
EDITORIAL
Salve, galera alviverde. Este final de semana é um dos mais importantes da história do Coritiba. Primeiro, porque o Verdão tem a chance de ser o primeiro clube visitante a dar meia volta olímpica no Joaquim Américo desde que o estádio foi reformado. Segundo, porque há um jejum - meio mandrake, é verdade - de vitórias em decisão de campeonato estadual contra o A. Paranaense. Desde 1978 o Coxa não consegue dar a maior alegria que seu torcedor pode ter no plano regional: ser campeão em cima do maior rival. Porém, é válido creditar parte da culpa ao próprio adversário, que muitas vezes mostrou-se incompetente nas semifinais ou nas quartas-de-final.
Além disso, é também uma boa oportunidade para o Cori diminuir a vantagem do rubro-negro em confrontos diretos valendo título. Em dez ocasiões, foram seis derrotas (2000, 1998, 1990, 1983, 1945 e 1943) e quatro vitórias (1978, 1972, 1968 e 1941). É a única estatística da história dos AtleTibas em que o Coritiba aparece atrás do rival.
Vale lembrar também que o Coxa corre atrás do seu 32º título estadual, que seria o oitavo bicampeonato. No museu, estão os troféus dos campenatos de 41-42, 46-47, 51-52, 56-57, 59-60, 68-69 e 78-79, além do fantástico hexacampeonato de 1971 a 1976, que tecnicamente equivalem a seis bicampeonatos - ou não?
Apesar de o Coritiba ter um time melhor individualmente e mais equilibrado, o jogo desta tarde é imprevisível. A vantagem de jogar pelo empate, pelo menos, vai evitar o que aconteceu no ano 2000. Na ocasião, no mesmo J. Américo deste domingo, o Coxa sofreu um gol de cabeça no fim da partida. O empate por um gol deu o título ao A. Paranaense, que empatara conosco no primeiro jogo, no Couto Pereira. Vale lembrar que o alviverde atuou - injustamente - com dez jogadores por mais de 70% da partida, e segurou heroicamente o placar de 1x0 até os 35 do segundo tempo.
Também é bom recordar a conquista de 1999, quando o Coxa chegou ao jogo final com a vantagem do empate. Antes de começar a série de melhor de três jogos com o Paraná Clube, era o tricolor que jogava por três resultados iguais. Mas no primeiro jogo, no Couto Pereira, Cléber deu a vitória por 1x0 ao Cori e reverteu a vantagem.
No segundo jogo, no Boqueirão, o Paraná vencia por 2x0 até os 30 minutos do segundo tempo. Na raça, o Verdão buscou o empate e garantiu o direito de jogar por outro empate no Pinheirão, no terceiro e decisivo confronto da série.
Certamente foi a maior emoção da vida dos coxas-brancas da nova geração. Não tanto pela estatística - afinal, o clube tinha 29 troféus de campeonatos paranaenses guardados - mas pela forma com que aconteceu. Aos 10 minutos de partida, o Paraná já estava vencendo por 2x0 e a torcida tricolor gritava "é campeão". A vontade era de ir embora do estádio... alguns torcedores sentaram nas arquibancadas, desistindo de ver o jogo. Os otimistas trataram de levantá-los: "Já buscamos 2x0 no Boqueirão, vamos buscar de novo!".
E eles estavam certos. Ainda no primeiro tempo, Cléber marcou o primeiro do Coxa cobrando falta, do meio da rua. No segundo tempo, o Cori foi todo para cima e abriu completamente a retaguarda. Por inúmeras vezes, esteve muito perto de tomar o terceiro: Gilberto, nosso guarda-metas, salvou uma dúzia de lances "cara a cara" e a sorte ajudou tanto que teve até paranista perdendo gol sem goleiro.
Quando a noite caía e as últimas esperanças acabavam, o iluminado Darci - que se recuperava de contusão - entrou no jogo. No seu primeiro lance, após cruzamento de Reginaldo Araújo, Darci tocou de primeira, no canto direito de Régis. A gigantesca torcida coxa-branca explodiu de alegria. Era o gol do título.
Mas ainda havia tempo de tomar um grande susto: aos 45, um dos atacantes do Paraná arriscou um chute de fora da área. A bola tinha como endereço a gaveta superior direita do gol coxa-branca. Gilberto, numa ponte lindíssima, espalmou para escanteio e garantiu o título coxa-branca, que encerrou um jejum de nove anos (89-98).
Em 2004, o torcedor coxa-branca está muito mais confiante que no AtleTiba de 2000 - talvez, até mais do que no de 98. Mas o "sorteio" do inexperiente árbitro Marcos Tadeu Mafra acionou o alerta vermelho no Alto da Glória.
Seus antecedentes são horrorosos: o curitibano prejudicou descaradamente o time júnior do Coxa em 2003, num jogo contra o Iraty; semanas antes, anulou um gol legitimo do Paraná na vitória do A. Paranaense por 1x0 no Brasileirão; em 2004, apitou dois jogos do time rubro-negro no Paranaense e, coincidemente, o time da Baixada venceu ambos com facilidade.
Para piorar a expectativa, não tem como deixar de pensar na importância econômica que esse título tem para o nosso rival. A essas alturas, a ClearChannel já deve ter percebido que vai tomar muito prejuízo no Campeonato Brasileiro com os ingressos a R$ 30. Sua única esperança é vender os tais pacotes... e só vai vender se motivar o torcedor com o título de campeão paranaense.
Mas vamos rezar para que a máxima do Eurico Miranda não prevaleça nessa final: "O torcedor tem que entender de uma vez por todos que futebol não se ganha dentro das quatro linhas". E vamos rezar mais ainda para que o árbitro mostre para todos os críticos que é capaz de conduzir um clássico dessa envergadura com competência e honestidade.
Que o espírito esportivo vença o capitalismo selvagem!
E que vença o melhor!
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)