
EDITORIAL
ascimento de uma bicicleta
Latitude e longitude estariam não muito precisas devido aos mais variados fatores. O que importa é que o dia 24 de julho de 2004 já é eterno.
A localização exata de onde vi o fato (a partir de então, inesquecível) é: primeira torre de iluminação das cadeiras da Mauá, grupo de amigos de São Paulo e Curitiba reunidos ao sol deste rigoroso inverno na capital Mundial do Coxa. E que belo sábado teve Curitiba.
Vamos lance: a bola está com Tuta ele gira o corpo e sai da marcação de três adversários, olha para o gol e vê Alemão se posicionar. Toca a bola com uma maestria que ela ganha altura e velocidade já lisonjeada por saber antecipadamente o que lhe iria acontecer.
Ela (a bola) viaja, cumprimenta o céu azul curitibano, passa pela imagem e se benze diante da cruz da Igreja Nossa Srª. do Perpétuo Socorro), desce e é amparada pelo peito de Alemão, (nesse instante a respiração de todo o estádio pára) ele olha para o gol que está às suas costas, movimenta seu corpo num balé inimaginável, saltando sobre seu eixo e pedalando ao ar como quem não respeitasse a lei da gravidade; toca com tal perfeição na bola que por outro instante seu pé e a bola se beijam apaixonadamente, ela segue seu curso, o goleiro adversário assiste a tudo e não quis ficar de fora deste lance tão espetacular: ele salta para a direita, abre os braços e a vê passar descendo sobre a rede num zunido que só bola, rede e goleiro conhecem.
FESTA NO MAJESTOSO. É GOL DO
CORITIBA, UM GOLAÇO DE BICICLETA,
EPÓPÉIA NO ALTO DA GLÓRIA. GOL DE PLACA.
EU VI E FOI ASSIM.
Marcos Freitas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)