
EDITORIAL
O clássico AtleTiba deste sábado manteve a mística da rivalidade e da grande disputa entre as duas equipes. Foi um jogo muito disputado, com lances até viris, que contaram com a complacência habitual de Wagner Tardelli, um árbitro acostumado a não agir com rigor no aspecto disciplinar. A derrota de 2x1 do Alviverde não representou bem o que foi o futebol apresentado dentro de campo, onde o Verdão, valente, foi embalado pela sua torcida, teve um maior domínio territorial em boa parte do tempo, mandou duas bolas na trave, mas pecou na finalização, bobeou num lance de bola parada e num contra-ataque, cedendo os gols para o co-irmão. O adversário teve uma maior constância tática, apresentando um futebol mais equilibrado em seus compartimentos e aproveitou os erros crassos de Junior Lopes, orientado pelo seu pai, Antônio Lopes, que passou dicas que no fim das contas mais prejudicaram do que ajudaram o Cori. Com o resultado, o Coxa continua em décimo quarto lugar na tabela (classificação provisória), com 38 pontos. No sábado, o Coritiba vai ao Rio de Janeiro para enfrentar o Botafogo.
Avaliação
O Coritiba entrou em campo com uma formação muito longe da ideal. Junior Lopes barrou Renaldo, que estava atravessando uma má fase, mas que na partida anterior, em Belém, havia sido junto com Peruíbe, os dois únicos destaques coritibanos (tanto que foi dele o gol contra o Paysandu) e mandou a campo Marcelo Peabiru. O atacante, viria a marcar o único gol Coxa-Branca no AtleTiba, mas também deixou a desejar. Sua escalação não surtiu o efeito desejado.
O treinador interino Junior Lopes também optou por ouvir seu pai e escalar Egídio e Marquinhos no time. Ambos longe do ideal, totalmente sem ritmo de jogo, foram figuras decorativas enquanto estiveram em campo. Marquinhos saiu do gramado, aos 25, contundido. Já Egídio, segundo a imprensa, cansado deixou o jogo no intervalo. Com a escalação destes três jogadores, o Cori acabou perdendo as três opções de substituição, pois Peabiru também deixou o jogo, na segunda etapa, para a entrada de Negreiros, jogador indicado por Antônio Lopes ao Coritiba, no tempo em que ele ainda era treinador do Verdão.
Em suma, as escolhas da dupla pai e filho Lopes na prática demonstraram-se infelizes. Jogando num 4x4x2, com Nascimento como quarto-zagueiro (perdemos a altura da zaga e a mobilidade no meio de campo), e apenas um volante de marcação (no primeiro tempo, Egídio; no segundo, Peruíbe), já que Humberto tem características de mais toque de bola do que de marcação, o Coxa mostrou-se um time fraco na marcação, abrindo espaços para o adversário jogar.
Tanto que os dois gols do co-irmão saíram de jogadas previsíveis: contra-ataque em velocidade, pelo lado direito, quando Lima ganhou com facilidade de Egídio, voltando de contusão de longo tempo e de um gol de Paulo André, zagueiro, que aproveitou uma cobrança de falta para cabecear sozinho e vencer Douglas.
Caso Junior Lopes tivesse optado por três zagueiros, ou por marcar a jogada ensaiada do adversário, que tinha jogadores de estatura maior do que o Cori, o resultado do clássico poderia ter sido outro.
Resumo da ópera: o Coritiba entrou em campo mal escalado, abriu espaços para as duas jogadas características do adversário (contra-ataque em velocidade pelos lados e jogadas de bola parada), mostrou muita luta, mas perdeu um jogo equilibrado, onde os detalhes táticos são preciosos.
Infelizmente a Era Lopes continuou para o Coritiba em mais um AtleTiba, mas não por muito tempo. É até um contra-senso, mas existe algo de positivo na derrota do clássico: Junior Lopes mostrou que além de não ter comando sobre o elenco (algo já sabido), não tem a sorte que o seu pai tem e por isto não passará de um técnico interino do Coritiba Foot Ball Club.
Neste momento de sua vida profissional, Junior Lopes precisa melhorar muito para vir a se tornar o técnico de um time Campeão Brasileiro da primeira divisão.
É lógico que não só os erros táticos complicaram o desempenho do time Verde e Branco no AtleTiba. O Verdão do Alto da Glória tem alguns jogadores sem as condições técnicas ideais necessárias para uma titularidade no Cori. E os desfalques de Capixaba e Flávio, ambos contundidos, também foram sentidos.
Outro fator relevante nesta fase do Coxa é a falta de sorte do time. Em dois lances, um em cada tempo, o Coritiba arrematou duas bolas contra a trave do adversário. No primeiro tempo, Nascimento teve a chance de marcar, e numa mesma jogada, o goleiro adversário salvou o gol Coxa e depois a trave o salvou do gol Coxa. No segundo tempo, aos 47, Humberto acertou um belíssimo chute de fora da área, depois de um rebote de escanteio. Para azar do Verdão, a bola explodiu na trave direita e cruzou toda a extensão da linha fatal, saindo pelo outro lado. Que fase!
Primeiro tempo
Empolgado pela festa que a torcida Alviverde promoveu quando da entrada da equipe em campo, o Coritiba começou a partida em cima do adversário. Mas num vacilo de marcação, aos 3 minutos, Egidio (nitidamente fora de ritmo e mal escalado por Junior Lopes e Lopes pai) perde na corrida para Lima, que marca na saída de Douglas.
Com o gol sofrido, novamente com menos de 10 minutos de jogo, o time do Verdão, o esquema tático desabou. Apesar do gol do adversário, a torcida Coxa-Branca continuava apoiando o seu time. Tanto que o Cori foi para cima do adversário, buscando as triangulações com Marquinhos (fora de ritmo também), Humberto (que fez uma estréia regular), Caio e James.
Aos 11 minutos, Marquinhos cobrou uma falta, mas a bola passou por sobre o travessão. No minuto seguinte, Marcelo Peabiru recebeu a bola fora da área e chutou forte, com a bola passando perto do travessão.
Aos 19 minutos, mais pressão do Cori. Numa cobrança de
escanteio com Ricardinho, que bateu fechado. O goleiro do adversário falhou feio, tocando a bola para cima e parando no lance. O atacante Marcelo Peabiru aproveitou a falha grosseira do goleiro e de cabeça empatou o jogo: 1x1, para a explosão de felicidade da torcida coritibana.
Aos 25 minutos, Marquinhos (que já havia sofrido uma falta anteriormente) voltou a sentir contusão no joelho e teve que deixar o campo, para a entrada de Rodrigo Batata.
Com a saída de Marquinhos, o Coritiba perdeu seu articulador de jogadas com o ataque e o jogo ficou mais cadenciado, com muita marcação na intermediária.
O Coxa mantinha maior presença no ataque, mas sem a condição ideal para marcar.
Aos 39 minutos, o Alviverde do Alto da Glória teve uma chance incrível para marcar seu segundo gol. Ricardinho cobrou um escanteio e a bola foi parar em Nascimento, que de cabeça, arrematou. A bola foi na trave (foto), e na volta, Nascimento manda para o gol, mas o goleiro do adversário salva milagrosamente o gol do time Coxa-Branca. Neste lance, o Cori sentiu a falta de um atacante finalizador, de área, para aproveitar o rebote.
Com a torcida continuando a apoiar o Coritiba, o Verdão fez o adversário ficar preso no seu campo de defesa, segundo a pressão do time Verde.
Aos 41 minutos, o volante Humberto chutou forte, cruzado e o goleiro do adversário fez outra bela defesa. Na jogada seguinte, o adversário contra-atacou, com Lima chutando de meia distância, para defesa de Douglas, que espalmou para escanteio. Quatro minutos depois, nova defesa de Douglas, numa cobrança de falta.
Segundo tempo
Depois de ter que fazer uma substituição forçada (Marquinhos, contundido, por Rodrigo Batata) já no primeiro tempo, Lopes Júnior mudou mais uma vez o Cori, desta vez no intervalo da partida, queimando sua segunda substituição no AtleTiba. O treinador interino tirou Egídio, que teve uma atuação apagadíssima, talvez fruto da falta de ritmo para encarar um jogo de tamanha responsabilidade e disputa, para colocar em campo Peruíbe, que teve uma atuação bastante superior a de Egídio.
A segunda etapa começou com o Coxa no ataque. Aos dois minutos, o meia Caio bateu uma falta, a bola rebateu num jogador do adversário e acabou saindo para escanteio.
Vendo a vontade dos seus jogadores dentro de campo, a torcida Coxa inflamou-se, gritando de forma ensurdecedora. O apoio deu certo, o Cori pressionou o adversário, que acuou-se na defesa, cedendo diversos escanteios seguidos.
Aos 8, nova arrancada Coxa-Branca. Marcelo Peabiru chuta de fora da área, mas a bola saiu pelo lado da trave.
O Coritiba buscava o segundo gol, empurrado pela torcida, mas sem sucesso. As trocas de passes não surtiam efeito, e sem jogadas pelos lados, com Ricardinho e James sendo muito marcados, o jogo do time ao Alto da Glória ficou muito constante em Caio, que recebia forte marcação.
Aos 17 minutos, um atacante do adversário avança pela esquerda da zaga coritibana e chuta cruzado, à direita do goleiro do Alviverde.
Aos 22, um vacilo de marcação da zaga foi fatal para as pretensões do Coritiba. Cobrança de falta pela direita, em um erro infantil de marcação Coxa-Branca, o zagueiro Paulo André, livre de marcação, cabeceia para marcar o segundo gol do adversário.
Num cruzamento pela direita, o Coritiba teve boa chance, mas Peabiru acabou atrapalhando Caio, que quase na pequena aéra, furou na conclusão, perdendo uma boa oportunidade para o Coxa.
O treinador interino Junior Lopes queimou sua terceira substituição, tirando seu escolhido Marcelo Peabiru, para a entrada de Negreiros, que teve uma péssima atuação nos minutos que atuou com a camisa do Alviverde.
O Coritiba foi para o ataque, tentando o empate no clássico. Aos 30 minutos, Rodrigo Batata chuta da entrada da área, mas o goleiro adversário defende.
Dois minutos depois, novo ataque Coxa-Branca, com Caio, em jogada individual. O meia arriscou de fora da área e bola foi defendida pelo goleiro adversário.
Aos 35 minutos, nova chance do Cori. O lateral Ricardinho cobrou falta próximo da área, mas a bola passa raspando a trave.
Aos 43 minutos, o time adversário vai ao ataque. Numa cobrança de escanteio, Douglas intercepta a cobrança, que veio bem fechada, tocando novamente a bola para escanteio.
Na última oportunidade do clássico, aos 47 minutos, o Cori teve um escanteio pela direita da zaga adversária. A zaga afasta e no rebote, o volante Humberto manda um belíssimo chute na trave direita, mas a bola caprichosamente passa em frente de toda a linha fatal e sai pelo outro lado.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)