
EDITORIAL
Com grande queda de rendimento no segundo turno do campeonato, Coritiba e Botafogo farão de tudo para conquistar uma vitória no jogo de logo mais. A pressão sobre ambas as equipes é muito forte, devendo o Coxa aproveitar a indignação da torcida adversária que vê seu clube em grande crise.
O Coritiba tentou durante a semana aliviar a pressão sobre os jogadores do Alviverde, iniciando-se o período de concentração e treinamentos desde segunda-feira passada. Já o Botafogo teve sua crise aumentada com a derrota frente ao Vasco no meio de semana, chegando ao ponto de um de seus diretores pedir demissão por causa da recusa do presidente em demitir o técnico Celso Roth do comando alvinegro.
Desde segunda-feira concentrados, os jogadores Alviverdes puderam ter horários e alimentação mais regrados, aumentando-se a carga de treinamentos, tanto físicos como técnicos e táticos.
Devido a diversos desfalques, o técnico interino do Verdão Coxa-Branca, Júnior Lopes, ainda não definiu a equipe que irá enfrentar o time carioca, fazendo diversas alterações durante a semana.
O que está realmente definido é que a equipe irá utilizar o sistema tático 4x4x2, mas desta vez, sem o volante Reginaldo Nascimento improvisado na zaga porque ele cumpre suspensão.
Assim, a zaga será formada pelo goleiro Douglas, os laterais Ricardinho e James e pelos zagueiros Anderson e Vagner, sendo que este último ganha nova oportunidade de apresentar seu futebol seguro e objetivo.
A dupla de volantes também está confirmada. Márcio Egídio com primeiro e Humberto como segundo volante. Aliás, deve-se fazer uma ressalva sobre o volante Humberto. Inicialmente contratado para jogar somente em 2006, demonstrou muita força de vontade e atingiu um bom condicionamento físico, sendo lançado, como titular, na última rodada, realizando uma grande partida.
Vendo Humberto jogar, de forma cadenciada e consciente, não há como não lembrar de ídolos Alviverdes que deixaram saudades nos corações da Nação Coxa-Branca, entre eles, Osvaldo, Veiga e mais recentemente o Tcheco, todos na mesma função, segundo volante. Tal posição é de extrema importância em uma equipe, pois é o segundo volante responsável pela saída de bola com qualidade, quesito este que sobrava em Osvaldo, Veiga e Tcheco.
Do certo de criação para frente é que começam as dúvidas do técnico interino, Júnior Lopes, pois pode complementar o meio com Élton ou Caio, jogando ao lado de Rodrigo Batata, que novamente terá dificuldades de permanecer em pé, pois o sistema defensivo do adversário tem forte pegada.
Se optar por Élton, o meio campo formado será mais cadenciado alterando o ataque que deverá jogar com apenas um homem de área. Caso contrário, se optar por Caio, o meio ficará mais rápido e mais leve, devendo o ataque ser formado por dois homens de área.
Portanto, o ataque está completamente indefinido: Tiago, Renaldo, Caio e Anderson Gomes, que, ascendendo recentemente das categorias de base do Verdão, poderá estrear como profissional já numa partida importantíssima do Campeonato Brasileiro. Anderson Gomes vem credenciado pela sua velocidade e agressividade no ataque, características bem ofensivas.
Já o time alvinegro, que passa pela sua maior crise nesse Brasileirão, aposta no apoio de sua torcida. Tal aposta é uma faca de dois gumes, pois se o time carioca demorar para marcar ou sofrer um gol, o apoio logo deverá virar mais pressão.
O técnico Celso Roth contratado para o lugar deixado por Péricles Chamusca, não está correspondendo às expectativas da torcida do time da Estrela Solitária. Chamuska não é unanimidade no clube, sendo que em meio à crise instalada, um dirigente chegou a impor a demissão do técnico sob pena dele, o dirigente, deixar o clube. Nesta queda de braço, venceu Celso Roth.
No meio à turbulência que passa o time carioca, a equipe não consegue se encontrar em campo. Esse é o principal ponto a ser explorado pelo Verdão.
O Botafogo tem um bom sistema defensivo, difícil de ser furado, mas com a receita certa, o Coritiba poderá não ter tantos problemas para transpor a zaga. Isto porque, o time carioca não tem uma boa saída de bola, sendo a grande opção Alviverde, adiantar sua marcação, fazendo-a no campo do adversário, tendo que perder o hábito adquirido nos últimos anos de se fazer a marcação no próprio campo.
A receita é simples: avança a marcação. A fraca equipe vascaína fez isso na partida do meio de semana e deu certo, isso que o centroavante vascaíno tem 39 anos, já não sendo mais um garoto.
Avançando a marcação, restará ao time alvinegro o famoso “chutão pra frente”, ou seja, a tentativa de ligação direta da zaga para o ataque, coisa que nunca funcionou no futebol.
A partida é de extrema importância para as equipes. Jogo de seis pontos, tendo em vista a proximidade das equipes na tabela de classificação, tendo o Coritiba 38 pontos e o Botafogo 40 pontos.
Teoricamente se existisse um favorito, este seria o time carioca, mas pelos fatos ocorridos durante a semana, em ambas as equipes, o time Coxa-Branca está muito mais credenciado para conquistar os três pontos e, não só se afastar da zona de rebaixamento, mas também para se aproximar da vaga para a Copa Sul-Americana 2006.
O Alviverde do Alto da Glória ainda tem que repor um jogo “contaminado”, contra o Internacional, em Porto Alegre. RAÇA, VERDÃO! VOCÊ É CAMPEÃO!
Botafogo x Coritiba
Data: 22/10/05, sábado
Horário: 20h30
Local: Estádio Luso-Brasileiro, Ilha do Governador (RJ)
Botafogo:
Lopes; Rogério Souza, Scheidt, Rafael Marques, Bill; Diguinho, Jonílson, Gláuber e Ramon; Caio, Alex Alves.
Técnico: Celso Roth.
Coritiba
Douglas; James, Anderson, Vagner e Ricardinho; Márcio Egídio, Humberto, Élton e Rodrigo Batata; Caio e Renaldo (Tiago).
Técnico interino: Júnior Lopes.
Árbitro: Wallace Nascimento Valente/ES.
Assistente 1: Alfonso Scarpati/ES.
Assistente 2: Marcos Antônio Moreira Collodetti/ES.
4º Árbitro: Marcelo de Lima Henrique/RJ.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)