
EDITORIAL
Dentro da mesma proposta do editorial publicado na primeira semana de fevereiro, Mais respeito com a torcida Coxa!, a equipe de administradores do site Coxan@utas vem, através deste editorial, propor uma análise funcional do novo Conselho de Administração do Coritiba, que tem a Mesa Diretora presidida pelo Sr. Julio Góes Militão da Silva.
A função do Conselho de Administração
O Conselho de Administração é composto por 120 Membros Titulares, eleitos pela Assembléia Geral, dentre os Sócios do Coritiba com direito a voto, cujo mandato é de quatro anos. O Conselho de Administração tem como função administrar o Clube, elegendo a Diretoria Executiva (presidida por Giovani Gionédis), orientando a atuação da mesma, fiscalizando-a e aprovando a gestão dos negócios sociais.
Confira aqui aqui a lista completa dos Conselheiros do Coritiba Foot Ball Club.
A nova Mesa Diretora do Conselho de Administração do Cori tomou posse em 05 de janeiro. A esperança de que houvesse grandes mudanças já parece começar a se esvair. A situação interna do Coxa era (na época da posse do Conselho) e ainda é grave até hoje e requer providências urgentes.
É preciso lembrar que a eleição para a Mesa Diretora do Conselho foi vencida pela oposição a Giovani Gionédis e isso gerou uma expectativa de que a atuação do Conselho de Administração venha a ser bem mais efetiva do que historicamente vinha sendo, fiscalizando intensa e amplamente todas as ações do Executivo.
Entretanto, é necessário presumir que as divergências políticas internas do Clube já estejam encerradas, e que o Conselho de Administração agora atue dentro de uma ótica que vá muito além da política Coxa-Branca, indo de encontro aos interesses da coletividade e da instituição.
Mesmice retrógrada
O que se vê na prática é que as mudanças podem não ocorrer na totalidade desejável pela torcida Coxa. Avanços ocorreram, como é o caso da criação de duas novas Comissões do Conselho de Administração (uma para o futebol profissional, outra para o marketing do Clube).
Outra possibilidade bastante interessante é a da interatividade do torcedor junto ao Conselho, mesmo que de maneira extra-oficial (já que não há previsão expressa no Estatuto), sendo que isso pode passar a ocorrer em breve. Neste sentido, a função de planejamento estratégico para o Cori poderá vir a ser discutida entre Conselho, Sócios e Torcedores, numa proposta apresentada no dia 20 por representantes de torcidas aos integrantes da Mesa do Conselhão.
Mais uma novidade para 2006 é que o Conselho Fiscal do Clube esteja passando por uma fase de transição. Os integrantes eleitos até 2005 e os eleitos a partir de 2006 estão atuando juntos, na análise das contas do último trimestre do ano passado. Sem dúvida, um grande avanço institucional visando a transparência e a responsabilidade.
A iniciativa do Conselheiro José Augusto Arruda, integrante da Mesa do Executivo, que convidou os Conselheiros Homero Halila Pereira e João do Nacimento para colaborarem na área patrimonial do Clube é sinal de amadurecimento e responsabilidade. Vale lembrar que tanto Homero quanto João apoiaram Tico Fontoura nas eleições de dezembro, sendo que Homero chegou a fazer parte da chapa Campeão de Novo.
Mas estas quatro boas iniciativas, apesar de importantes, não são suficientes. É preciso mais, muito mais.
Para que se tenha uma idéia, a primeira reunião do Conselho foi realizada apenas no último dia 31, ou seja, quase um mês após a posse. É verdade que a Mesa do Conselho se reuniu diversas vezes antes da data da primeira reunião ordinária do Conselho de Administração, mas, na reunião para 155 Conselheiros, cerca 65 compareceram à reunião. Esta situação é lamentável, muito distante do necessário para termos um Clube mais forte, ainda mais neste momento complicado pelo qual passa o Verdão.
Outro fator que enfraquece a relação de isenção entre as forças internas do Clube é que a partir deste ano, por proposição de Gionédis, votada e aceita em reunião do Conselho (ocorrida ano passado), os Conselheiros estão isentos das cobranças das mensalidades durante dois anos (o biênio que será presidido por Giovani). Lamentável decisão, já que a independência financeira do Conselho de Administração seria uma ferramenta fundamental para o crescimento democrático do Clube.
Mais do que a ausência dos Conselheiros, a falta de interação na vida do Clube é algo que precisa ser revisto no Conselho de Administração do Cori, pressupondo um Clube voltado ao profissionalismo, ao mundo globalizado do futebol, ao Coritiba do século XXI. Só comparecer às reuniões não basta. É necessário mais: ir e participar de forma ativa, atuante.
Evidentemente, existem várias razões que podem impedir determinados Conselheiros de comparecer, mas em se tratando do número de ausentes é muito difícil que todos eles estivessem tão ocupados a ponto de não poderem participar da reunião. Mais do que isso: nesse momento, o Cori é um compromisso muito importante.
É histórico o grande número de Conselheiros que faltam às reuniões. As faltas, em geral, são justificadas com antecedência. Reiteradamente justificadas por uns, reunião após reunião. A pergunta que fica é: estariam estes faltantes em condições morais para votar nas eleições do Coritiba?
Qual a primeira conclusão que se pode tirar? Com tanta gente querendo ajudar (torcedores comuns), apenas uma parte das pessoas que podem efetivamente ajudar (sob a ótica estatutária do Clube) participam das reuniões, fazem parte das Comissões, acompanham o dia-a-dia do Clube de forma mais próxima e constante.
Afinal, para estes senhores faltantes ou cuja participação é quase nula, o que é ser um Conselheiro do Coritiba? É apenas uma marca? É o status? A posição social? Um interesse político? Ou ser Conselheiro vai muito além disto: é uma opção de vida voltada a destinar um tempo preciso de seus negócios, família e lazer para ajudar o Clube?
Logicamente, nem todos os Conselheiros merecem esta crítica, mas a questão é: como podem efetivamente colaborar com o Verdão aqueles que reiteradamente justificam suas ausências, tendo pouca ou quase nenhuma participação nas reuniões do Conselho de Administração (Conselho que nas Comissões, de maneira geral, tem apresentado uma participação efetiva no Clube).
É preciso frisar que, entre tantos Conselheiros, existem muitos prósperos empresários que caso pudessem tratar o Clube como tratam suas empresas, poderiam reverter a atual situação até com certa facilidade. São pessoas de sucesso, empresárias de renome, de competência reconhecida em seus ramos de negócio, que deveriam participar efetivamente do Coxa.
A participação da torcida
Uma tendência mundial é a da participação. As gerações surgem cada vez em prazos menores de tempo, com uma nova dinâmica de vida. Uma nova geração de torcedores sente-se de mãos atadas para participar da vida do Clube, buscando colaborar com as melhorias e os avanços. Neurônios, corações e braços dispostos a ajudar seu Clube de coração.
Algumas alternativas precisam ser estudadas neste sentido. Por que os sócios do clube não podem opinar sobre o orçamento do Coxa, depois de uma análise preliminar dentro dos Conselhos? Ora, não serão os sócios quem votarão no Presidente que comandará o Cori no ano de seu Centenário?
Outra alternativa: por que não fixar pelo Conselho de Administração, para os orçamentos do Clube, limites mínimos de investimentos e manutenção das Categorias de Base? Ou na área de marketing, visando reforçar a marca Coxa-Branca.
O Estatuto, sempre ele
Há ainda a questão do Estatuto do Clube, que, conforme se pôde perceber na confusão ocorrida durante e após as eleições, precisa ser revisto, não só pelo aspecto operacional, mas também pelo aspecto gerencial e estratégico de um clube de futebol. E neste caso, todos os Conselheiros do Coritiba precisam participar.
Um Estatuto condizente com o momento do futebol, bem como factível para o futuro do esporte, seja no aspecto mercadológico, seja no aspecto institucional e organizacional, que permita definir atribuições e responsabilidades voltadas à realização da missão do Coritiba Foot Ball Club, é uma ferramenta indispensável para o Cori ter sucesso dentro e fora de campo.
Mais do que a apresentação processual do Estatuto do Clube, algo indispensável, também é que o Estatuto reflita o que a coletividade Coxa-Branca espera do seu time de coração. Qual é a missão do Coritiba Foot Ball Club? Quais seus objetivos principais? Como atuar com relação ao futebol, à marca, ao patrimônio e à sua torcida?
Estes temas não deveriam ser abordados claramente no Estatuto do Clube? Como fazer o Coritiba do futuro sem esta visão de planejamento estratégico implantado na organização? Até quando trataremos somente no discurso, um Alviverde como uma empresa que visa o sucesso? São perguntas que os torcedores fazem a cada resultado decepcionante que toca o coração da maior torcida do estado.
Extra-oficialmente, sabe-se que a Mesa do Conselho de Administração tem interesse em rever o Estatuto do Clube, algo que precisa ser feito com urgência. Neste momento, entra em campo um fator fundamental: com um Conselho de Administração onde a atuação e a participação efetiva não ocorre em sua totalidade, o Coxa está em boas mãos? Diz o ditado que ”o bom é inimigo do ótimo”. Neste momento da existência do Clube, à beira do seu Centenário, a atuação da máxima esfera do Clube, o seu Conselho de Administração, tem que ter efetividade, tem que ser plena.
Conselho Fiscal: órgão de suma importância
Entenda a função do Conselho Fiscal: o Conselho Fiscal é composto por 5 Conselheiros (além de 5 suplentes), e tem como finalidades acompanhar e fiscalizar as gestões financeiras do Coritiba, e opinar sobre os relatórios de desempenho financeiro e contábil, e sobre as operações patrimoniais realizadas, emitindo pareceres para os organismos superiores e exercendo os poderes que lhe serão conferidos pelo Estatuto do Clube, e pelas leis do país.
O Conselho Fiscal também eleito em dezembro e empossado no dia 5 de janeiro, não tinha realizado a sua primeira reunião para eleição do Presidente da Mesa e dos secretários antes da primeira reunião ordinária do Conselho Administrativa (ocorrida no último dia 31).
Esta situação ocorreu devido à transição da Mesa do Conselho Fiscal, já que as contas do último trimestre do ano passado ainda estão sendo analisadas pela consultoria externa. Houve um acordo pelo qual integrantes da antiga mesa e a atual mesa do Conselho Fiscal façam trabalhos em conjunto, visando estabelecer uma transição que permita ampliar os resultados da análise das contas do Clube.
Uma elogiável decisão, que merece destaque a iniciativa dos Conselheiros em formar um grupo supra-partidário para compor o Conselho Fiscal. Avanço não só democrático, mas também institucional, num conceito moderno de gestão.
Um novo momento para o Conselho Fiscal, onde a análise de resultados seja praticada, completando a análise contábil feita pelas empresas contratadas, é o que se pode esperar de uma gestão fiscal responsável. Trata-se de uma nova dinâmica, mais ampla, complexa, buscando a análise mais profunda da gestão financeira responsável.
São situações relevantes que precisam ser permanentemente avaliadas. Por exemplo, qual avaliação financeira foi feita acerca das contratações realizadas, em termos de valores de contratos, procedência dos jogadores, coincidências entre eles, etc.? Ressalva-se, porém, que as reuniões do Conselho Fiscal são trimestrais, o que pode e deve ser revisto, otimizando os resultados.
Atenua a responsabilidade legal destes Conselheiros o fato da estrutura organizacional do Clube estar definida num formato que parece estar bem distante do ideal para uma empresa voltada ao sucesso (é mote comum falar que “O Coritiba precisa ser administrado tal qual uma empresa” ). Entretanto, mais do que atenuantes, é necessário discutir e corrigir desvios. Isto faz parte do planejamento de instituições voltadas ao sucesso.
E o que esperar do futuro?
Ao torcedor Coxa-Branca, fica uma dica muito importante: a melhor via para cobrar mudanças dentro do Clube é o Conselho de Administração. Mais do que discussões políticas internas do Cori, através dele é que as sugestões podem e devem ser levadas para âmbito interno.
Chegou a hora de executar e fiscalizar. E mais do que isto: planejar mais e mais o Coritiba do futuro. É preciso aproveitar este momento difícil para uma evolução nas estruturas do Alviverde. É preciso corrigir para aperfeiçoar, progredir, vencer, deixar uma gigantesca torcida feliz.
Criar alternativas para que a cobrança junto à Diretoria Executiva seja mais efetiva é mais do que função do Conselho de Administração. É, sim, uma obrigação que deve ser estritamente cumprida. Todo o idealismo apresentado pelos oposicionistas durante as eleições foi muito forte.
Agora, será preciso concentrar toda esta força nas sugestões, e até nas intervenções, quando for necessário, mas não como adversários políticos, e sim como atuantes Conselheiros.
O Coritiba não é um time de dono ou de donos, nem pode vir a ser. Todos têm que trabalhar visando um mesmo ideal. Foi assim durante muitos anos. As diferenças políticas que existem devem ser encaradas de uma maneira diferente da atual.
É necessário que interesses pessoais fiquem da porta para fora do Couto. Promoções de nomes visando outros fins serão identificados e levados às pessoas competentes para que analisem as situações e definam as medidas cabíveis. Em resumo, estamos de olho no Conselho (todos eles) e destacaremos aos torcedores do Coritiba as omissões, as conivências, as irresponsabilidades. Chegou a hora de fazer o Coritiba mais forte sair do papel, das cabeças dos seus dirigentes e do coração de sua enorme torcida.
Equipe Coxan@utas
Foto: Marcello Schiavon
Nota:
Os integrantes da Mesa do Conselho de Administração, se reúnem periodicamente às segundas-feiras, desde janeiro. Nesta segunda, 20, eles receberam os torcedores Luiz Carlos Betenheuser Júnior e Leandro Requena, que formalizaram a sugestão da criação de mecanismos de contato entre os torcedores do Verdão e o Conselho de Administração do Clube.
Durante esta semana, o site Coxan@utas publicará uma matéria exclusiva sobre as propostas feitas por torcedores à Mesa do Conselho de Administração visando a criação de duas comissões, uma para as torcidas e uma de planejamento
estratégico.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)