
EDITORIAL
Cobrança
Tarefa ingrata fazer comentários sobre uma derrota. Até porque, inevitavelmente, virão recheados de críticas contundentes. E é fato que o intuito principal de todo torcedor não é o de criticar, mas o de celebrar vitórias e conquistas.
Como o fim do confronto contra o Galo mineiro foi diferente do previsto – uma derrota por 1 a 0, aqui vão minhas críticas. O jogo foi de forte marcação por parte das duas equipes. Por isto, poucas jogadas de gol foram criadas durante toda a partida. Neste sentido, desenhava-se um empate sem gols caso o jogo não fosse decidido em uma bola parada.
Nos cinco minutos finais do 1.º tempo, Tuta cabeceou no travessão, após cobrança de escanteio, e Jucemar acertou a trave esquerda do goleiro Eduardo em cobrança frontal de falta. Além disso, Luiz Mário, em jogada individual dentro da grande área, assustou o goleiro mineiro. E foi só isso!
É muito pouco para um time que almeja o caneco. O Coxa não conseguiu furar o bloqueio armado por Paulo Bonamigo, um dos melhores técnicos neste quesito, nem em jogada de bola parada. Neste sentido, creio que o teste contra o Galo foi importante porque deixou evidente algumas deficiências do Coxa. A mais clara delas está no meio-de-campo.
A meiuca Alviverde não cria; só desarma. Márcio Egídio e Ataliba são volantes natos. Capixaba tem certa qualidade no passe e boa conclusão. Mas nenhum deles é o típico meia criador de jogadas. Resta-nos Igor e Batatinha. Detesto crucificar jogador mas o Igor já teve inúmeras oportunidades no Coxa e não aproveitou. Eu já desisti de ter esperanças sobre o futebol deste jogador. Contra o Galo, Igor acertou somente o cruzamento na cobrança de escanteio que Tuta aproveitou para cabecear no travessão, no primeiro tempo.
No intervalo, o técnico Antônio Lopes promoveu a alteração mais óbvia de toda a partida. Batata no lugar do insosso Igor. Mas o ex-Malutrom também não correspondeu à altura. Está na hora de a diretoria se coçar para arrumar um jogador que resolva este problema.
Não sei o que Lopes disse ao elenco nos vestiários. Não sou adivinho. Mas penso que uma equipe não pode depender apenas da inspiração de um jogador.
Por isto, transfiro a cobrança sobre a falta de criação de jogadas da equipe também a outros setores do time. As laterais, por exemplo, foram uma decepção à parte. Principalmente, Adriano, que retornava depois de quase um mês fora dos gramados. Ora, um time que não tem armação no meio-de-campo depende muito da inspiração de seus laterais. Mas estes ficaram presos na marcação e não conseguiram sair para o jogo.
Com relação ao ataque, não há muito o que dizer. A não ser cobrar para que venham buscar mais as jogadas no meio para não ficarem isolados no ataque. Tuta e Luiz Mário têm qualidade, mas precisam participar mais na própria criação das jogadas, uma vez que estamos carentes neste setor do campo.
Já a defesa se complicou com a marcação sob pressão imposta pela equipe de Bonamigo. Houve momentos em que sofremos contra-ataques na saída de bola alviverde. Mais atenção minha gente!
Agora, vamos a São Paulo encarar o Palmeiras. O time vai sofrer modificações, uma vez que Nascimento volta à equipe após cumprir suspensão. Além disso, Danilo, contundido, e Egídio, com o terceiro amarelo, estão fora do próximo jogo.
Lopes tem uma semana para preparar a equipe e o espírito dos jogadores. De minha parte, como torcedor, exijo mais movimentação e participação dos jogadores durante a partida. Não quero ver pasmaceira em campo. Se o time do Bonamigo marcou, o time do Lopes deixou ser marcado. Por isto, contra o Palmeiras quero ver jogadas ensaiadas, tabelas bem feitas e conclusões na rede do adversário.
Eduardo Gomes Nunes
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)