
BRASILEIRO85
Por Marcelo Algauer de Almeida, Fernando Todeschini, Marcus Popini e Dalton Paraizo Benik - COXAnautas
Após obter a classificação no difícil grupo G que contava com Corinthians/SP, Sport/PE e Joinville/SC, o Coritiba alcançava as semifinais do Campeonato Brasileiro. No começo eram 44 clubes e agora apenas 4. O Cori mais uma vez enfrentaria uma grande equipe do futebol brasileiro: o Clube Atlético Mineiro. Nos sorteios de mando de campo, o Coxa iniciaria a caminhada rumo à grande final, no Alto da Glória, no dia 24 de julho. Era noite de quarta-feira e o Couto Pereira estava cheio, não só de torcedores mas também de confiança e esperança. Por duas vezes anteriores, em 1979 e 1980, o Coxa havia parado nas semifinais, mas naquela vez tinha que ser diferente, e foi.
O Atlético/MG tinha um grande time com jogadores como João Leite, Luizinho, Nelinho, Paulo Isidoro e Reinaldo. Empurrado por mais de 33 mil torcedores, o que já garantia o maior público do ano no Alto da Glória, o Verdão entrou em campo em baixo de milhares de bandeiras, fogos de artifício e uma corrente não apenas de seus torcedores, mas também de toda Curitiba e Estado do Paraná.
Uma das grandes novidades da partida era a inclusão de Jairo no gol, já que Rafael cumpria suspensão automática pelo terceiro cartão amarelo. O "Pantera Negra" como era carinhosamente chamado pela torcida, teve trabalho logo no começo de jogo, após fazer uma bela defesa depois de um chute cruzado de Sérgio Araújo.
Os comandados de Ênio Andrade responderiam após um chute muito perigoso de Toby, que obrigou o goleiro João Leite a se esticar todo e assim evitar o primeiro gol da partida. A pressão Alviverde continuaria logo no início da etapa complementar, quando Édson chutaria uma bola na trave assustando a equipe mineira.
O gol estava maduro e finalmente saiu aos 12 minutos após um escanteio pela esquerda. A bola cruzou toda a grande área e sobrou para Heraldo, que se esticou todo para mandar para o fundo das redes e fazer a festa da torcida Coxa. No final da partida, o jogador Dida comentou sobre a força de todo o grupo: "Quando alguém perde a bola, todo mundo marca. Esse é o caminho, temos que continuar jogando assim e tenho certeza que é só manter esse mesmo ritmo que vamos passar para a outra fase", disse o lateral esquerdo alviverde. A partida que definiria o classificado à grande decisão aconteceria quatro dias depois.
Ficha Técnica
Coritiba 1 x 0 Atlético/MG
Coritiba: Jairo; André, Gomes, Heraldo, Dida; Almir, Marco Aurélio, Toby; Gil, Índio, Édson. Técnico: Ênio Andrade
Atlético/MG: João Leite; Jorge Valença (João Luis), Luizinho, Oliveira, Nelinho; Elzo, Paulo Isidoro, Éverton; Edvaldo, Reinaldo, Sérgio Araújo. Técnico: Cento e Nove
Local: Estádio Couto Pereira, em Curitiba/PR
Data: 24/07/1985
Árbitro: Carlos Sérgio Rosa Martins (RS)
Público: 33.041 pagantes
Cartão Amarelo: Nelinho (CAM)
Gol: Heraldo (COR), aos 12 minutos do segundo tempo
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O penúltimo passo antes do grande feito seria dado no gramado do Mineirão. Era dia 28 de julho. Domingo de semifinal e de casa cheia no maior estádio de Minas Gerais. O jogo, como todos esperavam, fora dificílimo e um trecho do livro "O Campeoníssimo – A trajetória de Evangelino Neves", mostra bem todo o clima que cercava aquela partida decisiva para a vida do Cori: "Começou o jogo. O que Rafael previra estava acontecendo. O Galo em cima da área coritibana. Na zaga, Gomes e Heraldo eram dois baluartes, suportando toda a pressão. Rafael no gol, aparava o que sobrava. Os laterais André e Dida não conseguiam sair para apoiar o ataque. O meio de campo também recuava. Tinham que suportar os primeiros vinte minutos. E suportaram".
O goleiro Rafael voltava ao time titular após cumprir suspensão automática na primeira partida da semifinal. O goleiro Alviverde teve uma grande atuação naquele jogo e fez uma defesa épica aos 30 minutos do primeiro tempo, após uma bola cruzada na área que bateu no zagueiro Gomes e passou por debaixo de Rafael, que com um reflexo espantoso defendeu em cima da linha de gol. A belíssima defesa ajudou a garantir a nota 10 na Bola de Prata da Revista Placar.
Após 94 minutos de muita pressão, o árbitro carioca Luís Carlos Félix apitava o fim de jogo no Mineirão. O Coritiba estava classificado para a Final do Campeonato Brasileiro de 1985 e pela primeira vez na história um clube paranaense disputaria a Taça Libertadores da América.
Era o Verdão Coxa Branca fazendo história não apenas no futebol paranaense mas também no futebol nacional. Após a partida do Mineirão, Evangelino da Costa Neves, o eterno presidente do Cori, cedeu uma emocionada entrevista à Rádio Clube Paranaense: "Estou felicíssimo pelos meus companheiros, felicíssimo pela minha família e acima de tudo felicíssimo pelo nosso Paraná. Realmente o Paraná hoje está em festa por essa memorável conquista. Conseguimos colocar o Paraná realmente dentro de um contexto do futebol brasileiro. O Paraná que nunca foi olhado como um futebol forte mas que hoje está realmente admirando e recebendo o parabéns de todos aqueles que vêem a luta do Coritiba, mostrando que o Paraná com a conquista de hoje é um grande celeiro de jogadores e que não deve nada ao futebol dos outros estados", disse o saudoso Evangelino.
Ficha Técnica
Atlético/MG 0 x 0 Coritiba
Atlético/MG: João Leite; Luizinho, Oliveira, Nelinho; Elzo, Paulo Isidoro, Éverton (Vitor Capucho), Edvaldo; João Luís, Reinaldo e Sérgio Araújo (Alisson). Técnico: Cento e Nove.
Coritiba: Rafael; André, Gomes, Heraldo, Dida; Almir, Marildo, Toby; Lela, Índio (Gil) e Édson. Técnico: Ênio Andrade.
Local: Estádio Mineirão, em Belo Horizonte/MG
Data: 28/07/1985
Árbitro: Luís Carlos Félix (RJ)
Público: 64.075 pagantes
Cartão Amarelo: Elzo e Vitor Capucho (CAM)
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)