
EDITORIAL
Tomo a liberdade de escrever uma coluna em forma de editorial. Sou pela premissa democrática, quase sempre ouço os integrantes da equipe.
Pela primeira vez tomo uma iniciativa de escrever algo como este editorial sem consultar os líderes principais do site: Marcelo Carneiro, o Rodrigo Schmidt e o JMN (Editor-Chefe vitalício, com quem aprendi algumas lições de honestidade e seriedade), que mesmo distante, por motivos profissionais, é uma inspiração espiritual para mim.
Por não ter consultado a equipe, esclareço: que não sei se esta minha posição se reflete na posição dos demais administradores do site.
O joio e o trigo: o AtleTiba já começou
Para encuntar a conversa com alguns: vão me perguntar, "Mas você está safisfeito com o Coritiba?". Satisfeito não, quero um Coxa ainda mais vencedor. Mas para mim, estar insatisfeito é muito diferente de estar infeliz. Eu sou feliz porque existe o Coritiba na minha vida e não será o resultado de uma partida que irá mudar isto.
O trabalho do treinador Cuca precisa ser revisto. Esta é uma premissa constante para o futebol profissional. Entretanto, as revisões, críticas e ajustes precisam ser feitas de forma coerente, sensata, serena e inteligente.
Nem tudo no Coritiba está errado. Não ouvi a torcida do Coritiba cantar "Olé!" na derrota frente ao Tricampeão das Américas (ouvi os gritos, mas os gritos eram da torcida adversária); não ouvi a torcida Coxa vaiar e pedir a cabeça do Cuca no empate contra o Fluminense; ouvi sim a Império cantar alucinadamente inclusive após o apito final.
É lógico que nem todos os torcedores do Coritiba só aplaudiram ou cantaram seu amor pelo Clube. Quem sabe, até uns mais irritados, cegos pela emoção (e isto é natural) gritaram o tal "Olé!" ou vaiaram o treinador depois do jogo. Mas daí a dizer que a torcida do Coritiba fez isto é uma inverdade. Seria diferente dizer que parte da torcida, ou alguns torcedores fizerem isto ou aquilo.
Depois de 36 anos, dos quais trinta acompanhando o Coritiba, seja de 1976, quando fui apresentado ao Coritiba pelas mãos de meu pai (numa vitória contra o Inter, 1x0, que naquele ano seria o Campeão Brasileiro), seja na Torcida Jovem (de 1982 a 1986), seja na Império (de 1986 a 1996), seja no Coxan@utas (a partir de 2000), seja no Cori Ação (a partir de 2001), assisto a quase todos os jogos do Clube há algumas décadas, ainda não me acostumei com algumas análises sobre o meu time.
Não sou jornalista, nem nunca serei. Não tenho competência para tanto. Também não sou comentarista esportivo. Mas como torcedor do Coxa, modesta e honestamente, conheço a torcida do Coritiba. E eu amo muito o Coxa. E nem tudo que escrevem ou falam sobre ela é verdade, seja quando ela faz algo de positivo, seja quando ela não faz algo de negativo.
Estranho como só o A. Paranaense tem jogado desfalcado... Até parece que o Coritiba não tem sofrido o mesmo. A intensidade nas análises (nem sempre tão jornalísticas assim) sobre a dupla AtleTiba é muitas vezes assustadora.
Passei quase dois anos ouvindo e lendo quase que sempre a mesmas análises sobre o tão sortudo quanto ultrapassado treinador Antônio Lopes, aquele que xingou nossa torcida no AtleTiba da Baixada (e que em breve voltará a pisar no sagrado gramado do Monumental do Alto da Glória).
Lopes tem seus méritos, sem dúvida. A maior parte deles pelo seu respeito adquirido quando ainda trabalhava no futebol carioca. Mas como treinador de futebol, no meu modesto ponto de vista, está ultrapassado. O clássico de outubro até pode ter um resultado que não comprove isto (futebol tem disto), mas Lopes é um treinador com um modelo tático ultrapassado. O tempo comprovará.
Diferente do Lopes, Cuca atende e responde aos torcedores. Ano passado em nome da equipe de administradores do site, fiz um contato com a assessoria de imprensa do treinador Antônio Lopes. Nunca tive resposta. Já com o Cuca, foi diferente. Para mim, uma diferença conceitual e importantíssima para se analisar o futebol de forma sistêmica.
Há uns vinte dias atrás, um grupo de líderes de diversas torcidas ou grupos de torcedores ligados ao Coritiba foram recebidos pelo treinador. Foram quase duas horas de conversa franca sobre o Coxa, o seu momento, o seu planejamento, o seu futuro.
Ouvi de Ricardo Perrone, um fiel torcedor são-paulino, um dos coordenadores do site Futebol na Web e da Rádio SPNet, uma declaração sobre o Cuca: "Ele tem um respeito muito grande pelo torcedor. Ele respeita de verdade a torcida".
Declarações similares ao Vice-Presidente da Império Alviverde (torcida que cantou, muito, e alto! depois do apito final contra o Flu), Osvaldo Dietrich, vindos dos dirigentes das organizadas do Goiás e do Flamengo vão neste sentido: Cuca sempre falou francamente com seus torcedores, apoiou suas iniciativas, colocando-se no lugar do torcedor, que sofre ou se emociona com o seu time de coração.
Alguns podem pensar que isto faz parte do self-marketing do treinador. Não sei, não posso responder por ele, mas sinto uma similaridade de comportamento de Cuca com ao comportamento de Paulo Bonamigo, que ajudou a reconstruir o Coritiba num ano, para no ano seguinte colher o sucesso.
Numa conversa que tive em 2003 com Bonamigo, ouvi: "A torcida do Coritiba é FODA! Uso do apoio dela para fazer o time jogar e ganhar no Couto". Ambos os treinadores falaram publicamente por diversas vezes da força da nossa torcida no Alto da Glória. Lopes não fez isto. Aliás, para ser sincero até fez, uma única vez, que eu tenha ouvido.
É natural que o trabalho de Cuca venha sendo alvo de críticas. Não é ele o maior responsável pela instabilidade do time Coxa nesta temporada. Mas o lamentável é que as críticas merecidas, quando ele erra, muitas vezes não vão ao ar!
As análises dos erros táticos e/ou estratégicos não se tornam públicas. As críticas são indiretas. Sejam mais claros senhores, e, por favor, não usem o nome da torcida em vão. Pelo menos um torcedor do Coritiba, no caso eu, não concordo. Eu nunca vaiarei o Coritiba, nem muito menos gritarei "Olé!".
Deixem os problemas do Coxa serem resolvidos por nós coritibanos. Nós temos noção dos nossos limites, nossas qualidades, nossas dificuldades e potencialidades. E, acreditem, faremos tudo o que for possível para colaborar de forma efetiva na construção de um Coritiba ainda melhor para nós Coxas-Brancas. E neste sentido tenho a absoluta certeza de poder falar em nome de muitos torcedores do Verdão.
Com um milhão de páginas visitadas por mês, creio que o site Coxan@utas pode ser considerado referência quando o assunto é Coritiba, mesmo que este site seja administrado por um grupo de adolescentes, cornetas e torcedores do Coritiba, que não sabem escrever direito (para ter uma idéia, o recorde de acessos do site Futebol PR,noticiados por eles quando da transferência do Renaldo para o Coritiba, não supera o recorde do site Coxan@utas. E diga-se de passagem, o FutebolPR escreve sobre os três times da capital, além dos times do interior, primeira e segunda divisão).
Particularmente, e sem a mínima falsa modéstia, penso que a Era Coxan@utas mudou algo na relação torcedor/veículo de comunicação, mesmo sendo um veículo independente, sem fins-lucrativos, mantido por amadores, mas fiéis e apaixonados torcedores do Coritiba Foot Ball Club, o maior Clube do futebol paranaense de todos os tempos.
Senhores: sabemos que o AtleTiba já começou. Mas separem o joio do trigo, por favor.
Luiz Carlos Betenheuser Júnior
Foto: Marcello Schiavon para os Coxan@utas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)