
BRASILEIRO85
Por Marcelo Algauer de Almeida, Fernando Todeschini, Marcus Popini e Dalton Paraizo Benik - COXAnautas
Era grande a aposta do presidente Evangelino Neves na dupla Dino Sani - Hélio Alves. Afinal de contas, se os investimentos financeiros - Cr$ 800 milhões, conseguidos por empréstimo junto a empresários - por um lado não eram muito vultosos, por outro estavam acima da realidade do futebol paranaense.
Haviam onerado sobremaneira os cofres do clube, que vinha há várias temporadas, apresentando déficit financeiro. Dizia Evangelino que geria o clube “muito mais com a emoção do que com a razão”.
Não obstante a confiança de Neves nos trabalhos do treinador e do supervisor, para a esmagadora maioria da imprensa nacional, ninguém reconhecia o Coritiba como candidato ao título.
Os holofotes eram apontados, especialmente, para São Paulo, Corinthians, Flamengo, Fluminense, Atlético/MG e Internacional. Estes clubes possuíam em seus elencos, grande parte dos jogadores que participaram dos mundiais da Argentina em 1978, da Espanha em 1982, do México em 1986, da Itália em 1990 e dos Estados Unidos em 1994.
Eram nomes de peso como por exemplo Mueller, Pita, Careca, Oscar (São Paulo); Carlos, Hugo De León, Dunga, Casagrande (Corinthians); Fillol, Jorginho, Mozer, Leandro, Bebeto (Flamengo); Paulo Vitor, Duilio, Ricardo Gomes, Branco, Romerito, Assis e Washington (Fluminense); Éder Aleixo, Luizinho, Nelinho, Paulo Isidoro, Reinaldo (Atlético/MG); Gilmar Rinaldi, Mauro Galvão, Luis Carlos Winck (Internacional).
Afora os candidatíssimos ao título, haviam em outros clubes jogadores como Roberto Dinamite, Romário, Geovani (Vasco), Josimar, Alemão, Baltazar (Botafogo), Valdo, Renato Gaúcho (Grêmio), Waldir Peres, Ricardo Rocha, Neto (Guarani), Leão, Mario Sérgio (Palmeiras), Jorge Mendonça (Ponte Preta), também de renome nacional e internacional.
Sem grandes estrelas internacionais, o elenco do Coritiba se destacava muito mais pela aplicação tática e pelo preparo físico dos atletas, do que efetivamente pelos valores e pelo rendimento individual de cada um.
Após a saída de Sani na 4ª rodada do primeiro turno, foi escolha do técnico Ênio Andrade aplicar o seu característico estilo ao time, prevalecendo a noção de grupo sobre a individualidade. Priorizava-se a obediência ao esquema de jogo e a possibilidade de os atletas doarem-se por 90 minutos, sem se cansarem.
O time viria com uma zaga sólida, guarnecida por um ótimo goleiro. O meio de campo de garra, compacto, mas pouco criativo, com dois volantes fixos e um meia de ligação. O ataque contava com dois pontas ariscos e agressivos, mas obedientes taticamente, que buscavam sempre servir ao centroavante trombador. Um time que jogava na base da paciência e no contra ataque, aguardando o erro do adversário para buscar o gol.
Foi com este esquema tático que o Coritiba foi mal no primeiro turno, mas conquistou incontestavelmente o segundo. Sobrepujou na segunda fase o Corinthians Paulista, favorito ao título, o Sport Recife, clube com melhor aproveitamento de todo o campeonato, e o forte Joinville.
Venceu o estreladíssimo Atlético/MG em casa e agüentou heroicamente 90 minutos de pressão no jogo de volta da semifinal.
E por fim, em jornada heróica de Rafael - que durante 120 minutos defendeu tudo o que foi arrematado contra o seu gol, sendo que a única que passou desviou na zaga, quando o goleiro estava indo para o lance – o Cori, com extrema determinação defendeu, administrou e cadenciou o jogo à sua maneira, empatando com o Bangu na finalíssima, levando o jogo para os pênaltis e vencendo na primeira série de cobranças alternadas.
Era o presidente Neves vencendo as apostas da imprensa nacional, contra tudo e contra todos.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)