
EDITORIAL
A equipe do site Coxan@utas lamenta e condena as atitudes violentas ocorridas entre policiais militares e torcedores do Paraná Clube, por ocasião do jogo em Paranaguá, contra o Rio Branco, no último domingo.
Encerrada a partida, no lado de fora do Estádio da Estradinha, diversos policiais militares agrediram integrantes da torcida organizada Fúria Independente (Paraná Clube), inclusive quebrando diversos vidros dos ônibus onde estavam os torcedores. As imagens foram transmitidas para todo o estado pelo programa Globo Esporte (RPC/Rede Globo), edição regional, desta segunda-feira.
A atitude da Polícia Militar não só não resolve o problema, como cria outros. É sinal de despreparo. E, neste sentido, algo precisa ser revisto e corrigido, pois o erro vem ocorrendo há anos, quando os jogos acontecem em Paranaguá.
Possivelmente, torcedores cometeram exageros, de ambos os lados. Exageros não são exclusivos de camisas verdes, vermelhas, azuis. Em todas as torcidas, existem bons e maus torcedores. Felizmente, em Curitiba, mais bons torcedores existem. Reflexo disto é apresentado nas estatísticas pós-jogos, onde, desde 1998, os confrontos entre torcedores ano a ano ficam mais raros.
A partir de 2001, o processo de combate à violência, que nasceu dentro das próprias organizadas (fato que passa despercebido pela grande crônica esportiva), tem trazido resultados positivos. Maus torcedores foram expulsos das principais organizadas dos três clubes da capital, e dirigentes das organizadas pactuaram, entre si, propostas para evitar confrontos. E as estatísticas de danos ao patrimônio público, de 2001 para cá, comprovam que a iniciativa das organizadas deu certo, apesar disto não ser motivo de destaque na mídia.
É evidente que, num jogo de futebol, a emoção aflora e maus torcedores se comportam errado. A PM alega (segundo matéria desta terça-feira, 28, no jornal Gazeta do Povo) que torcedores do Paraná Clube usaram fogos de artifício na tentativa de agredir os torcedores do Rio Branco. É simples: se a PM afirma isto, é porque presenciou este fato. Se presenciaram, por que não prenderam os agressores em vez de quebrar os vidros dos ônibus? Parece ser mais simples identificar e prender apenas os responsáveis do que agredir a todos, culpados ou inocentes.
A necessidade de um projeto de segurança pública em grandes eventos a cada dia se torna mais óbvio. Esta idéia surgiu há alguns anos, por parte do Presidente da Torcida Império Alviverde, Luiz Fernando Correa, o Papagaio. Infelizmente, as autoridades públicas, até o momento, não pararam para pensar e para agir neste sentido.
A omissão sem fim a cada dia amplia o risco de que um acidente grave com torcedores venha a ocorrer, mais cedo ou mais tarde. Clássicos sem bandeiras; clássicos sem faixas e camisas; torcedores pisoteados por cavalos, agredidos por policiais enquanto comemoravam um título; uma menina que ficou cega, baleada após um jogo. E por aí vai, num ritmo onde a tragédia baterá às portas dos estádios de futebol. Neste ritmo, isto será uma questão de tempo, infelizmente.
Distantes da realidade da comunidade que tanto gosta do futebol, as autoridades parecem simplesmente fechar os olhos, ouvidos e bocas. Nenhum projeto sério, buscando alternativas na busca da solução. Nenhum.
Recentemente, o Ministério do Esporte noticiou o lançamento de um programa para a pacificação nos estádios. Desde o dia 25 de fevereiro, os administradores do site Coxan@utas tentam, sem sucesso, receber uma cópia deste projeto.
O responsável pela área junto ao Ministério, o Sr. Marco Klein, já foi contatado por e-mail por diversas vezes, e informou que faria a remessa do documento via correio. Passado mais de um mês, nada.
Na prática, o que vemos é uma absoluta inércia em todos os níveis da gestão governamental. Isto serve para todos os poderes, em todos os níveis. Ninguém convoca a comunidade para discutir o problema e propor sugestões. Não existem especialistas na área.
O cultuado modelo inglês, que combateu e praticamente erradicou o holliganismo dos anos 80, não pode ser adotado no Brasil, pelo menos sem uma revisão da legislação nacional. Esta tese, contada em verso e prosa por alguns, não passa de falácia, que muito pouco (ou quem sabe, em nada) mudará o nosso problema. Nossa realidade é outra.
A operacionalização do combate à violência, nos moldes da Inglaterra, pode sim ser implantada com sucesso no Brasil, desde que exista uma polícia exclusiva e super preparada para administrar grandes eventos. E, a favor do combate à impunidade, seja de torcedores, seja de autoridades, uma legislação forte.
É, o futebol está perdendo a graça. Quem sabe num futuro, os clássicos serão disputados em portões fechados, sem torcedores, que ficarão em casa, assistindo aos jogos pela TV.
Equipe Coxan@utas
Nota
Em 26 de dezembro de 2004, o site Coxan@utas abordou o tema holliganismo em uma matéria. Para saber mais, clique aqui.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)