
Por onde anda a isonomia?
O Clube dos 13 foi o primeiro grito dos clubes grandes, contra os desmandos da administração da CBF que até então fazia o que bem entendia com o futebol brasileiro.
Criado em 1987 e liderado por Fábio Koff, presidente do Grêmio, a dissidência ganhou força, se organizou e fez seu próprio campeonato brasileiro, que acabo tendo o apoio da CBF que nada pode fazer porque sem os grandes clubes do Brasil, não era nada. Acabou cedendo, mas com algumas condições que foram aceitas pelos 13.
Entre as muitas polêmicas geradas pelo casamento que nunca deu certo, duas grandes polêmicas: o titulo de campeão que só foi decidido recentemente, mas que acabou virando piada. Flamengo foi dado como campeão do Clube dos 13 e o Sport campeão, segundo a CBF. Os motivos da polêmica foi a realização de uma partida decisiva que a CBF programou, mas que não foi aceita pelos clubes. O Clube dos 13 acabou dissolvido em uma guerra de narrativas que nunca ficou muito bem explicada pelos cartolas.
A segunda e maior polêmica também nunca explicada, foi a ascensão do Fluminense da terceira divisão diretamente ao grupo de elite sem sequer disputar dignamente a segunda divisão. Eu outubro de 1998, o time carioca caiu para a terceira divisão do futebol brasileiro, por consequência de administrações equivocadas durante anos. Apesar do time carioca ter conquistado a Série C de 1999, o time pulou direto para a Série A, em uma histórica virada de mesa do Clube dos 13, que mais tarde virou clube dos 15, depois 16 e assim por diante. Ou seja, o Fluminense não só não disputou a segunda divisão no ano 2000, como ganhou de presente o retorno à primeira divisão.
Os grandes clubes, sempre protegidos por parte da imprensa, ainda tinham a garantia de não ter os seus desmandos expostos na mídia. Eram transformados em pequenas notas, sem destaque no noticiário esportivo.
Mesmo tendo feito parte do grupo dos 13 mais tarde, antes, em 1989, o Coritiba experimentava pela primeira vez uma punição jamais vista no futebol. O rebaixamento por ter se negado em jogar em Juiz de Fora contra o Santos. Sem levar em conta os méritos ou não da questão, o exemplo ganhou espaço na mídia que divulgava a punição como exemplo de austeridade que devia ser seguido aos demais clubes. O TJD e STJD, a justiça da CBF, ganhou força em seus atos e punia, a seu modo, toda e qualquer atitude não condizente com o que rezava a cartilha da CBF. Caso não aplicado por exemplo à criação do próprio clube dos 13 e a ascensão do Fluminense da terceira à primeira divisão em 2000.
Em dezembro de 2009, novamente o Coritiba serve de exemplo (ou não). Depois das cenas de violência da partida contra o Fluminense pela última rodada do Brasileiro, a torcida revoltada com novo rebaixamento do clube, invade o gramado do Couto Pereira, e protagoniza uma das piores cenas de vandalismo, algo muito parecido como a que se viu pela tv, proporcionada pela torcida do Grêmio domingo passado, depois da derrota para o Palmeiras, quebrando a cabine do VAR e entrando em luta corporal com o pequeno policiamento e seguranças do clube, presentes no estádio. Só não aconteceu algo pior porque o policiamento agiu rápido e expulsou os invasores.
Em 2009, a Segunda Comissão do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), puniu o Coritiba, no dia 15 de dezembro com a perda de 30 mandos de campo e multa de R$ 610 mil pelos incidentes ocorridos no Couto Pereira. A pena caiu para dez jogos e R$ 100 mil, após recurso do Coxa.
O Coritiba acabou transformando a arena de Joinville como sua casa. Em nova demonstração de amor ao clube, a torcida comprou a ideia de apoio ao time que iniciou na cidade catarinense a sua arrancada de volta para a “Série A”, numa campanha irretocável, que acabou com as últimas rodadas no Couto Pereira, em partidas que foram para a história do clube. Uma história que jamais será esquecida pela torcida, atletas e comissão técnica.
No caso Grêmio, com as mesmas características, ou pelo menos com os mesmos níveis de violência, além da imprensa não dar o destaque que o tema merece, o TJD também não trata o assunto o mesmo rigor que deu no caso do Coritiba. O Grêmio segue jogando em casa, apenas com a proibição da entrada da torcida.
Provavelmente porque trata-se de um time de maior expressão e que já vive momentos de ameaça de rebaixamento. Fato que trará prejuízo ao próprio Grêmio, à CBF e imprensa que perde um produto de grande apelo comercial.
Ao futebol brasileiro, o Coritiba deixa seu exemplo de superação, sem benesses, sem privilégios, porque está no amor de sua apaixonada torcida o seu passado e seu futuro.
Editoria COXAnautas
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)