
EDITORIAL
Desta vez, contra o líder, o Coritiba não reeditou a excelente movimentação em campo e nas arquibancadas, que ocorreu na partida frente ao Figueirense. O Coxa jogou com pouca velocidade, marcando muito e procurando espaços pelo meio da área, enquanto o seu adversário, bem ao Estilo Lopes de ser, jogou para o gasto, segurando-se defensivamente e jogando no contra-ataque. O truncado jogo feito por coritibanos e corinthianos acabou sendo decidido num lance de bola, parada após uma falha de marcação de Anderson, que deixou Carlos Alberto livre na pequena área para marcar. A derrota contra o alvinegro paulista deixou o Coxa com os mesmos 42 pontos na tabela, e pela primeira vez neste Brasileirão entre os quatro times da ZR. Para sair desta incomoda situação, o Verdão agora precisa ganhar três dos quatro jogos que ainda lhe restam, pela ordem: Ponte (casa), A. Mineiro (fora), São Caetano (fora) e Inter (casa). Na próxima quinta-feira à noite, no Couto Pereira, o Alviverde do Alto da Glória precisa ganhar a qualquer custo da Macaca para continuar lutando por uma vaga na divisão principal do futebol brasileiro no próximo ano.
Primeiro tempo
O jogo começou com uma forte marcação imposta por ambos os times. Faltas e mais faltas e um futebol muito truncado não empolgaram os mais de 31 mil torcedores presentes no Estádio Couto Pereira, a maioria absoluta torcedores do Coritiba, contrariando a informação postada na versão eletrônica do Estado de São Paulo.
O treinador Coxa-Branca, Marcio Araújo, levou o time a campo com um 3x5x2, mas o apoio de Jackson pela direita deixou a desejar.
Lopes, que antes do jogo recebeu calorosos abraços dos seus ex-companheiros de trabalho (até o zagueiro Odvan, que atuou no Cori em 2003 esteve presente no Alto da Glória e cumprimentou o treinador), também optou pelo 3x5x2, postando seu time na defesa, esperando o Cori em seu campo de defesa, para tentar as subidas ao ataque usando da velocidade de Nilmar, puxador dos principais contra-ataques do time paulista.
O Coxa teve seu principal destaque no jogo com o ala esquerdo Ricardinho, que demonstrou muita vontade e voluntariedade, buscando o jogo tanto pelo lado esquerdo, como pelo meio de campo coritibano.
Com poucas chances de gol de ambos os lados, o Cori procurou dos chutes de fora da área a alternativa para chegar ao gol do Fábio Costa. Em duas cobranças de falta, um com Ricardinho, outra com Caio, o Coxa mostrou suas armas. Por outro lado, Maia e Renaldo até que tentaram triangular algumas jogadas ofensivas pelo lado Coxa-Branca, mas foram muito marcados e pouco ajudados pelos meio-campistas Caio, Capixaba (com uma atuação discretíssima) e Jackson (pouco efetivo no ataque).
O time adversário procurou fazer seu jogo ofensivo aproveitando as jogadas de bola parada. Tanto que o gol do alvinegro, aos 23 minutos, ocorreu na segunda jogada repetida pela direita. Ratinho cobrou, Anderson vacilou e deixou Carlos Alberto livre na pequena área para marcar aquele que seria o único gol da partida.
Depois do gol sofrido, o time Coxa-Branca pareceu sentir o peso da situação, errando passes e com vários jogadores tentando decidir sozinhos a partida, o que facilitou o sistema defensivo corinthiano, que simplesmente se fechava e afastava o perigo da grande área.
Maia procurava espaços pelo lado esquerdo, mas não tinha o domínio de bola necessário para abrir espaços na zaga adversária. Isolado na frente, Renaldo deixava a grande área para vir buscar o jogo, embolando o meio de campo coritibano.
Já o Alviverde Caio, tentava mostrar lucidez, mas extrapolando as jogadas individuais, tornou-se presa fácil para os defensores do time paulista.
O primeiro tempo terminou com a vantagem do time visitante e com pouquíssimas chances de gol, seja pelo lado verde e branco, seja pelo lado branco e preto.
Segundo tempo
Na segunda etapa, o treinador Márcio Araújo mudou o time no intervalo, sacando Maia para a entrada de Alcimar, que pouco mostrou, insistindo nas jogadas de bola carregada.
A mudança tática não deu resultado (avançando Caio para o ataque) e embaralhou mais o time Coxa-Branca. O treinador poderia ter optado pelo avanço de Jackson para o meio de campo e a entrada de James pela direita, sacando Capixaba, figura muito apagada no jogo, ou um dos zagueiros ou ainda o volante Peruíbe.
Apesar de ter um time mais avançado, o Cori não conseguia fazer jogadas mais agudas no ataque. Tentando chutes de fora da área, especialmente com Alcimar e Caio, o Alviverde do Alto da Glória teve um domínio estéril da posse de bola.
Vendo o time Coxa mais presente no ataque, o treinador coritibano tenta mudar o estilo do jogo, trocando Renaldo e Nascimento por James e Marcelo Peabiru. Apesar da mexida, tentando jogar mais pelos lados do campo (com Ricardinho e James), para aproveitar a estatura de Peabiru contra a alta zaga paulista, a estratégia não teve sucesso, mostrando-se infrutífera.
O Alviverde procurava mais o jogo, apesar do domínio territorial na segunda etapa não representar o que realmente era o jogo: um jogo truncado, muito marcado, pouco jogado.
Nos contra-ataques, o time adversário mostrava que iria manter a sua dinâmica de jogo: cercar, marcar e roubar a bola, para lançamentos de média e longa distância para os seus atacantes. Tanto que num lance individual do ótimo atacante Nilmar, que entrou pela esquerda e tocou rasteiro, Jô chutou por sobre o travessão, perdendo uma ótima chance para ampliar.
Caio teve uma boa oportunidade, numa bonita cobrança de falta, com a bola rasteira passando próxima da trave do goleiro corinthiano.
Num lance irresponsável do experiente zagueiro Flávio, deu uma cabeçada em Hugo e foi expulso, depois do assistente avisar o árbitro da partida.
Com um jogador a menos em campo, e com seu sistema tático defensivo totalmente desmontado, já que Nascimento havia sido substituído pouco antes da expulsão, o Cori ficou com a zaga desprotegida e sofreu alguns lances de maior perigo.
Os minutos finais do jogo foram meramente burocráticos. O líder Corinthians, pareceu muito bem adaptado ao pensamento tático de Antônio Lopes. Mais preocupado em marcar e desarmar, do que em armar e jogar, o time visitante deixou o jogo seguir para seu fim, sem tentar ampliar o marcador, mesmo em vantagem numérica. Pelo lado Coxa, os jogadores, muito mais na base da vontade do que da técnica, até que tentavam o empate, mas sem sucesso.
A torcida coritibana deixou o Alto da Glória em silêncio, e nesta quinta-feira precisará voltar a lotar o Estádio para ajudar o Coxa a superar a Ponte Preta, num jogo decisivo para o Cori permanecer na primeira divisão. Agora é tudo ou nada, três vitórias em quatro jogos para não depender de nenhum outro resultado.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)