
EDITORIAL
Acendeu a luz vermelha
Acendeu a luz vermelha no Alto da Glória. A derrota por 2 a 0 para o Palmeiras, na noite deste sábado, em São Paulo, pode levar o Coxa para a zona do rebaixamento do Brasileirão 2004, dependendo dos resultados dos jogos deste domingo (30).
É bem verdade que o campeonato está no começo, na 8ª rodada, mas a equipe Alviverde já demonstra uma série de deficiências que, se não forem corrigidas, podem levar o time ao fracasso nesta competição. E o fracasso no Brasileirão é sinônimo de Segundona à vista, o que causa um frio na barriga de qualquer torcedor.
Na 18ª posição na tabela de classificação, o Glorioso pega o vôo das 11 horas deste domingo em São Paulo para o retorno à capital paranaense. Na segunda, o time parte para uma temporada de treinamento na Estância Betânia, onde permanece até o dia 11 de junho. Dois dias depois, o time busca a reabilitação em casa contra o São Caetano. O campeonato fica parado neste período, quando a seleção brasileira vai entrar em campo pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2006.
O jogo contra o Palmeiras foi duro, de assistir. Sem criatividade, as duas equipes causaram sono nos bravos torcedores que arriscaram ver a partida. Para se ter uma idéia, a primeira jogada de ataque do jogo surgiu somente aos 35’ do primeiro tempo, quando o Palmeiras balançou as redes do goleiro Fernando. A jogada do gol palmeirense deixou evidente um grave defeito da zaga coxa-branca, que se complica na maioria das bolas alçadas na grande área. Chuveirinho na área alviverde é sinônimo de desespero. Ou algum torcedor já se esqueceu que a equipe tomou 3 gols quase idênticos do A. Paranaense na final do Paranaense.
O primeiro gol do Palmeiras aconteceu assim: o atacante Muñoz cruzou na área e Vagner Love desviou de cabeça. Fernando até conseguiu a defesa, mas a bola bateu na trave e no retorno tocou na cabeça do goleiro Coxa e entrou. Cinco minutos depois, o Glorioso escapou de tomar o segundo gol em jogada semelhante.
Aos 41’, ocorreu uma cena de teatro. Luis Mário se jogou na grande área do Palmeiras pedindo pênalti, o que causou risos nos torcedores que assistiam a partida. O tentativa de engodo do atacante alviverde beirou o ridículo. No intervalo, Luis Mário ainda insistiu. “Se fosse para o Palmeiras, o árbitro marcava o pênalti”, disse o atacante.
Ou seja, em 45 minutos de jogo, o Coritiba não criou sequer uma jogada de ataque. E o goleiro Sérgio nem chegou a sujar o uniforme. Seria cômico, se não fosse trágico! Ao entrar nos vestiários, o capitão Nascimento foi sensato em sua análise. “Está faltando criar jogadas. Não chutamos no gol do Palmeiras”, alertou o zagueiro.
Na tentativa de alterar o quadro, o técnico Antônio Lopes, que após esta rodada ficou com a corda no pescoço na visão de muitos torcedores, mexeu na equipe. Tirou Luis Mário, que disse ter torcido o tornozelo no lance do suposto pênalti, e promoveu a entrada do atacante Adílson Popó. Além disso, pôs Igor no lugar de Cacique na meia-cancha do Verdão.
Mas o castigo veio logo no início do segundo tempo. E, novamente, em jogada de chuveirinho na área. No primeiro minuto do segundo tempo, Corrêa cobrou falta próxima à lateral esquerda. Magrão desviou de cabeça e Nem entrou de carrinho para empurrar para o gol. Aos 14’, o Coxa escapou de levar o terceiro gol e deixar o campo com uma vexatória goleada. Muñoz ficou na cara de Fernando e chutou para o gol, mas o goleiro praticou uma importante defesa.
Depois disso, o jogo se transformou em um circo de horrores. Os jogadores do Coxa ou pisavam, literalmente, na pelota; ou, quando tentavam o chute, pegavam na “orelha” da bola.
Para não dizer que o Coritiba não chegou ao gol palmeirense durante os 90 minutos, somente aos 24’ do segundo tempo o ataque produziu a primeira jogada. Jucemar lançou Tuta na grande área. O atacante girou sobre a marcação e bateu colocado no ângulo, obrigando Sérgio a praticar uma linda defesa. E foi só!
Ao deixar o gramado, o zagueiro Miranda não quis dar declarações à imprensa. Provavelmente, envergonhado pela péssima atuação da equipe. “A hora que a gente tentou, já era tarde”, comentou Jucemar. “A gente saiu mais para o jogo no segundo tempo. Infelizmente, tomamos o gol no começo do segundo tempo. E aí fica complicado correr atrás do resultado contra uma equipe como o Palmeiras”, disse Nascimento. “Para uma equipe que almeja uma vaga na Libertadores, temos muito que melhorar”, afirmou Ataliba.
“Não fizemos uma boa apresentação e não merecemos vencer”, reconheceu Lopes, que não quis comentar sobre futuras contratações. “Não é hora de falar em contratação. O importante é trabalhar. Com trabalho, se consegue tudo”, afirmou o técnico do Coxa.
O treinador pode não querer falar em contratações com a imprensa, mas está mais do que óbvio que a equipe carece de peças de qualidade no meio-de-campo. Contra o Palmeiras, o técnico utilizou quatro trombadores (Ataliba, Pepo, Cacique e Capixaba) no setor.
Um time que não cria jogadas só vai chegar ao gol adversário ou em bolas paradas ou em lampejos de criatividade de algum jogador. Isto é muito pouco para uma equipe com a tradição e a história do Coritiba.
Eduardo Gomes Nunes
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)