
EDITORIAL
Para a equipe Coxan@utas, os editoriais deveriam ser ferramentas usadas esporadicamente, em momentos relevantes. Entretanto a atual situação do Coritiba, à beira da estréia do Campeonato da Série B, com um time em formação (e má-formação) e neste momento, sem perspectivas de sucesso, trazem à tona a necessidade de voltar ao tema, sob forma de editoriais.
Independência necessariamente não é atacar por atacar, defender por defender, quem quer que seja, independente de qual seja a corrente política do Clube. É necessário ter uma razão. A razão dos Coxan@utas é a torcida do Coritiba.
Em Juazeiro do Norte (CE), onde o Coritiba enfrentou o Icasa pela primeira rodada da Copa do Brasil 2006, o resultado de 0x0 e o desempenho do time Coxa-Branca refletiu bem o atual momento do futebol no Alto da Glória; um técnico com discursos que se tornaram não só cansativos, mas também desalentadores; um elenco limitadíssimo, que na declaração do capitão Anderson caracteriza que mais problemas estão por vir (ao final de um horroroso primeiro tempo, Anderson dizia à imprensa “Não podemos tomar gol. Se tomar só um hoje está bom”); uma diretoria que acata as decisões equivocadas do Departamento de Futebol, referendando-as. E a torcida, à beira da explosão, domingo, contra o Londrina (pelo Paranaense 2006) cobrará e cobrará de forma rigorosa. A torcida Coxa-Branca está no limite. E isto é preocupante, tendo em vista a passionalidade do futebol.
Antes do jogo, Almir Zanchi, um dos três responsáveis pelos rumos do futebol coritibano, junto com Frega e Hidalgo, falou sobre as contratações. Além de Caio, que deve assinar até sexta-feira, mais quatro contratações: um lateral “que jogue nas duas”, um segundo volante, um atacante de área e um atacante de velocidade.
O acerto de Caio é, esperam todos, uma boa notícia. Entretanto, bom lembrar que este atraso no acerto dificultará o rendimento Coxa-Branca em campo, já que Caio não reunirá condições físicas para vestir imediatamente a camisa 10 do Verdão. E o tempo passa rápido, inclusive para nossos adversários na Série B (nenhum novo contratado poderá jogar no Paranaense, pois as inscrições estão encerradas)...
O erro brutal de contratar um lateral “que jogue nas duas” é lamentável. Antônio Lopes, em seu site oficial, destacava sua experiência vitoriosa no futebol, seus títulos, suas conquistas. Mas nem toda esta experiência foi suficiente para identificar o quão raríssimos são os laterais que joguem (bem) nos dois lados do campo. O fenomenal Adriano, agora no Sevilla, tentou isto pela Libertadores, na estréia do Coritiba, em Lima, no Peru, contra o Sporting Cristal.
Era o ano de 2004, o Coxa tinha um time bem montado, bons valores individuais, um péssimo treinador que inventou Adriano pela direita. Tudo leva a crer que Lopes foi o co-responsável pela invenção de Adriano na lateral direita. Possivelmente deve ter ouvido de alguém esta dica errada.
É verdade que Adriano é um atleta ambidestro, que começou no futebol como lateral direito. Mas em determinado momento de sua carreira, para potencializar resultados, fixou-se na esquerda e de lá nunca deveria ter saído, pois se tornou um especialista. No esporte de alta competitividade, os generalistas são figuras em extinção.
No futebol do mundo quantos são os atletas de altíssimo nível que atuam pelos dois lados do campo, seja como alas, seja como laterais, seja como defensores transformados em meias-atacantes? Ora, se já é difícil acertar um lateral (e o Trio que o diga!) que saiba jogar bem numa das posições, acertar um contratado que jogue bem nas duas é contar mais com a sorte do que com a competência. E no futebol atual, os jogadores que atuam pelos lados do campo são peça-chave. Sem eles, um time enfraquece taticamente.
Ressalte-se que este momento passado pelo Coritiba não é fruto apenas da incapacidade do seu treinador, que conta com um elenco aquém das necessidades de um time da grandeza do Coritiba Foot Ball Club. Entretanto, é o ônus do cargo de treinador buscar a potencialização dos resultados com a base nos recursos disponíveis. E este não é o caso de Márcio Araújo. Dono de um esquema tático confuso, Araújo está a cada dia mais longe de merecer permanecer no comando do Verdão.
O Presidente do Clube, representante maior da uma torcida tão fiel como a do Coritiba, Giovani Gionédis precisa urgentemente chamar para si e resolver a situação das más contratações. A esta tese do ”lateral que joga nas duas” não pode se tornar mais um (e talvez derradeiro) capítulo numa história sem fim de erros no comando do futebol. Esta decisão de trazer um ”lateral que joga nas duas” é emblemática, na medida que traz à vida real (aquela do torcedor que ri ou chora de emoção por onze camisas) uma série de monstros que estavam escondidos nos armários do Alto da Glória. O Coritiba precisa rever uma série de conceitos.
O problema crônico do Coritiba, que não tem nem laterais, muito menos alas que dêem conta do recado é notório. Além de não permitir que os Juniores subam ao profissional (ou quando sobem, é para apagar incêndios gigantescos), Wilton Goiano e Julinho não são melhores do que Ricardinho e James, que infelizmente não deram bons resultados, com um futebol inconstante, de altos e baixos (mais baixos do que altos).
Com Goiano e Julinho, o Cori também perde financeiramente, já que o rendimento deles dentro de campo não repercute no investimento financeiro feito, seja ele qual for. Já que o dinheiro é pouco, precisa ser bem investido. Ou o Coritiba terá prejuízo. É uma premissa básica que precisa ser respeitada por um Clube profissional.
Contratar um meia e dois atacantes não será o suficiente para o Cori subir à Série A com uma dose de tranqüilidade à torcida. A Diretoria Executiva do Clube precisa urgentemente rever conceitos no Departamento de Futebol Coxa-Branca. Os erros de contratações continuam.
Contratar mais cinco jogadores de bom padrão técnico, que é o mínimo a se esperar, pois o time carece de reforços e de um bom treinador, já que Márcio Araújo parece querer liderar uma big band de jazz, só que seus músicos não sabem tocar (no jazz, todo mundo improvisa, mas todos são bons músicos para saber improvisar. O resultado final é surpreendente), muito menos ele orientar. Resumo da ópera: em campo, um time sem identidade, na base do ”cada um por si e salve-se quem puder”.
Fora de campo, o Conselho de Administração parece estar numa posição difícil, reflexo da briga política pela qual passou há alguns meses. Se bate, é retaliação; se não bate, é omissão ou conivência. Em ambos os casos, gera responsabilidade. Nestes casos é uma decisão difícil, ônus do importante cargo. De concreto, o fato que a torcida Coxa-Branca não quer saber das brigas políticas do Clube. Ele quer saber é de um time forte dentro de campo, um time que lhe traga alegrias e orgulho em dizer ”Sou Coxa-Branca de coração!”.
Se o Conselho de Administração do Clube (e aí, política à parte) entende que o Cori está no caminho errado, precisa manifestar-se. Se necessário for, cobranças precisam ser feitas, independente da interpretação que isto causará ao torcedor. Isto serve tanto para a Diretoria Executiva, como para o Conselho de Administração.
Independência é isto: alertar sobre erros possíveis ou imagináveis, na busca da correção deles, por um bem maior, o Coritiba Foot Ball Club.
Equipe Coxan@utas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)