
ARTIGOS
Eleições no Cori
Vinícius Coelho, Tribuna do Paraná, 29/11/2005
No momento em que no Alto da Glória só se deveria estar discutindo a chance de um milagre acontecer no domingo, o assunto é dividido com a eleição que de repente explodiu no noticiário, com um grupo oposicionista entrando com vigor na disputa.
Uma atitude que o ambiente democrático faculta evidentemente. Dois candidatos a presidente: Giovani Gionédis e Tico Fontoura. Conheço os dois. Giovani mais recente, com um trabalho dignificante na recuperação do clube. Resultados excelentes, que impediram o Coritiba de estar hoje na terceira divisão e recuperaram o crédito e o respeito para com o clube.
Tico Fontoura há mais tempo, inclusive porque sou amigo-irmão do seu mano Gilberto, com quem tive a felicidade de trabalhar quinze anos no canal 12. São dois coritibanos valiosos. O Tico sempre que procurado, ajudando o clube e o Giovani com uma atuação acima de qualquer suspeita, com resultados em três anos de inestimável valor. Tem na sua retaguarda hoje uma estrutura administrativa que o Coritiba nunca teve.
Quais os objetivos?
No corre-corre das campanhas, nos telefonemas de um para outro de cada chapa, pode-se notar alguns lances que me assustam, inclusive percorrendo os nomes que estão envolvidos.
Não há a menor dúvida, que muitos recorrerão ao Tico, não para que ele apenas dirija bem o clube, mas visando os seus interesses pessoais. Quantos que o apóiam, um mês depois, o estarão apoiando ainda?
Há gente que vê para sua carreira política um bom momento para seu nome ser bem divulgado. O que me assusta é isso, com muita gente vendo aí um momento para uma revanche ao Giovani. E o Coritiba? O que conta é o clube, é a instituição.
É o seu futuro.
Por que separá-los?
A criação de uma oposição num clube é um desastre. Ganhe quem ganhar, ela estará criada. Diante do bom relacionamento que sempre houve entre os dois, dos vários convites do Giovani para o Tico fazer parte de sua diretoria, do atendimento do próprio Tico aos vários pedidos de ajuda do Giovani, por que agora eles seguirem numa luta de irmãos, cujo maior prejudicado será o clube?
Por que não sentam hoje, só os dois, discutem o clube e o Giovani não leva o Tico para ser o seu assessor especial no futebol?
O diretor que o Giovani não teve, o homem da diretoria para estar lá no CT todos os dias a cobrar dos funcionários do setor, da comissão técnica e ser a palavra final das contratações e indicações que surgem todos os dias no clube?
Para que a minha glória a ti cante louvores, e não se cale. Senhor, meu Deus, eu te louvarei para sempre. (Salmos 30:12)