
EDITORIAL
(Este editorial foi escrito por Leonardo Boguszewski, colaborador do site dos Coxan@utas, e publicado no novo site da Império Alviverde. Como acreditamos que a sua opinião vai ajudar a clarear as idéias dos torcedores, decidimos divulgá-la também neste espaço).
O maior campeonato de futebol do mundo começou há pouco mais de uma semana. Ele, que é o responsável a cada ano por abastecer o mercado europeu e renovar o estoque de craques da seleção brasileira, proporcionou até aqui duas grandes rodadas e deixou com água na boca o torcedor brasileiro.
Desde o primeiro duelo, quando um só jogador balançou quatro vezes as redes do adversário, até o último domingo, quando torcedores - se é que podem ser chamados assim - pagaram ingresso para torcer contra o próprio time, o Campeonato Brasileiro nos proporcionou grandes momentos.
O assunto da semana, então, não poderia ser outro. O futebol brasileiro vem nos dando motivo suficiente para passarmos horas conversando sobre o espetáculo apresentado dentro das quatro linhas e nas arquibancadas de todo o país.
No entanto, não é bem assim que as coisas acontecem por aqui. Num país que está há anos no topo da corrupção mundial e nunca foi exemplo algum de honestidade, não é de se estranhar que o campeonato nacional de futebol não seja decidido dentro de campo.
Dessa forma, é realmente complicado que o espetáculo proporcionado pelos jogadores seja o principal assunto por muito tempo. Pior para nós, donos da maior torcida do estado, que somos obrigados a ver mais uma vez o nosso Coritiba envolvido em histórias de tribunal.
O Coritiba está sendo, com o caso Ataliba, vítima da mudança de pensamento da cartolagem brasileira. O que era divertido para eles anos atrás, hoje já não é suficiente para satisfazê-los.
Basta observar o exemplo do próprio Coritiba, rebaixado para a segunda divisão anos atrás por uma simples canetada, ou do Fluminense, mantido na elite mesmo depois de ser rebaixado no campo. Nesses dois casos, a injustiça imperou sobre o bom senso, mas pelo menos ficaram claras as absurdas intenções dos homens fortes do futebol brasileiro.
De um tempo pra cá, porém, houve uma mudança na forma do tapetão acontecer. O que antes era imediato, agora acontece em doses homeopáticas, numa clara intenção de tentar esconder o que se passa por trás de uma simples punição.
Foi assim ano passado com o Paysandu, que perdeu 8 pontos e quase acabou rebaixado, e está sendo assim com o Coritiba, que, por ser um sério candidato ao título e não pertencer ao grande eixo do futebol brasileiro, corre o risco de perder 6 importantes pontos logo no início da competição. Se o mesmo problema acontecesse com Vasco ou Corinthians, eles perderiam os pontos?
Fica a dúvida no ar. Enquanto isso, só nos resta lamentar que o regulamento do campeonato permita confusões como essas e, inevitavelmente, continuar assistindo as belas jogadas dos atletas perder espaço para o passatempo dos cartolas.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)