
POLÊMICA
Ariel Nahuelpan, camisa 37. Mesmo tendo a sua capacidade técnica questionada, o atacante argentino conquistou a maior parte da grande torcida Alviverde. Identificado com o time, com a torcida e com muita raça e disposição. Além de tudo, foi a contratação mais cara da história do Coxa, com cerca de US$ 1,5 milhão investido em 80% do seus direitos federativos. Mas o namoro pode estar chegando ao fim e Ariel seria mais um jogador a deixar o Coxa na gestão do presidente Jair Cirino (foto) sem render retorno financeiro ao clube.
Informações de bastidores que circularam na capital paranaense nesta segunda-feira,25, dão conta de que o argentino xodó da torcida Coxa pode estar se preparando para deixar o Alto da Glória sem render dividendos ao Cori, assim como Marcelinho e Carlinhos Paraíba, Marlos, Rodrigo Mancha e o zagueiro Leandro Silva, entre outros nos últimos dois anos. A polêmica toda teve início com um comentário do conselheiro do Coritiba, Domingos Moro, no site Voz do Coxa. "Ariel Nahuelpan foi notificado extrajudicialmente pelo Coritiba FC para assinar a prorrogação de seu contrato. Como não haviam sido estabelecidas as condições da prorrogação, contranotificou o Clube e pediu os “céus”. E agora?” , questionou o advogado.
A sequência da polêmica aconteceu ainda na segunda-feira. Novas informações de bastidores e fontes ligadas ao Coxanautas ventilaram a possibilidade do advogado Augusto Mafuz entrar com uma ação para liberar o jogador de seus compromissos com o time do Alto da Glória. Mafuz também é ligado ao procurador de Ariel, o também argentino e ex-jogador do Cori, Eduardo Francisco Dreyer. Mafuz, além de ser especialistas na área esportiva é também torcedor declarado do rival do Coritiba, o A. Paranaense.
A mesma fonte ligada ao Coxanautas também revelou que o dia foi agitado no clube e que os integrantes dos departamentos de futebol e jurídico passaram o dia agitados e tensos. Disse ainda que a possibilidade do contrato de "gaveta" simplesmente não existir, a exemplo do caso de Marcelinho Paraíba, é grande. Neste último caso a suposta renovação, coordenada por Felipe Ximenes conforme declarações à época, resultou em uma famosa foto do presidente Jair Cirino ao lado do jogador posando com camisas alusivas a data do novo vínculo. Como todos sabem, Marcelinho recebeu luvas pela renovação e hoje joga o campeonato paulista pelo São Paulo. O clube não se posicionou de maneira oficial sobre as luvas pagas ao jogador e de que forma elas foram reembolsadas ao Coritiba.
Mas o caso de Ariel torna-se mais curioso ainda pelo fato de que há 17 dias atrás o vice-presidente do Coritiba, Vilson Ribeiro de Andrade, concedeu entrevista reproduzida em todo o território nacional ironizando o interesse do Fluminense no atacante do Coxa. “Eles que tragam 20 milhões de euros que ainda sai negócio”, disse Andrade ao jornalista Thiago Araújo para depois completar: “Eles também podem nos ceder o Fred e o Michael, então podemos conversar”, ironizou ao jornalista.
Entenda o caso.
Ariel Nahuelpan foi contratado pelo Coritiba no início da primeira gestão do presidente Jair Cirino. Na época, o atacante ainda totalmente desconhecido, atuava em um time da segunda divisão argentina, o Nueva Chicago. A negociação teria sido conduzida pelo próprio Dreyer, procurador do jogador e o diretor de futebol Tonico Xavier, que também contratou Carlinhos Paraíba por cerca de R$ 700 mil. Ariel chegou então a ser chamado de "Keirrison Argentino" e tornou-se a contratação mais cara da história do Coritiba, com US$ 1,3 milhão investido em 80% dos seus direitos federativos.
Pela necessidade do contrato estar vinculado diretamente ao visto de trabalho, o primeiro contrato de Ariel com o Coritiba foi assinado por dois anos. Mas a direção do clube tratou, por diversas vezes, de tranquilizar a torcida, já que um novo vínculo automático já estaria assinado por mais cinco anos e seria publicado tão logo o visto de trabalho do jogador fosse renovado. Com o atual contrato terminando no dia 30 de julho deste ano, o vínculo seria ampliado prontamente por mais cinco anos.
De acordo com declarações do diretor jurídico do clube, Gustavo Nadalin, a torcida poderia ficar tranquila com relação a forma como a negociação foi conduzida. “O contrato tem de ser proporcional ao visto de trabalho. Quando o visto estiver próximo de acabar, nós vamos renovar. Temos um instrumento particular com multa e outras sanções que garantem isso”, afirmou em declarações reproduzidas em portais da Internet à época.
Após um início conturbado no Coritiba e alvo de críticas de parte da crônica especializada, Ariel ia caindo nas graças da torcida mesmo sem grandes atuações com a ausência de gols. Ao marcar em alguns jogos decisivos e com o apoio da que nunca abandona, ele foi ganhando confiança e aos poucos foi melhorando seu futebol. Ele chegou a declarar aos jornalistas, em certo momento, que suas dificuldades ocorriam em parte pela ausência de treinos de fundamento no futebol argentino.
Após um Campeonato Brasileiro regular em 2009, quando marcou bonitos gols como o lance de bicicleta contra o Goiás, chamou a atenção de outros clubes. As sondagens aumentaram após o final do campeonato, quando o Coritiba foi rebaixado. Fluminense e Botafogo chegaram a manifestar interesse na contratação do argentino, então ironizada pelo vice-presidente Vilson Ribeiro.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)