
EDITORIAL
Uma decisão tão ridícula quanto histórica colocará o futebol paranaense na "vitrine" do futebol mundial outra vez. Depois de ser chacota mundial por ter validado um gol em que a bola nunca entrou, o futebol paranaense voltou à tona por situações ridículas ocorridas extra-campo.
Apesar do pouco destaque pela mídia, na última sexta-feira uma decisão unilateral da diretoria do A. Paranaense de não liberar o televisionamento do clássico AtleTiba para a cidade de Curitiba e Região Metropolitana, o circo de horrores que assombra o futebol do Paraná parecia ter chegado ao fim.
Ledo engano, pois o festival de imbecilidades que assolam reviveu os idos de 1936, quando Hitler se negou a cumprimentar o americano negro, Cornelius Johnson campeão no salto em altura na Olimpíada de Berlim.
Na oportunidade, o ditador alemão cumprimentou outros competidores brancos mas se negou a cumprimentar Johnson, não aceitando a superioridade do atleta negro, vencedor da prova.
Em entrevista ao setorista Paulo César, o PC, da Rádio Paraná num programa do horário do almoço, a Grande Resenha Esportiva,o Vice-Presidente do Coritiba, André Ribeiro confirmou que o propósito da diretoria do A. Paranaense em não autorizar que o Coritiba, sendo o time vencedor do Campeonato Paranaense no domingo, receba o troféu e dê a volta olímpica na Baixada, foi (pasmem!) aceito pela Federação Paranaense de Futebol.
Durante o programa, o setorista que cobre o A. Paranaense confirmou a notícia junto a assessoria de imprensa do time da Baixada, que alegou tratar-se de uma medida de segurança esta decisão do A. Paranaense.
É de se estranhar que a diretoria do A. Paranaense tema pela segurança naquele que é o estádio auto-intitulado por ela mesmo como o melhor e mais moderno estádio do país. Mais estranho é o fato de que a atribuição definida por lei de que a segurança pública é dever do Estado estar agora nas mãos da iniciativa privada. Será que o Sr. Secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, concorda com esta situação?
A atitude do A. Paranaense ganha contornos de piada, pois seria inusitado no futebol um time campeão não poder receber a taça, nem dar a volta olímpica, por ter vencido na casa do adversário. É de se lamentar que o Sr. Onaireves Moura, presidente da entidade máxima do futebol do Paraná (e não do futebol do A. Paranaense) tenha se sujeitado a concordar com esta medida. Logo no ponto máximo da festa organizada por ele, o Sr. Moura deixaria de entregar a taça para o Coritiba da competição organizada pela Federação.
Se coonfirmada, esta decisão da diretoria do A. Paranaense entrará para a história do clássico, maculando de forma irreversível a imagem do maior clássico do Paraná, pois a partir de agora, só um time pode ser vencedor, ser campeão. Vocês estão matando o AtleTiba, senhores...
Por outro lado, mais esta medida ditatorial, antidemocrática e impopulista tomada pela diretoria do A. Paranaense reforça o fato de que o Coritiba continua lutando contra tudo e contra todos no futebol do Paraná. E quem sabe, isto não faça os deuses do futebol retribuírem todo este tipo de desacato, desrespeito ao bom futebol, fazendo com que o Coxa chegue ao Tricampeonato, possibilitando dentro de campo a melhor resposta possível para tanta aberração extra-campo?
Torcedor Coxa: divulgue esta notícia pelo Brasil e pelo mundo, fazendo com que mais gente fique sabendo como é a realidade nua e crua do futebol paranaense, sem a maquiagem dos marketeiros de plantão, que parecem se esforçar ao máximo para não permitir que o país saiba que nem tudo são flores no reino do futebol paranaense.
Novamente, contra tudo e contra todos, o Coxa lutará bravamente pela conquista do Tricampeonato. Agora temos mais um ótimo motivo para silenciar a Baixada.
Luiz Carlos Betenheuser Júnior
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)