
EDITORIAL
Durante a pausa para a Copa do Mundo, o Coritiba ia muito mal, terminou aquela primeira parte do campeonato - não confundir com o primeiro turno - num péssimo quinto lugar. Péssimo porque apenas os quatro primeiros poderão ter o privilégio de voltar à Séria A. Só que para o Coritiba, o Grande Coritiba Foot Ball Club, isso não é privilégio. É obrigação! Para a torcida Coxa, ser quinto ou ser décimo sexto dá no mesmo!
Sabendo disso, a torcida ficou muito preocupada com os rumos que o time vinha tomando e decidiu agir. Segmentos organizados que representam a grande torcida Alviverde se reuniram com representantes do elenco coritibano. Naquela ocasião, uma conversa franca, pingos nos 'is' e um pacto: enquanto os jogadores demonstrariam raça e comprometimento, alcançando as vitórias e uma boa posição na tabela, a torcida daria apoio incondicional e tranqüilidade para que os jogadores trabalhassem.
Até o Coritiba chegar na liderança, objetivo inicial do pacto, tudo ia bem. Os jogadores demonstraram raça, venceram todas as partidas em casa, ainda que algumas com certo sofrimento, conseguiram respeito dos adversários e chegaram ao primeiro lugar da competição.
Tudo ia bem, até que as coisas começaram a desandar. Os motivos ainda estão obscuros, e até agora só existem conjecturas. Uns dizem que foi a soberba, outros, que o time não soube lidar com o fato de ser "vidraça", sendo visado por todos os adversários. Há ainda quem conjecture sobre assuntos muito mais complicados e preocupantes, como possíveis conflitos de relacionamento entre membros do elenco. Conjecturas fruto do silêncio.
Como ninguém fala nada oficialmente, mas nos quatro últimos jogos o desempenho foi baixíssimo, as mais diversas teorias vem à tona. De certo, além de um rendimento baixíssimo em quatro jogos, três péssimos resultados.
Os motivos ainda não estão totalmente evidentes, então só cabe à torcida apresentar soluções para que essa fase negra seja devidamente liquidada e o Grande Coritiba retome o caminho das vitórias e, conseqüentemente, da Série A, já em 2007. Ela está lá, no horizonte, aguardando-nos. Não podemos nos desviar de nosso caminho ou parar para olhar em volta. O foco é um só e com certeza ele deve ser suficiente para motivar esses atletas. Todos ganharão quando o objetivo for alcançado. E a busca do erro zero, como faz Bernardinho na seleção de vôlei é um bom exemplo a ser seguido.
A torcida está fazendo até mais do que a parte dela. Ela já chegou a jogar pelo time, quando não estava dando. Todos se lembram: o Coritiba perdia por 1 a 0 para o Avaí já no segundo tempo de jogo. A torcida empurrou, cantou, incentivou, sofreu e chorou de alegria quando o time correspondeu com a sua parte - a tão falada RAÇA - e virou a partida.
Assim também foi contra o Remo, que havia empatado um jogo que parecia fácil, mas que foi vencido graças ao Pacto Time/Torcida.
Lá naquele jogo o Coritiba já parecia diferente, assoberbado, sem foco... Mas a vitória veio, e isso ocultou eventuais erros. Até que veio a seqüência de maus resultados, nos jogos contra Guarani e Portuguesa, fora de casa, e o fatídico jogo contra o Brasiliense, em casa.
Todos já estão cansados de ouvir/ler sobre o péssimo desempenho do Coritiba nessas partidas, então não é preciso entrar em detalhes. O fato é que o Coritiba não mostrou ser aquele Grande Coritiba que vinha sendo após o recesso da Copa do Mundo. Não mostrou mais porque vinha sendo temido pelos adversários e porque tinha chegado à liderança.
Talvez a atitude extremamente infeliz de William no Canindé tenha repercutido tanto que causou um racha. Não no elenco - ou não SÓ no elenco - mas no pacto entre o time e a torcida.
Apesar da dor pelos maus resultados e por ter sido ofendida por um jogador que envergava a camisa alviverde, a torcida apoiou. Apesar de ter sofrido ao ver um gol do adversário logo no início do jogo, a torcida apoiou. Apesar de toda a apatia dos jogadores Coxas-Brancas, que acabou gerando o segundo e quase o terceiro gol do time candango, a torcida apoiou. E nem mesmo o ridículo pênalti perdido por Cristian foi capaz de calar a torcida Alviverde. Muitos desanimaram, mas ainda assim, não desrespeitaram os jogadores, não os vaiaram enquanto o árbitro não apitou o final do jogo.
Ao fim da partida, evidentemente a torcida se obrigou a expressar sua decepção pela quebra do pacto: o time do Coritiba não teve raça, não teve brio e não teve amor à camisa alviverde.
Ultimamente, temos visto mais apoio da torcida do que raça dos jogadores. A torcida não vai admitir que os absurdos erros de 2005 se repitam. Se aqueles que dirigem o clube não aprenderam, a torcida aprendeu. E fará de tudo para que eles não sejam repetidos e que possamos estar na Série A, já em 2007. Esse é o nosso foco, essa é nossa obsessão. Nada menos do que isso será tolerado por essa apaixonada torcida, que faz das tripas coração para carregar esse time nos braços. A nossa parte, nós faremos!
De nada adianta o Coritiba ter o elenco mais caro e mais qualificado, no papel, se em campo os jogadores não se comportarem como tal e justificarem o investimento que o clube - e a torcida - fizeram neles! A hora é agora, acorda Coritiba! RAÇA, VERDÃO! PRIMEIRA DIVISÃO.
Equipe COXAnautas
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Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)