
EDITORIAL
Os 13.735 torcedores do Coritiba que foram ao Estádio do Pinheirão tiveram um papel fundamental na vitória do Coritiba por 1x0 frente ao A. Paranaense. Pelo menos é o entendimento que o técnico Antônio Lopes e o lateral Rafinha, autor do gol da vitória do Coritiba, demonstraram em declarações à imprensa após o final da partida. Lopes disse que nunca tinha visto tamanho entusiasmo da torcida Coxa, que cantou ininterruptamente a partir dos 20 minutos do segundo tempo até o apito final, repetindo o acontecido na decisão de 2004, na Baixada (3x3). Rafinha também declarou às rádios que ficou emocionado com o apoio vindo das arquibancadas, onde os torcedores do Coritiba cantaram o Hino do Clube e outras músicas de apoio ao Verdão de uma forma ensurdecedora, ajudando o time alviverde a vencer o ferrolho defensivo do treinador rival.
Com a vitória de 1x0, o Coxa leva a vantagem para a última partida, na Baixada, onde poderá empatar para ficar com o Tricampeonato.
A partida neste domingo foi bastante equilibrada, apesar da proposta do treinador do A. Paranaense ser basicamente a de se defender para não sofrer o gol e tentar a sorte num chutão do goleiro aos atacantes.
A atuação do árbitro Héber Roberto Lopes foi boa tecnicamente, mas fraca disciplinarmente. Nem mesmo Héber foi capaz de punir o jogador Marcão, que estava pendurado com dois cartões amarelos e distribuiu pelo menos três pontapés nos jogadores do Coritiba, e não foi advertido pelo árbitro do clássico.
Resumo da primeira batalha vencida pelo Verdão
Historicamente, desde 1995 os AtleTibas têm sido decididos mais na base da raça do que na base da técnica. Na vitória Coxa por 1x0 não foi diferente. Muita marcação, algumas jogadas mais ríspidas de ambos os lados e muita vontade dos jogadores fez parte da história do jogo, que começou mais quente pelo lado do adversário, quando, aos 4 minutos, numa cobrança de falta com Fabrício, obrigou o goleiro Fernando a intervir com uma ótima defesa. O jogador do adversário cobrou a falta direto contra a meta alviverde e o goleiro Coxa espalmou a bola pela linha de fundo.
O troco Coxa-Branca ocorreu três minutos mais tarde, com Marciano, que, em jogada individual pelo lado esquerdo, fez bela finta no zagueiro e lançou Marquinhos, cara a cara com o goleiro do rival. O meia coritibano bateu de primeira, mas com pouca força e a goleiro do A. Paranaense defendeu de forma espetacular, evitando aquele que seria o primeiro gol do Alviverde.
O lance incendiou a torcida do Coritiba, que empurrava o time. Mas a forte estrutura defensiva do adversário, que cadenciava o jogo fazendo rodízio de faltas, parava o ímpeto alviverde.
Aos 17 minutos, o adversário faz um contra-ataque, o meia Fabrício, que desta vez não foi vaiado pela própria torcida, cabeceia a bola em direção à área e a bola toca na mão de Miranda, caído no gramado. O árbitro interpreta como lance normal, assim como o assistente Idelfonso Trombeta, que não viu ilegalidade no lance.
A próxima chance do Verde aconteceu aos 21, com Rafinha, em grande estilo, chutando muito bem de média distância, para outra incrível defesa do goleiro Diego, que recebeu um coro da torcida coritibana no início da partida.
Aos 32 minutos, o atacante Denis Marques, dentro da grande área do Verdão, perdeu uma oportunidade inacreditável de abrir o marcador para o time visitante, quando, de frente para o gol de Fernando, acabou se embolando sozinho com a bola e perdendo a melhor chance para o time do A. Paranaense na primeira etapa.
Aos 39 minutos, o Coxa volta ao ataque, com Rafinha indo bem à linha de fundo e cruzando para Rodrigo, que bateu de primeira na bola para outra sensacional defesa do goleiro adversário, que evitou o gol do Coritiba.
Ajudado pelo erro tático do técnico do A. Paranaense, que substituiu dois jogadores do seu time durante o intervalo - Mior colocou o zagueiro Baloy no lugar do lateral Marin e o atacante Maciel no lugar do atacante Aloísio, deixando em campo o atacante Denis Marques, que não importunava a zaga do Cori - Antônio Lopes teve seu trabalho facilitado na segunda etapa.
Aos 11 minutos, o Coritiba foi à frente, com Ricardinho cobrando uma falta e a bola passando bem perto da trave.
Aos 20 minutos, nova chance do Coxa. Negreiros fez boa jogada, lançando para Capixaba em frente ao gol, mas o meio campista do Coritiba chutou para fora, perdendo ótima chance para o Verdão.
A partir dos 20 minutos da etapa complementar, a torcida Coxa, que já havia feito uma enorme festa na entrada do time em campo, e que vinha motivando seus jogadores desde o primeiro tempo, fez um enorme carnaval nas arquibancadas e cadeiras do Pinheirão, cantando sem parar até o final da partida.
A força vinda das arquibancadas ganhou mais eco com as mudanças de Lopes, que tirou Marquinhos e Marciano para as entradas de Jackson e Negreiros. As alterações no time alviverde deram resultado, pois o Cori ganhou o meio de campo, e na frente Negreiros teve ótima movimentação, abrindo os espaços por ambos os lados da defesa do visitante.
Aos trinta minutos do segundo tempo, o lance capital da partida. O atacante Nunes fez boa jogada pelo lado esquerdo, enganou a zaga do A. Paranaense e cruzou rasteiro. O goleiro do adversário ficou parado embaixo das traves e a bola sobrou livre para o lateral Rafinha, na pequena aréa, chutar forte para fazer o gol da vitória do time Verde. Coxa 1x0, explosão sonora no Pinheirão.
Com a vantagem no marcador, o Coxa procurou cadenciar o jogo e jogar no contra-ataque, usando do mesmo estilo de jogo adotado durante 75 minutos pelo time do A. Paranaense, que, de forma atabalhoada, ia ao ataque. Com mais força do que jeito, os atacantes do time visitante pouco importunavam a zaga Coxa, bem postada com Nascimento e Miranda, e bem ajudados pelo volante Egídio, que fazia bem o primeiro combate em frente à meta de Fernando.
O A. Paranaense teve suas melhores chances em jogadas de bola parada, onde os cruzamentos inevitavelmente iam parar na cabeça de Marcão, o homem surpresa de Mior. Foi num destes lances que o time da Baixada teve sua melhor chance de empatar, com Marcão recebendo um cruzamento da esquerda e cabeceando para ótima defesa de Fernando, que tocou para fora e evitou o empate.
A partir dos 35 minutos da etapa final, o jogo ficou ainda mais caracterizado pela vontade dos jogadores do que pela técnica e tática de ambas as equipes. Enquanto a torcida Coxa fazia uma festa ensurdecedora no Pinheirão, o time coritibano conduzia o jogo ao seu final de forma inteligente, tocando bem a bola e procurando o jogo com Nunes e Negreiros.
Quase no fim da partida, Negreiros perde grande oportunidade para marcar o segundo gol alviverde. O atacante coritibano recebeu a bola na frente da grande área, fintou dois adversários e, quando ia concluir contra a meta de Diego, um zagueiro adversário entrou de carrinho tirando a bola pela linha de fundo.
Dominando a posse de bola na intermediária, o time do Coritiba chegou aos 48 minutos sem grandes atropelos por parte dos atacantes adversários. Ao apito final, a torcida do Alviverde comemorou a vitória de forma muito ruidosa, enquanto os 1.900 torcedores do A. Paranaense deixavam as arquibancadas do Estádio da Federação de forma silenciosa.
Agora o Coritiba leva a vantagem de jogar por um empate no próximo domingo, 17, na Baixada, para levantar o seu 33º título de Campeão Paranaense de futebol. Mas até lá, muita coisa acontecerá, pois em semana de AtleTiba, tudo pode acontecer. Mas é bom lembrar que, no próximo clássico, Mior terá que fazer seu time jogar para frente, abrindo espaços em sua frágil defesa, situação que deverá ser muito bem explorada pelo matreiro técnico do Coritiba.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)