
EDITORIAL
A falta de preparo de alguns policiais militares causou enorme tumulto na saída dos torcedores do A. Paranaense após o término do clássico vencido pelo Coritiba (1x0), neste domingo. Uma pequena confusão que teria se formado na saída dos torcedores foi motivo para a entrada da cavalaria da PM dentro do estádio, fato que causou muito corre-corre e uma enorme confusão entre os torcedores, muitos dos quais sendo agredidos de forma covarde.
O uso da força policial de forma desnecessária (Foto/Arquivo) causou espanto e indignação até em torcedores do Coritiba. O torcedor Coxa M.B., cuja identidade está sendo preservada, viu das cadeiras superiores do estádio a ação dos policiais militares contra os torcedores do time do A. Paranaense. Segundo ele, muitos torcedores do A. Paranaense foram agredidos por soldados da Rone.
Um torcedor acabou recebendo um tiro de bala de borracha no rosto, caindo imediatamente nas arquibancadas. O torcedor ficou desacordado durante algum tempo. Enquanto isto, diversos torcedores do A. Paranaense eram presos e outros espancados brutalmente por alguns policiais.
Problemas também fora do estádio
A mudança das regras previamente acordadas na última quarta-feira, em reunião na sede da Paraná Esporte, foi destacada pelo presidente da Ultras, Gabriel Barbosa.
Segundo Gabriel, os ônibus com rotas especiais para os torcedores do A. Paranaense que sairiam em direção centro, zona sul e zona norte sem passar pelo terminal do Cabral, local de grande concentração de torcedores do Coritiba, tiveram suas rotas alteradas por uma decisão de última hora, o que causou novo tumulto na saída dos torcedores visitantes.
Destaque-se a atitude da torcida Ultras, que manteve a sua parte no acordo feito na última quarta-feira. A organizada não levou seus materiais para o Pinheirão, conforme estabelecia o acordo entre torcidas, clubes e autoridades presentes na reunião na sede da Paraná Esporte.
Prevenir e proteger
A atuação da Polícia Militar em diversos jogos, seja do Coritiba, seja do A. Paranaense, seja do Paraná Clube, tem deixado muito a desejar. A função de preservar a ordem pública tem sido deixada de lado, sendo trocada por uma simples e pura forma de agressão para controlar a multidão, seja nos jogos em Curitiba, seja nos jogos fora da capital, onde um bom número de torcedores curitibanos se desloca para acompanhar os jogos do Trio de Ferro.
Em 2003, torcedores do Coritiba, inclusive mulheres e crianças, foram agredidos covardemente por alguns policiais militares enquanto comemoravam o título Paranaense daquela temporada; na decisão de 2004, na Baixada, meninas, mulheres e senhoras passaram por uma constrangedora revista íntima para entrar no estádio.
Fatos desagradáveis cometidos contra torcedores têm sido uma constante, independente se os torcedores estão usando camisas verde e brancas, rubro-negras ou tricolores. O estado de insegurança origina-se muitas vezes no despreparo em conduzir situações relativamente simples.
Em vez de prender os torcedores que causam tumultos, as autoridades agridem todos os torcedores possíveis no seu raio de alcance dos cacetetes, cães ou cavalos. Até armas são apontadas contra os torcedores, como forma de intimidação. Controle não é isto. Não se trata cidadão como uma fera ou um marginal. O critério é simples: torcedor desordeiro = identificado e preso. Não é espancando culpados e inocentes que a situação será contornada, muito menos resolvida.
As orientações que a PM passa aos líderes das torcidas organizadas da capital vêm sendo cumpridas, mas alterações de procedimentos previamente acordados tem ocasionado violência em vez de controle e pacificação. Em vez de contornar-se as situações, resolvendo-as, cria-se mais confusão, muitas vezes originando a violência policial.
A postura das autoridades ligadas à segurança pública do povo paranaense tem que ser diferente. É necessário haver mais conhecimento do comportamento das multidões em grandes jogos, das características de cada torcida, dos pontos de maior encontro de torcedores, dos costumes de cada torcida.
Um grande despreparo do setor público para tratar eventos com grandes públicos é notório. No próximo domingo, 17, haverá um novo AtleTiba, onde desta vez só uma torcida sairá feliz com a conquista de seu time. Será necessária uma atuação competente por parte das autoridades para que a segurança e não a insegurança seja a marca da decisão do Campeonato Paranaense, com mais respeito aos torcedores de ambos os times.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)