
Entrevista coletiva
Por: João Carlos Sihvenger
Respostas do Fernando Seabra:
Em que momento teve a convicção de vir para o Coritiba? “Um clube que tem planejamento estratégico claro, boa organização departamental, as boas referências dos profissionais que estão trabalhando aqui, os processos que estão muito maduros dentro do clube. A questão da torcida que é muito presente e atuante.”
Está participando da formatação do elenco, com a vinda de jogadores mais experientes e jovens? “Desde a minha contratação tenho participado de todos os movimentos, e o fato de contar com jogadores experientes e vencedores também foi um atrativo para mim. Entendo que os fatores mental, técnico e físico são muito importantes na série A ainda mais quando se tem uma grande reformulação do elenco. É importante que tenhamos jogadores concretos dentro do projeto para não correr riscos na série A, como também jovens que se espelhem nesses jogadores mais experientes.”
Como pode aproveitar a base que ficou do ano passado e o que fazer para aperfeiçoar esse trabalho? “Tenho que potencializar os meus liderados, e nisso tenho que parabenizar o Mozart que teve muito mérito na organização de jogo que conseguiu estabelecer. Alguns aspectos serão similares pela continuidade de boa parte do elenco, estamos conduzindo esse processo que logicamente terá algumas diferenças porque novos jogadores estão chegando, com suas características e potencialidades. Estamos no nosso dia a dia proporcionando nos treinamentos, um incremento necessário para a disputa desta série A, mas temos que manter muita coisa do ano passado, a lealdade, a competitividade, no mais é um processo de construção no sentido de potencializar as individualidades para potencializar o coletivo.”
Quais os desafios do novo calendário do futebol brasileiro? “O calendário impacta no planejamento competitivo, isso nos levou a começar o paranaense com a equipe sub20 para dar um mínimo a mais de tempo para o preparo da equipe principal. Abre-se então a oportunidade da equipe sub20 de jogar esses jogos com o apoio da torcida que mesmo com a derrota, aplaudiu, então podemos tirar coisas positivas disso. Outro ponto desse novo calendário é a questão de que os times estão segurando mais os jogadores porque o brasileiro logo começa.”
Como pretende trabalhar o setor ofensivo da equipe? Qual seu estilo de jogo? “Eu busco criar um repertório em todas as fases da construção ofensiva, sem necessidade de ter posse, de empurrara o adversário no seu campo. A ideia é que a verticalidade venha em primeiro, é encontrar as vantagens para invadir a área do adversário e o principal, trocar de ritmo e invadir a área. A consistência defensiva na série A é fundamental para o time subir na tabela e fazer gols.”
O que pretende fazer para manter a consistência defensiva que teve ano passado, visto que perdeu os dois laterais? “Quanto às laterais, estamos no mercado, mas temos um jogador que é referência na posição que é o Tinga, na esquerda temos o Bruno, o João, e mais o Felipe na direita. Além disso estamos no mercado para mais um esquerdo e um da direita. Tenho tranquilidade na questão dos outros membros da defesa, com um nível de disputa muito bom. Qualquer time que quer competir em alto nível tem que ter uma consistência defensiva e disponibilidade de jogadores.”
Como pensa no ataque, com um camisa de referência ou outro jogador adaptado ali? “É importante ter diversidade de opções. Aqui temos atacantes de mobilidade como o Pedro, que já atuou como nove, mas é importante ter um camisa nove centroavante, que tenha profundidade, que faça gols, e nada impede que esses dois tipos de jogadores possam atuar juntos. A prática do dia a dia nos vai dar condições de verificar essas situações.”
Como alinhar expectativa e realidade? A permanência na série A seria mais importante? “O objetivo principal e primeiro é a permanência, mas estamos trazendo um grupo de vencedores e temos ambição e capacidade de sonhar mais. Vamos ter coragem de jogar futebol e ter ambições maiores junto com a torcida.”
Como vê a torcida do Coritiba em jogos no Couto? “Na série A é muito difícil vencer fora de casa. O fator casa tem que ser preponderante. Poucos times pontuam bastante fora de casa, uns dois ou, três apenas. Precisamos transformar essa atmosfera muito favorável para fazer a diferença nos jogos no Couto. Será fundamental o apoio da torcida nos jogos em casa.”
Como pretende utilizar o Josué, que ano passado tinha algumas obrigações defensivas que o afastavam um pouco da área adversária, como será no seu esquema de jogo? “É um jogador extremamente criativo, missões defensivas e ofensivas todos tem e ele terá. Tenho que ver a melhor forma para o jogador defender e atacar e isso faço com todos os jogadores.”
Como é o estilo da Seabra com os atletas e na beira do campo? “Sou mais pilhado em treinos, e no jogo busco me manter lúcido, mas não crio um personagem.”
Como sustentar um trabalho para que seja mais longevo? “Tenho compromisso com a excelência do meu trabalho, do trato com os atletas, isso para conquistar a gestão do clube, então depende de mim, do trabalho que vou colocar. Encontrei um projeto no clube, então não serei um para raio, existe o compromisso com o resultado e uma estrutura para que o trabalho seja bem desenvolvido.”
Respostas do Willian Thomaz:
Qual foi a conversa que teve com o Fernando sobre as competições em que o clube vai participar, na questão de metas? “A expectativa do torcedor é mesma nossa e isso nos obriga a pensar grande sempre. Estamos confiantes e seguros nas ações que estamos fazendo, não vamos colocar limites na nossa campanha ao longo do ano. Em relação às competições, em virtude da mudança de calendário, seria uma irresponsabilidade colocarmos a equipe principal nesses primeiros jogos, por outro lado, estamos oportunizando esses jovens para jogar, com torcida apoiando e até nos antecipando à cadeia toda. É um risco calculado e importante.”
Em que nível está a SAF do Coritiba para encarar os desafios deste ano? “O Coritiba hoje é muito bem-visto no mercado, pelos profissionais que estão aqui. O ano de 2024 foi um ano de muita ruptura, mas foi necessário para que chegássemos no estágio atual, um clube mais blindado, sem dispersão de energia, só se preocupando com os jogos. Hoje esse ambiente estabilizado repercute bem para os profissionais de fora. O Coritiba está muito próximo de estar preparado para as mudanças que devem ocorrer no futebol brasileiro, tipo, fair play financeiro por exemplo. Já estamos com dois anos de um planejamento de 10 anos, e estamos muito bem-organizados.”
Em 2023 houve muita troca de treinador, um ano conturbado que acabou com o rebaixamento. O que prometer ao torcedor nesta série A? “Em 2023 foi um momento de transição, não posso falar muito porque não estava aqui, posso falar de 2024 e 2025 e que hoje temos um ambiente mais blindado, estamos com um profissionalismo ao extremo, no CT, nas outras áreas do clube, com isso temos condição de minimizar erros.”
Como se deu a conversa com o Fernando para assumir o Coritiba, visto que o Mozart não teve continuidade? “Tivemos a preocupação de procurar um profissional com boas ideias, mas que não fosse agressivo nas mudanças, e ainda que agregasse novas ideias e valor. O Fernando tem uma marca no mercado e já está posicionado nesse mercado. As conversas foram muito profundas, detalhamos todo o projeto, desde o que foi feito no ano passado e o que queremos para este ano.”
Quais os critérios para a formação do elenco? E a renovação do Rodrigo Moledo? “Antes de tomar uma decisão, procuramos um embasamento grande. O departamento de Analitics, faz estudos e nos dá um direcionamento para a aquisição de atletas, não só para o ataque. Estamos priorizando a experiência na fase defensiva, um meio campo com jogadores de mobilidade, e no ataque, jogadores de mobilidade também para melhorar a média da série B. Quanto ao Moledo, fizemos um processo de retomada com ele porque tinha ficado um período inativo, teve que ser aproveitado prematuramente devido às lesões do Maycon e do Bruno Melo, e foi muito bem. É um profissional muito importante no dia a dia, uma referência de conduta e para nós fez todo sentido.”
Como avaliou o mercado de contratações? E o camisa nove vai ser anunciado? “O mercado está bem inflacionado, nossa estratégia é continua no mercado, ele não para, vide o Willian Oliveira que tentamos ano passado e não deu, mas agora ele veio, o próprio Fabinho, Thiago Santos, que tentamos em duas oportunidades e agora conseguimos. O Lavega nós monitoramos há dois anos, tentamos quando ele estava no River do Uruguai, agora conseguimos. E relação ao camisa nove, estamos na expectativa, é a posição mais difícil no mercado, estamos esperando o tempo certo para fazer a abordagem final e em breve teremos a solução.”
Quando a equipe principal deve estrear na temporada? “À medida que formos vendo que atletas estejam em condições, a ideia é ir colocando que esteja em melhor condição, até que todo o grupo principal possa jogar. Nosso objetivo é o campeonato brasileiro, mas o paranaense também é importante para nós.”
Em relação ao Morisco, ele vai ficar para série A? “Somos um clube formador, reconhecido no mercado e isso chama a atenção. O mercado busca esse jovem talento que vira protagonista e aumenta o valor de mercado dele. Cabe ao clube avaliar se os valores são condizentes, mas nossos jovens atletas ainda têm potencial de crescimento. Não temos nenhuma proposta a ser avaliada.”
Como avalia o mercado do Coritiba até agora, quais posições ainda estão procurando no mercado? “Estamos satisfeitos com nosso mercado. Não temos preconceito coma idade, hoje vemos inúmeros jogadores com idades superiores a 30 anos e com excelente performance, a tecnologia evoluiu muito. Maycon, Josué foram exemplos disso no ano passado. Conhecemos o dia a dia dos jogadores e sabemos da capacidade deles. Falamos de ciência, saúde e performance. Quanto às demais posições, estamos vendo, o mercado nunca para.”
Qual a mensagem para o torcedor, que está empolgado com a volta à série A? “A mensagem é de muito trabalho, temos ambição, temos que ter competência, estratégia, capacidade de gestão humana. Vamos continuar crescendo a cada ano. A chegada do grupo do Independente Del Valle foi devido ao projeto apresentado e o sucesso que se prevê ao longo dos anos. O cenário é de otimismo.”
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)