
EDITORIAL
O Campeonato Paranaense de 2005 foi decidido na cobrança de pênaltis, revivendo o ano de 1978, quando a dupla AtleTiba decidiu o título também nas penalidades. Se naquele ano o Coxa foi mais feliz, este ano o Cori não teve a mesma sorte e acabou perdendo para o rival por 4x2 nas penalidades (1x0 no tempo normal).
Bastidores
Antes do início da partida, muita confusão pelos lados do Alviverde. A Diretoria do Coritiba teve a ela destinada um camarote com quatro lugares. Pelo lado dos jogadores, as más condições do estádio da Baixada ficaram patentes. Depois de não permitir que os jogadores do Coritiba tivessem a mínima condição de trabalho nos vestiários do auto-intitulado mais moderno estádio do Brasil, pois a diretoria do A. Paranaense não pagou a conta de água e de luz, os jogadores do Coxa tiveram que se preparar para entrar em campo do jeito que puderam.
É curioso saber quais seriam os critérios que a Federação Paranaense de Futebol, através da sua Comissão de Vistorias nos estádios paranaenses que aprovou as condições de jogo para o Estádio da Baixada, já que o local não dispõe de água e energia elétrica no vestiário do time visitante.
Festa na arquibancada
Nas torcidas, o lado verde continuou inspirado, cantando o tempo todo, demonstrando seu amor pelo Coxa; mesmo com o lado vermelho com 90% do estádio, a tão falada pressão das arquibancadas não aconteceu: os gritos de apoio ao time da casa não eram constantes.
Durante a prorrogação só a torcida Coxa cantou, silenciando a Baixada.
A torcida Coxa fez a parte dela. Parabéns aos 1.900 Coxas-Brancas de coração que cantaram seu amor pelo Coritiba.
O jogo em si
O Coritiba não soube aproveitar a vantagem conquistada no clássico vencido no Estádio do Pinheirão. Lopes mandou a campo um time muito defensivo, com Pepo no lugar de Marquinhos, ainda sentido os reflexos de uma contusão ocorrida diversas rodadas atrás.
Antes do jogo Marquinhos era a única dúvida do Verdão. O meia vinha jogando sem todas condições há algumas partidas, mas à grande finalíssima, a Comissão Técnica do Coritiba optou por não leva-lo para o jogo. Sem Marquinhos, a expectativa da maioria dos torcedores do Cori era da entrada de Jackson no meio de campo, mas o treinador do Coxa optou por levar Pepo para o jogo na Baixada.
Logo aos 11 minutos de bola rolando, o árbitro da partida expulsou dois jogadores, um de cada time: Miranda do Coxa, e Aloísio, do A. Paranaense. O jogador do adversário agrediu Miranda com um soco e Miranda revidou, sendo ambos expulsos de campo.
Lopes tentou recompor seu sistema defensivo, colocando Flávio no lugar do atacante Marciano. A decisão de Lopes literalmente liquidou com o ataque do Cori, já que Nunes acabou ficando isolado entre dois zagueiros (Danilo e Marcão), sendo bem marcado. Como o treinador do Verdão usa um dos laterais como terceiro zagueiro (o lateral do lado pelo qual o adversário não está atacando), o Alviverde do Alto da Glória acabou sendo um time com um futebol muito arcaico, só marcando e pouco atacando.
O jogo estava muito centralizado, com o time da casa procurando as iniciativas do jogo, mas sem efetividade.
O time adversário teve sua primeira boa oportunidade só após os 30 minutos de jogo, com Dênis Marques não aproveitou um cruzamento pela direita, deixando a bola bater na sua canela e subindo, por cima do travessão da meta do goleiro Fernando.
Aos 33 minutos, o Coxa teve boa oportunidade, após uma troca de passes entre Nunes e Rodrigo, com a bola sobrando para o lateral Rubens Jr, que chutou por cima da trave, perdendo uma boa chance para o Coritiba.
Aos 41 minutos, Fernando faz boa defesa, numa cobrança de falta. Este foi o resumo do primeiro tempo: o Coxa pouco atacando, enquanto o rival atacava de forma atabalhoada.
No segundo tempo, o time da casa mudou o esquema tático, quando o treinador do A. Paranaense sacou o lateral direito para a entrada de mais um atacante. Minutos mais tarde, nova substituição, quando Edinho trocou Fernandinho, contundido, pelo atacante Lima, ex-Coritiba.
Do lado alviverde, Lopes também mudou, sacando o lateral Rubens Jr, já que o A. Paranaense jogava sem um lateral direito de ofício (Etto e Fernandinho estavam fora) e colocou Negreiros em campo. Apesar de ter novamente recomposto o ataque Coxa, naquele momento novamente com dois jogadores ofensivos, Lopes não mexeu no meio de campo do time Coxa-Branca, deixando Rodrigo isolado à frente, com Capixaba, Pepo e Egídio ficando mais no sistema defensivo do Cori.
Aos 15 minutos da etapa final, Dênis Marques chutou a bola, que caprichosamente bateu nas duas traves e não entrou. Quatro minutos depois, sairia o gol do adversário, com Lima tocando a bola de cabeça, que sobrou para Dênis Marques girar o corpo e chutar forte, sem defesa para Fernando. Estava empatada a partida de 180 minutos.
Em desvantagem em campo, Lopes alterou o Cori, trocando Jackson por Pepo. A mexida trouxe mais mobilidade para o Coxa, que perdeu o gol de empate de uma forma inacreditável. Capixaba faz bela jogada individual, finta a zaga e toca na medida para Rodrigo, em frente ao gol, chutar nas mãos do goleiro Diego.
Aos 38, o goleiro do time da casa faz importante defesa em chute de Rodrigo, que aproveitou um erro do lento Baloy, mas pecou novamente na finalização. Três minutos depois, Fernando voltou a fazer boa defesa, numa cobrança de falta de Fabrício.
Coxa dominou a prorrogação
Durante os 30 minutos do prorrogação, só se viu um time em campo. Enquanto a torcida do rival ficava em silêncio, a torcida Coxa puxava o grito de Cooxxaaaaaaaaaa!!!, levando seu time ao ataque. Visivelmente preocupado com o domínio territorial do Cori, o time da casa não levou perigo ao gol de Fernando. Em vez disso, fortaleceu seu sistema defensivo, em especial pelo lado direito, na tentativa de parar Rafinha, que teve uma ótima apresentação.
Aos 8 minutos, o maior lance de perigo da prorrogação. O atacante Nunes chutou forte e Lima salvou o gol, tirando a bola quase de cima da risca fatal.
Decisão nos pênaltis
Com o empate em 0x0, a decisão do Paranaense de 2005 aconteceu na cobrança dos pênaltis.
Para o lado do Coritiba, os experientes Capixaba (o primeiro a cobrar) e o capitão Reginaldo Nascimento perderam suas cobranças. O primeiro chutou para fora, e Nascimento chutou contra o travessão. Rafinha e Negreiros acertaram suas cobranças.
Do lado adversário, as quatro cobranças foram acertadas, evitando com que o Tricampeonato do Coxa ocorresse em 2005.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)