
EDITORIAL
A equipe de administradores do site Coxan@utas vem, através deste editorial, expressar o descontentamento e insatisfação com o atual momento atravessado pelo Alviverde do Alto da Glória, que reflete o sentimento de boa parte da torcida Coxa-Branca. São torcedores e mais torcedores que entram em contato com a equipe do site, seja através de mensagens eletrônicas, seja pessoalmente. Gente que ama o Coxa, que envia suas cartas às emissoras de rádio, TV, jornais, posta suas mensagens em fóruns e listas de discussão. Todos somos torcedores comuns e precisamos que as pessoas que estão dentro do Coritiba nos tratem com o devido respeito, dando-nos condições dignas de entrar em campo e honrar as tradições dos seus mais de 96 anos.
Isto, que é o mínimo, não vem sendo observado. O time faz uma campanha vexatória no fraquíssimo Campeonato Paranaense. O sinal de alerta geral está ligado. A torcida Coxa-Branca não merece passar por estes vergonhosos momentos. Não se trata de uma situação momentânea e passageira. Com este elenco, o Cori não alcançará o sucesso de voltar à primeira divisão.
Todas estas situações, evidentemente, não são propositais. O Coxa conta com dirigentes capacitados no Departamento de Futebol (Hidalgo, Zanchi e Frega) para tirá-lo desta situação, mas estes dirigentes parecem estar precisando despertar para uma realidade evidente: o time precisa de, no mínimo, mais quatro jogadores com qualidade para serem titulares (dois meias e dois atacantes).
Elenco
A dura realidade que estamos enfrentando é a da fragilidade deste elenco. Por isto, é preciso que o Departamento de Futebol comece a trabalhar para que contratações de impacto (retorno dentro de campo, sob forma de resultados) sejam realizadas dentro de um curto espaço de tempo, trazendo jogadores de qualidade, comprovando, assim, sua competência.
Caso o entrave seja a questão envolvendo o orçamento, o Executivo deve trabalhar da melhor maneira possível para que alternativas financeiras sejam criadas (novas receitas), destinando ao Departamento de Futebol o maior orçamento possível, bem como buscar novas receitas e otimizar a gestão de recursos (neste sentido, contratar certo é fundamental). É hora de abrir os cofres do Alto da Glória e investir certo, pois mais um ano na segunda divisão custará muito mais caro que a formação de um novo elenco profissional.
Não é possível que se vá esperar mais tempo para buscar jogadores de qualidade comprovada no cenário nacional e até internacional, se for necessário. As disputas dos estaduais já estão a pleno vapor, e isso já é uma dificuldade para o Clube buscar novos jogadores, mas, quanto mais se esperar, menos jogadores disponíveis o mercado oferecerá.
Promessas da gestão atual
Não é demais lembrar das promessas que foram feitas no ano passado. A principal delas, ainda muito viva na memória de todos os Coxas-Brancas: da Diretoria Executiva, vinha a promessa de montar um bom time, com capacidade de voltar à primeira divisão já em 2007; da oposição, a de fiscalizar a gestão do Executivo; das lideranças do Conselho Administrativo, de ter dois anos de gestão atuante e fiscalizadora.
Logicamente, ninguém pode garantir que algum time vá conquistar um título, já que o futebol envolve diversos fatores imprevisíveis, mas, com o atual elenco, dificilmente se pode esperar uma campanha razoável na série B.
E aí entra um ponto crucial em qualquer análise envolvendo um time de futebol: a gestão estratégica de um clube. Tudo gira em torno disto, em maior ou menor escala. Mas este é um aspecto para ser analisado de uma forma mais profunda, merecedora de uma análise exclusiva deste tema. Por enquanto, fiquemos numa etapa deste processo sistêmico, o que mais interessa ao torcedor Coxa-Branca neste momento: o seu time (sem esquecer, é claro, da promessa de conclusão do terceiro anel do estádio Couto Pereira, que foi várias vezes repetida durante a campanha).
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Planejamento
O Campeonato Paranaense não é parâmetro para análise de qualidade (isso quando se faz uma boa campanha). O ano passado é uma prova disso. Mesmo chegando em segundo lugar na competição, o Cori foi rebaixado no Brasileirão. Mas, para se observar falta de qualidade, o nosso estadual é excelente, e, para isto, estas seis rodadas já serviram (N. E.: este editorial foi redigido antes da partida contra a ADAP, que encerrou a participação do Verdão no primeiro turno do Estadual).
A filosofia de fazer testes durante o Campeonato Paranaense, além de muito arriscada, é equivocada, à medida que é muito mais difícil fazer contratações durante o mês de abril, já que, geralmente, os melhores jogadores fazem seus contratos em janeiro pelo período de, no mínimo, um ano. Desta forma, fica muito complicado retirar um jogador de um time, já que existe a multa rescisória.
O planejamento do futebol coritibano prevê que, nos meses de março e abril, haverá um maior investimento em contratações, já que, neste período, há a previsão do repasse da terceira e última parcela do pagamento da venda do Rafinha. Entretanto, este plano é temeroso, tendo em vista que os adversários podem adotar outras estratégias, compondo seus elencos antes de abril.
Devido a este contexto, é necessário que esta receita seja bem investida. Qualidade total nestas contratações é o que se espera: jogadores para serem titulares, para resolverem partidas, para levarem o Coxa novamente à Série A. Não é o nome conhecido que trará algum jogador ao Coritiba, mas sim a qualidade técnica dele, somada à necessidade do elenco. Por isto, é necessária uma avaliação muito criteriosa da contratação.
Criar alternativas dentro do orçamento, esteja ele reduzido em relação ao ano passado ou não, será mais uma comprovação de que a gestão financeira de Gionédis é mesmo boa. Giovani e todos os seus companheiros eleitos em 5 de dezembro do ano passado têm a obrigação junto à torcida de devolver o Coxa à divisão de elite do futebol brasileiro ainda este ano.
Estrutura interna
E o Conselho de Administração, como avalia este momento? Não se observa uma manifestação clara, incisiva, fiscalizadora, avaliando e orientando sobre o momento e as correções possíveis ou imagináveis dos erros. Se o tempo foi curto para esta análise, que seja otimizado, pois a análise do torcedor já foi feita: os resultados são desanimadores, insuficientes, decepcionantes.
Para um Executivo que prometeu fazer da volta à Primeira Divisão a prioridade do Clube este ano, até aqui o que aconteceu ficou muito aquém do mínimo desejável; para quem prometeu ser uma oposição fiscalizadora e atuante, uma nota num jornal fica aquém do necessário. E para quem desejava um Conselho de Administração que fiscalize os atos (resultados) do Executivo, um gosto de “quero mais, muito mais”.
Se, por um lado, o pouco tempo de gestão faz parecer que o Conselho de Administração ainda não tenha tido o tempo necessário para avaliar o desempenho dos gestores coritibanos, por outro lado, os times adversários nada têm a ver com isto, e estão se beneficiando de um recomeço no futebol do Alto da Glória. É um dos ônus do cargo. Certo ou errado, para o torcedor, o que importa são as vitórias. Sem elas, todos os discursos caem por terra.
Novamente se vê, respeitando-se as diferenças, a necessidade da simbiose entre Conselho Executivo e Conselho de Administração: um faz; o outro fiscaliza a execução, avaliando também o estabelecido pelo Estatuto do Clube. Sem a realização de uma gestão nestes moldes, tudo fica mais difícil para o Verdão. Pensando nisto, acreditamos em uma (boa) novidade na gestão do Conselho de Administração, que criou duas novas Comissões, sendo uma delas a do Futebol Profissional (a outra, a do Marketing).
É compreensível que, quando Rafinha foi vendido, não se imaginasse que o time cairia de divisão em 2005. Mas o imprevisto se tornou real. Agora, uma nação vive outro momento. Mais do que nunca, Diretoria Executiva e Conselho de Administração do Coritiba precisam atuar com competência, um realizando, outro fiscalizando.
Série B
Nota-se que o Clube parece estar sem um “plano de guerra”. Enfrentar uma segunda divisão é algo para ser colocado no papel e planejado jogo a jogo, especialmente os jogos no Couto Pereira. A montagem do elenco deve ser pensada a partir deste plano. Por exemplo, não se vê, faz muito tempo, no Alto da Glória, jogadores com a capacidade ímpar de fazer gols.
Os tempos de jogadores como Zé Roberto, Duílio, Chicão, Magrão, são remotos. Para montar o time, a Diretoria poderia começar trazendo jogadores desta posição, pelo menos dois, aquele que autenticamente tenha faro de gol; depois buscar dois meias rápidos e habilidosos, com a qualidade de dar ao matador a oportunidade de exercer sua função.
A conjugação disso seria perfeita para a busca de resultados, principalmente dentro de casa. Não é difícil perceber que, por duas vezes, o Alviverde quase conseguiu implantar esta filosofia, mas sem sucesso. Então, novamente é hora de avaliar o que deu certo e rever onde estava o erro, para buscar a implantação de uma filosofia de sucesso no futebol do Alto da Glória.
Na primeira vez, em 2004, foram trazidos Tuta, Luiz Mário e Aristizábal. Contudo, o setor de criação era fraco por demais, e o trio acabava isolado na frente. Na segunda vez, em 2005, o time chegou a contar no início do campeonato brasileiro com o meio-de-campo mais criativo do certame: Marquinhos e Alexandre (depois Caio foi incorporado ao time) criavam bastante, mas, lá na frente, Negreiros, Tiago, Marciano e tantos outros tratavam de perder incrivelmente gols feitos.
Em 2006, a conjugação de um bom setor de criação com um ataque que faça muitos gols é a premissa da qual o Alviverde deve partir para que o sucesso seja alcançado. O setor defensivo não deve solicitar maiores cuidados, já que, tradicionalmente, o Verdão tem bons defensores. Neste ano, o Clube já trouxe bons jogadores para a defesa e não deve ter muitos problemas com este setor durante o Brasileirão da Série B.
A novidade implantada pela CBF de que quatro equipes subirão à primeira divisão pode ser considerada como a primeira grande notícia para a torcida Coxa-Branca em 2006. Aos dirigentes Alviverdes, é preciso muito cuidado com a avaliação desta notícia.
A competitividade da série B será ainda maior, e, com isto, a necessidade de se ter um bom elenco vai se tornando cada vez mais essencial. Além disso, não se sabe até quando a CBF manterá esta fórmula, podendo até mesmo ser que este seja o único ano de utilização dela.
Nos próximos anos, a tendência da série B é se tornar ainda mais difícil, na medida em que, com o rebaixamento de quatro equipes da 1ª para a 2ª divisão, as chances de que times tão tradicionais quanto o Coritiba venham a integrar a segunda divisão crescem muito.
Esta, inclusive, é uma preocupação do Clube dos 13, que pode passar a se enfraquecer na série A na medida em que seus filiados vão sendo rebaixados.
Os exemplos de Bahia e Vitória, grandes clubes, hoje na série C do Brasileirão, devem ser muito bem avaliados pela direção Alviverde, a fim de que uma tragédia ainda maior seja evitada.
Desta forma, nota-se que é essencial que o Cori volte a disputar a primeira divisão já em 2007. Isto é o que a torcida espera e é a principal obrigação da atual diretoria.
Ouro-da-casa
Os jovens oriundos das Categorias de Base do Verdão, que hoje estão sendo colocados no time principal, devem ser tratados com o máximo de cuidado. Caso o treinador sinta que não é o momento de colocar o jogador, é melhor que ele seja poupado, por mais qualidades que tenha, para que toda uma carreira não seja prejudicada por ter sido lançado de maneira precoce.
Os “Ouros-da-casa” devem ter oportunidades de aparecer, mas não devem ser vistos como salvadores da pátria, pois isto não é o planejamento tão necessário para fazer do Coritiba um time forte dentro de campo.
Torcida: apoio somado à cobrança inteligente
Com toda a certeza, a torcida está ao lado do Clube, independente de dirigente, técnico ou jogador. Diga-se de passagem, sempre foi assim. A eternidade do Cori é a força que move a torcida. Lutar por um Coxa melhor é uma obrigação de todos os torcedores, e ainda mais dos dirigentes. Com eles, está a responsabilidade da volta do Verdão à primeira divisão do futebol brasileiro. Mas, além do apoio vindo de sua fiel torcida, é certo que os jogadores, dirigentes e outros profissionais do Alviverde receberão muitas cobranças, pois a queda à Série B ainda é muito amarga para a coletividade Coxa-Branca.
A torcida AMA o Coritiba e sempre vai AMAR. Isto já é uma marca de todos os torcedores do maior e mais tradicional Clube deste estado. No entanto, quem AMA cuida, e por isso toda a nossa preocupação e atenção com a fragilidade do elenco, e a necessidade primordial de reforçá-lo.
Conclusão
Mais do que encontrar um culpado, é necessário analisar todo o contexto do Clube. É evidente que o trabalho do novo comando de futebol é questionável, mas, mais questionável do que isso é o trabalho realizado no novo mandato de Giovani Gionédis, que até agora pouco tem inovado.
O que não pode acontecer é a manutenção destes resultados pífios e humilhantes. Isto é o que estamos chamando de falta de respeito com a torcida Coxa. Evidentemente, a mudança destes resultados passa por uma injeção de qualidade no elenco. Para o estadual, já não há mais tempo para trazer reforços (o prazo para as inscrições está encerrado), mas esta é uma competição secundária se comparada à Copa do Brasil e a volta à primeira divisão!
Porém, é muito necessário considerar que o Clube pode estar perdendo o direito de participar da Copa do Brasil no ano de 2007, caso não fique em os três primeiros colocados do Paranaense.
É óbvio que mais um título paranaense conquistado com certeza será comemorado. Mas, em se tratando de um time como o Cori, títulos regionais são obrigações, que não devem ser tratadas como se fossem coisas do outro mundo. Assim como voltar à Série A em 2007.
Coritiba, o Alto da Glória é o teu lugar!
Equipe Coxan@utas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)