
EDITORIAL
Na partida Coritiba 1x1 Cianorte o time do Alviverde demonstrou um futebol pouco inspirado, muito pragmático, chegando às raias da previsibilidade. O técnico Antônio Lopes (foto) precisa rever alguns conceitos táticos.
Se por um lado, contra times que pouco marcaram como União e Paraná, o Coxa foi um time ofensivo, demonstrando um futebol inspirado e voltado ao ataque, instigando as defesas adversárias ao erro, contra times mais preparados taticamente, mesmo que com limitações técnicas, o Cori fica um time fácil de ser marcado. Isto ocorreu contra o Roma, o Cianorte e a ADAP, que impuseram um ritmo forte na marcação, sem dar espaço para os laterais Ricardinho e Rafinha (ou Jucemar e James), marcando individualmente Marquinhos.
O que se viu na partida de ontem foi um Coritiba cadenciando muito as jogadas ofensivas, sem velocidade pelos lados do campo, facilitando a marcação do Cianorte. Quando Ricardinho não atua bem, Luiz Carlos fica isolado pela esquerda; quando Rafinha busca o jogo pela meia direita, pois Marciano ou Capixaba caem pelo lado do campo, ocorre um congestionamento na meia cancha e o Cori domina o jogo, tem mais posse de bola, mas pouco instiga a zaga adversária. Ontem não foi diferente.
A instabilidade de alguns jogadores na hora da conclusão também tem afetado o desempenho ofensivo do Verdão. Ontem foi a vez do meia Vital ter uma chance incrível para marcar o segundo gol do Verdão e não aproveitou. Estes erros individuais não devem ser repassados diretamente à comissão técnica, apesar de haver necessidade de intensificar mais os trabalhos de finalização. Por outro lado, a disposição dos jogadores dentro de campo é de responsabilidade do treinador do Cori.
No empate em Maringá, se viu um Coxa com muitos jogadores pelo meio de campo (Marquinhos, Jackson, Rodrigo, Capixaba), e ainda Luiz Carlos, Marciano e até Rafinha buscando o jogo pelo meio do campo. Este formato tático facilitou as coisas para o time adversário, que ficou com duas linhas de quatro jogadores em frente a grande área. Em vez de abrir o jogo pelos lados, o Alviverde procurava entrar na grande área trocando passes pelo meio de campo. Um esforço infrutífero.
Na zaga o Coritiba demonstra boas estatísticas, sendo a zaga menos vazada do Campeonato. Mas isto não é o suficiente para evitar a perda de pontos importantes. Em lances individuais, Nascimento tem procurado o primeiro combate e tem sido fintado, em jogadas que originaram gols contra o Verdão. O sentido de cobertura para esta saída do capitão do Cori precisa ser melhorado. Sem Flávio, o Coxa perde o melhor zagueiro no sentido de cobertura e visão de jogo. Mas o campeonato não pára, esperando a recuperação deste atleta. Desta forma, mais trabalhos específicos precisarão ser intensificados pelo Alto da Glória.
Ainda sem Rubens Júnior em condições de jogo, o Coxa não tem um lateral esquerdo para substituir Ricardinho quando de suas más jornadas. Isto tem sido um problema crônico. Lopes tem tentado alternativas com os meias Fabinho, Jackson e até com o atacante Luiz Carlos, que buscam o jogo pelo lado esquerdo do campo, numa jogada alternativa, mas sem a efetividade necessária para transformar oportunidades em gols.
O treinador do time do Alto da Glória precisa encontrar novas alternativas táticas para partidas contra times bem treinados e fortes na defesa. Cabe a Lopes arrumar o Coritiba em campo, aproveitar as potencialidades do elenco, buscar reduzir as deficiências táticas e fazer do Coritiba um time sempre inspirado em busca do gol, jogando de forma aguda, veloz e incansável em busca dos gols. A formatação tática apresentada pelo Coritiba contra o Cianorte, que ficou por mais de 30 minutos com um jogador a menos, não agradou o torcedor. Até aqui tem sido suficiente para ficar em primeiro do grupo, mas não será suficiente para vôos mais altos.
O Coritiba continua líder, mas é isto ainda é pouco para conquistar o Tricampeonato, até porque a decisão do título não será no Couto Pereira e o nível das arbitragens continua fraco.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)