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Peço permissão à equipe de administradores do site Coxan@utas para emitir uma opinião pessoal sobre o ano que está surgindo para o Coritiba. Trata-se de um ano muito importante para a história do Clube. A infeliz queda para a Segunda Divisão é crítica para o Clube. Agora é hora do ”bate e volta”, pois ficar mais um ano na série B será muitíssimo prejudicial ao Cori, que pode daí sim passar as comemorações do seu Centenário longe da divisão principal do futebol brasileiro.
O elenco do Coritiba que inicia a temporada 2006
A primeira impressão que fica do Coritiba ano 2006 não é muito animadora. Dispensou 24 jogadores. Destes, não sentirei saudades de nenhum deles em campo. Alguns, como Vizzotto, Tiago e Rubens Jr, muito pelo contrário. Infelizmente não agiram como bons profissionais fora de campo.
Sinal vermelho
Dentro de campo, o emblemático Negreiros não deixa saudade. Na esteira, outros mais, de quem eu particularmente esperava resultados concretos, práticos, que livrassem o Cori da derrota, como Flávio (decepcionante temporada), Marquinhos (uma infeliz temporada) e Capixaba (dois pênaltis perdidos que custaram muito caro ao Coxa).
Para ser sincero, creio que falando até em nome de muitos torcedores, poucos destes dispensados deixarão saudades. À grande parte da torcida, talvez nenhum deles. Saem derrotados, não tinham mais história para contar.
De Nascimento esperava um pouco mais, na ótica de torcedor. Profissionalmente, o ex-capitão Coxa agiu com a razão de quem sabe das expectativas e necessidades pessoais e familiares. Mas esperava dele um último ano, declarado de forma antecipada. Um último ano no Alviverde, como forma de retribuir à torcida, com a volta à Primeira Divisão. Coisa de torcedor, naturalmente.
Não esperava do Clube loucuras com Nascimento e Caio, este muito valorizado, talvez mais do que o aceitável. Faz parte do jogo, ambos deixam certa dose de saudade, especialmente Reginaldo Nascimento, por ser uma figura que representava a raça Coxa-Branca. Com a saída dele, o Trio (Zanchi, Frega e Hidalgo) terão que aumentar esforços na composição do time, pois um novo ícone da raça coritibana terá que aparecer. É o ônus do cargo, que recai nos três, em Márcio Araújo e na Comissão Técnica e nos nove membros do Conselho Executivo, empossados na noite desta quinta-feira.
Destes nove, certamente o Presidente Giovani Gionédis será alvo dos olhos de muitos torcedores do Coritiba. O desempenho do time em campo refletirá muito mais intensa e imediatamente do que ocorreu ano passado, especialmente se o time demorar a engrenar ou não engrenar. Ônus do cargo.
Os novos
Dos novos contratados, pouquíssimos nomes conhecidos. ”É esperar para ver. Completaria o ditado com e torcer, torcer muito.
A premissa de torcer muito para mim faz sempre todo o sentido. Daí as campanhas do site Coxan@utas. Torcer durante todo o jogo não quer dizer que depois do jogo encerrado as cobranças não sejam feitas. Se necessárias, elas devem ser feitas na intensidade, forma e momento adequados. São pontos muito diferentes. Apoiar incondicionalmente um time não quer dizer omitir das cobranças que se fazem necessárias para o bem do próprio clube.
Quanto aos novatos, a avaliação individual se torna complicada na medida em que a falta de conhecimento sobre eles é quase que uma constante, tanto nos torcedores como nos cronistas e jornalistas esportivos.
Inspirado no colunista Samir, modestamente tentarei fazer uma avaliação sobre os novos contratados. Discutimos o assunto com o pessoal da equipe Coxan@utas numa reunião ocorrida na última terça. Estava atento especialmente às avaliações do colunista Ricardo Honório, um estudioso dos times adversários.
Arthur (goleiro): avaliações distintas, indo do céu ao limbo em pouco tempo. Alguns acreditam ser uma das principais contratações. E tomara que seja, na série B bons goleiros são fundamentais.
Diogo (Meia): Frega em breve deverá orientá-lo sobre os modos e costumes que agradam a torcida Coxa. Diogo, me permita uma sugestão: Rubens Jr. não é modelo de jogador ideal. Longe disto. Repense este seu conceito.
Guaru (Meia): criticado e elogiado por torcedores do Bahia. Variou um ótimo regional, com um instável nacional. Mas no time mais popular do Nordeste, a má campanha dentro de campo deve ter sido em parte reflexo da péssima administração fora dele. E aí, os reflexos são imediatos em muitos jogadores. Alguns acreditam ser uma boa contratação para a armação das jogadas. Elogiado por uns pela sua habilidade.
Iverton (Volante): dizem ser um marcador de muita força e implacável. Espero que o seja, pois será necessário para liberar os alas para o jogo.
Julinho (Lateral esquerdo): vem com a fama de ser bom no ataque. Se assim o for, o Coxa jogará com dois volantes fortes de marcação ou três zagueiros (e neste modelo tático, Douglão pode ganhar espaço este ano).
Júlio Madureira (Meia): se a genética lhe favorecer, é uma boa contratação. Estranha o fato dele não se fixar no futebol europeu, algo que numa análise muito simplista não parece ser positivo.
Ludemar (Atacante): jogador mais rodado. Dono de um passado não muito amistoso. Torcedores reclamam dele. Um desentendimento com um jogador, durante um treino, enquanto jogava em Portugal, anos atrás. Isto não pode se repetir no Alto da Glória.
Marcelinho (Atacante): velocidade dizem ser sua marca registrada. Uma promessa, a qual espero se tornar realidade aqui no Verdão.
Marcio Giovanini (Zagueiro) : soube se tratar de um jogador funcional, intercalando o jogo rude, com o toque de bola.
Wilton Goiano (Lateral direito): uns dizem ser um jogador polivalente, com velocidade e muito apoio ao ataque, dono de um bom campeonato pela Lusa; outros dizem tratar-se de um jogador de limitação técnica. Se assim o for, terá que compensar na base da garra, pois é o mínimo que se espera dele.
Sinal verde
Vinícius (Atacante): além dos três novos contratados, que devem aparecer no Alto da Glória nos próximos dias (dois atacantes e um lateral, todos com passagem pelo futebol do sul/sudeste), este é o nome de maior expectativa.
Vinícius vem com 40% dos direitos federativos adquiridos pelo Cori. Torcedores e radialistas do interior de São Paulo falam muitíssimo bem dele. Este promete.
Sinal amarelo
Sinal de alerta a contratação do goleiro Julio Sérgio, que deixou o Cori poucos dias depois da apresentação. É necessário avaliar e considerar, pois os erros sairão caro este ano.
Como o Clube ainda não dispõe de um setor de planejamento estratégico e informação ligado ao futebol, seja na categoria de base, seja no profissional, e isto é uma premissa que o Presidente eleito, Giovani Gionédis, e sua equipe devem buscar incessantemente para o Coxa, suponho que as contratações do Verdão devem estar mais balizadas no conhecimento e na tarimba do Trio. Mas só isto não bastará para o Cori voltar mais forte no futebol.
O planejamento para o futebol da Mauá requer mais do que isto. E reestruturar para depois investir nisto requer tempo, dinheiro e trabalho, mais trabalho. Mais um ônus da nova gestão Coxa-Branca, reflexo da queda do ano passado.
A torcida quer ajudar, mas será menos tolerante aos erros do que foi ano passado. Se for necessário manter o treinador depois de duas ou três derrotas consecutivas, ok! Mas se for necessário demiti-lo ou afastar jogadores depois de uma derrota inaceitável, que o faça.
Creio que o torcedor Coxa-Branca irá ao Couto para ajudar o seu Clube de coração, mas certamente as cobranças serão muito mais intensas e contínuas do que foram as doa ano passado. A torcida exigirá um time de resultados. Jogar para ganhar seja jogando bonito, seja jogando feio. E ganhar em casa é lei na Segundona.
Bom sinal
Por outro lado, as contratações, até onde soube, foram de comum acordo com o treinador Márcio Araújo e o Trio. Bom sinal, pois o treinador não será o único a decidir (como já ocorreu antes), mas sua opinião tem peso na decisão.
Algo que me agrada nos contratados é um novo discurso: a palavra de ordem tem sido destacar a força da torcida e a responsabilidade em voltar. É isto aí. E quando entrar em campo, aliar a prática ao discurso!
Também me agrada Zanchi, Frega e Hidalgo falarem sobre futebol, coisa que ano passado ficou a cargo do Presidente. Foi uma erro estratégico, uma má assessoria dos profissionais contratados pelo Clube. Gionédis se desgastou desnecessariamente, criou uma terminologia que mais desagradou do que agradou e agora foi banida do dicionário coritibano. Bom sinal. As palavras têm poder.
Também me agrada saber que a tese de contratações é avaliar em campo. Se jogar bem fica, se não jogar bem, sai. Dos quinze que virão, se uns cinco acertarem em cheio, monta-se uma base, que foi totalmente desmontada no final do ano passado. Uma base fracassada, a qual tinha que ser desmontada.
Resultados, sempre eles
Futebol é resultado. A análise de resultado será determinante para novas contratações. Necessárias, diga-se de passagem. O torcedor precisa de pelo menos alguns nomes de jogadores que o façam ir a campo, faça chuva ou faça sol. Aquele jogador que resolve uma partida, o qual ele poderá contar para o filho: este é jogador do Coritiba! Torcedor precisa ter um ídolo.
Quem pode subir?
Das Categorias de Base, a esperança no zagueiro Henrique. Este jogador vem chamando a atenção há algum tempo. Já foi convocado para a Seleção Brasileira. Precisa ser bem observado e Márcio Araújo tem esta obrigação, a qual infelizmente não foi feita pelo Cuca na temporada passada.
Do Coxa Jrs. o torcedor não deve esperar que sejam pinçados imediatamente três ou quatro jogadores para compor o elenco profissional, pelo menos deste time que está na Copa SP. É necessário ter calma neste momento.
Talvez o atacante Guilherme possa se lembrado, mas ele precisa esquecer os maus exemplos do ano passado e mirar nos bons exemplos, como o do volante Peruíbe. E que de contrato novo, Peruíbe mantenha o bom desempenho dentro e fora de campo.
A torcida pode ser a diferença
Fator muito positivo é a vontade que muitos torcedores do Coritiba têm demonstrado pelo Clube. Querem ajudar o Coxa e isto precisa ser levado em consideração. Se o time ajudar em campo (fora dele o Frega cuida), nas arquibancadas a festa popular será feita. A torcida não irá ao show. Ela fará o show!
Mas só a torcida não basta. Ajuda e ajuda bastante, mas não basta. O time precisa fazer a perte dele. Unidos e em sintonia, o Cori torna-se um time muito forte.
E com este time: subimos ou não?
É uma pergunta díficil de responder. Antes de mais nada, é esperar para ver o time jogar, pois poucos conhecem todas as contratações, que até onde soube, têm indicações diversas.
Usar apenas uma análise individual das contratações para responder com razoável dose de acerto é, ao meu ver, precipitada. Outros fatores interferirão no sucesso do Cori e na volta para Primeira Divisão: o modelo tático ajustado ao perfil dos jogadores, a determinação e a unidade do grupo, os cuidados extra-campo.
Além disto, é bom lembrar que a forma de disputa e a quantidade de vagas na Primeirona são importantes de serem levados em consideração. Se for turno e returno, a estrutura do Cori ajuda. E muito!
A qualidade dos adversários precisa ser analisada. Eles têm contratado bem? As contratações darão certo? A torcida ajudará nos jogos em casa (fator fundamental para o sucesso)? A parada para a Copa do Mundo será bem administrada?
Eu acredito que o Coritiba sobe este ano.
A premissa
A premissa é simples: independente de resultados, eu acredito que a a torcida do Coxa irá apoiar o Clube de forma intensa e irrestrita.
Apoiar o Clube, independente dos bons ou maus resultados. Se precisar criticar, criticar para construir, para agregar valor, para alertar sobre os erros, sejam eles possíveis ou imagináveis. Isto é colaborar com o crescimento e fortalecimento do Clube que tanto amamos.
Luiz Carlos Betenheuser Júnior
Arte: Kleber Foggiatto
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)