas as que deram certo foram responsablidade só do Hidalgo?
Assim como é um retrocesso a indicação de um jornalista (o Sr. Hudson José) para o cargo que era para ser de Diretor de Marketing e agora voltou a ser apenas uma Coordenação de Comunicação.
Como avaliam estas decisões da Diretoria Executiva os Conselheiros integrantes das Comissões de Futebol Profissional e de Marketing?
Erros como esse implicam em erros propagados na seqüência das atividades. Um exemplo disso é a forma de seleção usada para a contratação de jogadores no Coritiba. São comuns os casos de jogadores que tiveram bom desempenho em outras equipes, não repeti-lo no Coritiba. Isso ocorre porque os atletas são contratados sem um critério e sem a avaliação completa dos atletas. Contrata-se jogadores pelo que estes produziram nas equipes anteriores, sem se analisar as características deste atleta dentro de diferentes sistemas táticos e sem confrontá-las com as necessidades do elenco Coritibano.
Um bom exemplo disso é a recente contratação do arrojado ala Andrezinho. Ele traz consigo ótimas referências, porém todas elas com ele jogando no sistema tático 3x5x2. Certamente, deve ter um grande potencial. Porém, já vimos durante o Campeonato Paranaense a incapacidade da zaga coritibana em jogar neste esquema.
Será que o Andrezinho vai conseguir desempenhar todo seu potencial jogando em um esquema no qual o Coritiba terá que jogar? Espera-se que sim! Pelo bem do Coritiba.
A Diretoria Executiva se defende, dizendo que não vai “cometer loucuras” e que está uma política para sanear as finanças do Clube. Segundo eles, é preciso restringir os gastos com investimentos na montagem do elenco para que o Coritiba possa equilibrar suas receitas. Porém, contrariando esse conceito, foi deliberada a anistia do pagamento aos Conselheiros.
A proposta coletiva da Diretoria Executiva, Mesa do Conselho de Administração e Conselho Fiscal do Clube resultará, segundo estimativas, na não arrecadação de quase R$ 600 mil no biênio 2006/2007. O que demonstra uma grande contradição entre o discurso e os atos da atual Diretoria.
E se não vão cobrar as mensalidades dos Conselheiros, por que não abrir novas vagas para o Conselho? Por que os sócios continuam à parte do processo de gestão do Clube? Por que os sócios, que na prática pagam o mesmo que os Conselheiros têm menos direitos? Por que os sócios não podem ter vistas ao orçamento do Alviverde?
Será que economizar no futebol é realmente o caminho certo para elevar as arrecadações do Coritiba? Qual a melhor alternativa para garantir um clube forte no futuro, desempenho esportivo ou desempenho financeiro?
Estudos, Szymanski e Kuypers – 1999, sugerem a existência de correlações significativas e diretamente proporcionais entre desempenho esportivo e gasto com salários e entre desempenho esportivo e geração de receitas no mercado de torcedores. Em outras palavras, isto quer dizer que, embora um time “caro” nem sempre vença um time “barato”, a médio e longo prazo, o relacionamento entre gasto com salários e desempenho no Campeonato é bastante significativo.
Do mesmo modo, times mais vitoriosos em longo prazo provavelmente atrairão maiores receitas. Tradicionalmente, esta característica do negócio futebol tem feito com que a maioria dos dirigentes invista recursos significativos na montagem de um bom time, para que o resultado esportivo venha acompanhado do aumento de suas receitas. Por que no Coritiba se faz o contrário?
As receitas dos clubes de futebol antes eram advindas principalmente da negociação dos passes dos atletas, ou seja, "vende-se os atletas ao invés de vender o produto". Com a extinção do passe, os clubes enfrentam a necessidade de explorar o "produto futebol" para garantir sua sobrevivência econômica, sendo que muito pouco é feito em termos de melhoria do marketing no futebol.
Atualmente dentre as principais fontes de receitas dos clubes destacam-se os patrocínios, licenciamentos, parcerias, bilheteria e venda de direito de transmissão de jogos.
Os clubes profissionais devem buscar formas alternativas, além das descritas acima, de incrementar seu crescimento econômico baseadas na capacidade de reter e aumentar o público consumidor e consolidar e expandir a sua marca. É a partir dos torcedores que todos os outros clientes (TV, patrocinadores, etc.) surgiram.
A avaliação econômica de um clube de futebol, o seu valor (ou seja, sua capacidade de geração de receitas) está na força e distribuição desses seus clientes principais: quantos torcedores o clube tem? Qual é o retorno de um jogo em termos de audiência (tanto no estádio quanto pela TV)? Qual a intensidade desta devoção? Qual é a expansão demográfica dos torcedores?
Como exemplo dessa política podemos citar o Manchester UNITED, cujos resultados obtidos pela avaliação de valor do Manchester United PLC demonstram que a empresa mantém crescimento econômico sustentável, mensurado pelos efeitos da alavancagem financeira e operacional.
O clube inglês conta com uma estrutura sólida, formada por executivos financeiros e estrategistas de renome internacional. Dessa forma, desenha-se um cenário otimista, sustentado pela evolução histórica de seus indicadores financeiros e operacionais.
Para sair desta crise, o Coritiba precisa se modernizar e profissionalizar. É necessário observar e absorver as experiências de sucesso de outros clubes. É necessário que se adote uma visão estratégica de serviços, definindo os elementos básicos como o mercados-alvo, conceito de serviço, estratégia operacional e sistema de prestação de serviço. Ainda, é necessário que haja a integração destes elementos, o que significa a formação de competências dentro do clube.
Não é mais admissível que uma diretoria alegue não conhecer os tempos de duração dos contratos dos atletas... Isso demostra irresponsabilidade por parte dos gestores Coritibanos. Também, não se pode mais aceitar que a torcida sofra humilhações causada por inoperância da diretoria, como no caso da interdição do Estádio Couto Pereira. Ninguém sabia que nosso patrimônio precisávamos de hidrantes?
Reparem: a regra número um do futebol é o campo de jogo. Sem ele, não haverá jogo. Logo, o Estádio Couto Pereira é nossa prioridade. E se uma exigência legal para utilizar um estádio de futebol é a existência os itens de segurança ao público, eles são prioridade.
Vejamos, se a Diretoria Executiva não sabia das necessidades do Estádio, se diz não saber o tempo de duração dos contratos dos jogadores, se não foi capaz de montar um elenco ao menos razoável, se não soube escolher um treinador e um coordenador de futebol qualificados, do que é que a Diretoria Executiva sabe então? Do que é que esta diretoria está cuidando?
Já que se decidiu economizar contratando um coordenador de futebol sem qualificação e na montagem da equipe, poderíamos ao menos ter um treinador qualificado. A oportunidade está batendo à porta. Bonamigo está aqui em Curitiba, desempregado...
Mesmo com tudo isso, não se vê qualquer tipo de ação do Conselho de Administração do Verdão. Onde está o Conselho? Rumores internos noticiam que a oposição decidiu esperar por 10 jogos do Brasileiro para tomar alguma providência.
Repete-se, assim, o mesmo erro que do Campeonato Paranaense. Prova de que no Coritiba não se aprende com os erros. Onde estão aqueles que nas eleições diziam poder fazer muito mais pelo Coritiba? Vão esperar até as próximas eleições para tentar ajudar o Coritiba? Poderá ser muito tarde, senhores!
É hora de surgir uma nova força, uma nova liderança no Alto da Glória. Alguém distante das atuais correntes políticas, seja da situação, seja da oposição. Uma força independente, uma novidade, sem comprometimentos com o estado das coisas e sim, com a Torcida do Coxa.
Conclusão:
O Coritiba precisa de uma gestão responsável e competente. Precisa também de um Conselho atuante e participativo. É necessário que Conselheiros e Diretores assumam suas responsabilidades. O Coritiba não pode mais esperar!
Equipe Coxan@utas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)