
BRASILEIRO85
Por Marcelo Algauer de Almeida, Fernando Todeschini, Marcus Popini e Dalton Paraizo Benik - COXAnautas
FORMAÇÃO DO TIME
O Coritiba havia alcançado a terceira colocação nas temporadas brasileiras de 1979 e 1980, ascendendo em ambas à fase semifinal. Entretanto, ficando mal colocado nos estaduais dos anos seguintes, entre 1981 a 1983 amargou a participação na Taça de Prata, então equivalente à 2ª divisão.
Em 1984, voltou a disputar a Taça de Ouro, indo à fase de quartas de final. Foi eliminado em dois jogos pelo Fluminense, que posteriormente seria o campeão. O Cori terminou o torneio de 1984 na oitava colocação.
Classificado para a edição de 1985 pelo sistema de ranking da CBF, e com a finalidade de superar a boa campanha do ano anterior, o clube manteve a base de 1984. Contratou alguns poucos jogadores, entre eles alguns jovens valores que despontavam, sobretudo nos outros clubes da capital.
Goleiros
Para fazer companhia a Jairo e Gérson no gol, foi contratado o explosivo Rafael. Ele havia surgido em 1977 no Corinthians Paulista, clube que o desprezou. Jogou a temporada de 1978 pela Ponte Preta. Em 1979 transferiu-se para o então forte Grêmio Maringá. Nesta época, no ano de 1980, em reportagem de folha dupla da revista Placar, o goleiro se auto proclamou como o “melhor goleiro do Brasil”. Transferiu-se então para o A. Paranaense, sendo reserva do excelente Roberto Costa nas temporadas de 1982 a 1984.
Cansado da condição de reserva, entrou em negociação com o Coritiba. Foi então que Evangelino Neves confidenciou ao supervisor Hélio Alves: “’Feiticeiro’, estou trazendo o melhor goleiro do país”.
Rafael subiu a Engenheiros Rebouças e depois a Ubaldino do Amaral, vindo parar no Alto da Glória, para disputar e ficar com a posição com o legendário Jairo.
Ao final daquela temporada de 1985, ninguém duvidava que tanto o atleta como o dirigente estavam certos. Rafael era, de fato, o maior arqueiro em atividade no país. Realizou verdadeiros milagres, sobretudo nos dois últimos jogos do certame, contra Atlético/MG e Bangu. Por suas vultosas atuações nesses jogos, recebeu duas notas 10 no troféu Bola de Prata, concedido pela revista Placar.
O próprio Jairo confidenciou mais tarde que a ele não importava ficar na reserva, porque sabia que a meta estava nas mãos do melhor, e que o Coritiba só tinha a ganhar com isso.
“São Rafael” levou para casa a “Bola” daquele ano, sendo o único atleta do time campeão a figurar na seleção do torneio.
Transformou-se, como Jairo, em uma legenda. É um dos maiores ídolos, senão o maior, de toda uma geração de torcedores coritibanos, sobretudo aqueles nascidos na década de 70.
Defesa e laterais
Para o setor de defesa, permaneceu no clube Gomes. O experiente campeão brasileiro pelo Guarani/SP em 1978, havia chegado ao Cori em 1984, sendo titular na boa campanha daquele ano. Veio Heraldo, campeão sulamericano e vice-campeão do 1º Torneio Mundial de Juniores em 1977, contratado junto ao Santa Cruz/PE.
Chegaram do Colorado E.C., Marildo, uma promessa que despontava, e Dida, lateral esquerdo que naquele mesmo ano, no mês de setembro, venceria com a seleção brasileira de juniores o Campeonato Mundial realizado em Moscou.
Estes reforços se juntaram a André, Hélcio e Vavá, revelações caseiras que já tinham sido alçadas e se firmado no profissional, e ao lateral Zé Carlos. Completavam a zaga os experientes Caxias e também Gardel, zagueiro titular das destacadas campanhas nacionais de 1979 e de 1980.
Meio campo e ataque
Como todo o restante do time, os setores de meio campo e ataque também não sofreram significativas alterações entre 1984 e 1985.
Foram mantidos Eliseu - que pouco jogou -, o experiente Marco Aurélio - um dos cérebros do time da Ponte Preta vice campeã paulista de 1977 e 1980 – e que chegara ao Cori em 1984, e o jovem Toby – que já vinha barbarizando nas temporadas anteriores, e era detentor de todos os prêmios de destaque como melhor jogador da imprensa do Paraná. Buscava francamente espaço na seleção brasileira que disputaria a Copa de 1986.
Almir, que havia sido campeão pelo Coritiba em 1979, e que disputou o certame de 1984 pela Portuguesa de Desportos voltava à velha casa. Aragonez, meia boliviano que logo deixou o elenco, foi trazido do Palmeiras.
Foi ainda contratado o meia Milton Cruz, ao Internacional, mas que nem chegou a jogar, sendo cedido ao Sport Recife, por não estar satisfeito com a reserva no Coritiba.
No ataque o ídolo máximo Lela, irreverente e driblador ponta-direita que contava passagens pelas seleções de base, o forte artilheiro Índio e o lépido Édson, que havia chegado do Flamengo para a temporada anterior.
Completavam o setor Paulinho, Vicente e Gil, que não estava em campo em nenhuma derrota do Coritiba, ficando com um recorde de cinco vitórias e três empates ao final do certame.
Antes do início da temporada o então técnico Dino Sani declarou à revista Placar que o Coritiba tinha chances de ser campeão, pois “todos (os times) são iguais no futebol brasileiro. Para vencer basta que os jogadores peguem firme”. Na mesma matéria, dizia o ‘Feiticeiro’ Hélio Alves que “quero que vocês me dêem o título nacional. E, do jeito que vai o futebol brasileiro, não está difícil”.
Sendo assim, o elenco Coxa era formado pelos goleiros Gérson, Jairo e Rafael; pelos laterais Zé Carlos, André, Dida e Hélcio; pelos zagueiros Caxias, Gardel, Gomes, Heraldo e Vavá; pelos volantes e meias Almir, Marildo, Aragonez, Eliseu, Luizinho, Marco Aurélio e Toby; pelos atacantes Édson, Gil, Índio, Lela, Paulinho, e Vicente.
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)